50 Tons da Vida – Cap 22

Voooltamos!! E para começar, quero contar uma linda e deliciosa novidade! Fui chamada para voltar para os EUA! *fogos de artificio*
Na época que morei lá conheci muita gente e tem um menino, muito amigo meu que trabalhar em um jornal lá e está precisando de mulheres que escrevam bem para um caderno especial para mulheres, aí ele me chamou, então acho que teremos novidades pela frente! o/

Bom, vamos parar de blá blá blá que eu sei que voces estão doidas para saber o que aconteceu quando a minha mãe chegou por lá né? Entao, como eu disse na ultima vez, tive que expulsar Donna do quarto e guardar todos os meus objetos de bandeira gay para nao assustar a velha logo de cara né?

A semana era dedicada a procurar um apartamento pra mim, afinal de contas eu ia comecar a trabalhar e nao poderia mais morar na faculdade. Reservamos vários pelos jornais e por indicações de conhecidos. A preferencia era que fosse do lado da faculdade porque eu ia continuar estudando. Nenhum era perfeito. O que agradava minha mãe, nao me agradava e o que eu gostava ela dizia que parecia um chiqueiro ou algo assim.

Ja era quinta feira e estavamos estressadas por nao conseguir nada. Sentamos em um dos restaurantes do campus para comer e ver quais apartamentos que faltavam. Nao eram muitos, uns 2 ou 3 só. Algum deles precisava servir.

Passei a semana inteira sem encontrar com a Donna. Só na quarta feira a noite que inventei pra minha mãe que tinha uma aula extra e dei uma escapada para encontra-la. Estavamos na mesa do almoco falando de apartamentos e meninos (o assunto preferido da minha mae) quando senti aqueles dedos macios correndo pela minha nuca. Era Donna chegando. Ela me deu um beijo na cabeca, um olhar quente e sedutor e sentou na cadeira que estava sobrando. Cumprimentou minha mae como monitora e comecou a me elogiar em português, o que deixou minha mae feliz e preocupada até porque ela achou bem estranho aquela intimidade toda que eu tinha com uma monitora. Ferrou tudo.

Quando minha mae cansou da conversa Donna olhou para mim e disse que tinha o apartamento perfeito pra mim. Quase perguntei se era o dela, mas fiquei com medo da minha entender e aí tudo ia por agua abaixo. Bom, na verdade era o apartamento do ex namorado de Donna, aquele que era amigo do irmão dela e tudo mais. Isso nao me deixou muito feliz, mas como era ao lado da faculdade e eu estava desesperada, aceitei ir visitar.

Gente, eu estava super desanimada mas o apartamento era MARAVILHOSO!! Logicamente, não gostava nem um pouco de saber que o apartamento era do ex né? Mas por incrível que pareça minha mãe também gostou. Nem pensamos duas vezes, fechamos negócio e a mudança começaria no mesmo dia! Uhul!

Minha mãe deu a idéia de sairmos para comemorar na quinta a noite. Até porque o vôo dela era sexta de manhã e seria nossa última noite juntas durante algum tempo. Não sabia quando ela ia voltar. Eu estava feliz de tê-la ali. Ela era minha mãe, costumava ser meu porto seguro quando criança. E por mais que tivéssemos nossas diferenças, nos dávamos bem no geral.

No meio do jantar Donna me mandou uma mensagem perguntando do apartamento. Respondi rapidamente para não desviar a atenção e voltei a conversar com minha mãe. Donna mandou mais uma mensagem dizendo que tínhamos que comemorar. Dei um sorriso sincero lendo as palavras dela e minha mãe não se aguentou e perguntou se era alguém especial.

Esse era um dos momentos da vida que se pudéssemos voltar atras, acho que eu faria diferente. Achei que estávamos super bem e decidi contar tudo a minha mãe. Por mais que ela já soubesse que eu era mesmo gay ela não estava pronta para saber que eu estava namorando e que provavelmente agora que tinha um apartamento só meu as coisas seria muito mais fáceis.

Bom, brigamos, ela disse que estava decepcionada e eu disse que sentia muito em magoa-la sendo do jeito que sou. Ela foi dormir cedo, pois tinha o vôo, eu demorei a voltar para o quarto. Chorei um bom tempo sozinha sentada no jardim do campus. Quando fui deitar percebi o rosto inchado da minha mãe. Ela deve ter chorado bastante também. No dia seguinte me levantei para leva-la até o taxi. A abracei bem forte e disse que a amava e sentia sua falta. Acho que isso eu fiz certo. Assim que ela chegou no Brasil me mandou um email gigante, mas que resumidamente dizia que me amava muito e que confiava no meu juízo e responsabilidade. E o mais importante. Disse que não conseguia entender porque eu fazia isso (ser gay) mas que ia tentar respeitar melhor.

Apesar de achar que não fiz bem em contar, acho que no final das contas teve seu lado positivo né? Foi muito triste essa despedida, até porque depois disso, demoramos um ano para nos reencontrarmos.

Enfim, na próxima eu conto como foi a minha mudança tá? Prometo não demorar muito!

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

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