50 Tons da Vida – Cap 2

barBom, primeiro de tudo queria dizer que eu não lembro de tudo que aconteceu, então fica meio difícil realmente contar tudo, tudo, tudo e em ordem cronológica. Mas vou tentar lembrar de tudo que é importante tá?

E pra começar, o dia que eu cheguei. Saí do Brasil em um vôo noturno. A despedida no aeroporto foi fria e sem muitas lagrimas de saudade, eu estava com raiva e meus pais estavam….enfim, não sei, como eles estavam. Entrei no avião, coloquei meus fones com música, e encostei a cabeça pra trás, fechei os olhos e deixei a música me preencher. Tinham dois bancos vazios ao meu lado e eu tava rezando para que não fossem ocupados, era só sonho mesmo. Entraram duas mulheres no avião que me chamaram atenção, eram bonitas e vestiam calças largas, cabelos compridos e camisetas simples, sentaram do meu lado e deram as mãos. Usavam alianças iguais, elas estavam juntas. Aquilo só podia ser um sinal. Sorri lá no fundo, aumentei o volume da música e deixei o sono me buscar.

Fui trabalhar nos EUA mesmo, meus pais me queriam longe o mais rápido possível! Fui pra Califórnia, segundo eles, lá eu não ia sentir tanta diferença assim, porque tinha praia e o clima era parecido. Com certeza, eles não assistiram Milk. Mas enfim, lá foi a minha pessoa desembarcar nas terras californianas. O Estado mais gay dos EUA, agora, só pra mim! No aeroporto mesmo tinha uma pessoa me esperando, um cartazinho com meu nome, era uma guia brasileira, chamada Donna. Na verdade, era filha de pai americano, mãe brasileira. Tinha 23 anos e trabalhava como guia nessa empresa ajudando os brasileiros que chegavam lá. Ela era linda! Queimada de praia, estava com uma calça jeans justa, uma camiseta da empresa, cabelo liso preso em um rabo de cavalo e uma mochila nas costas. Estava com um óculos escuros na cabeça e de longe eu vi que ela tinha mexas vermelhas no cabelo preto dela. Herdou o corpo da mãe, porque tinha uma bunda…benza Deus!

Um amorzinho ela, me levou para o dormitório onde a gente ficava, dentro de uma faculdade. Ah é, eu estudava e trabalhava! Eu tinha um quarto só pra mim. Surpresinha dos meus pais. Como o dormitório era exclusivo de meninas, o combinado era as portas ficarem abertas durante o dia, assim ninguém se isolava nem se escondia. A Donna era a coordenadora do corredor! E eu adorei essa novidade, já estava super “amiga” dela. Desfiz minhas malas, arrumei meu quadro de fotos, espalhei algumas roupas para dar uma bagunçada e saí andando pelo corredor querendo conhecer pessoas. E conheci.

Passei na porta de um quarto onde tinham 3 meninas rindo muito. As 3 falavam em inglês, mas dava pra perceber pelo sotaque que só uma era americana!

– Carne nova no pedaço! Entra aí e diz seu nome!

Entrei, me apresentei e elas se apresentaram, eram Jenny, Kim e Giulia, 17, 16 e 15 anos respectivamente. Não demorei pra me entrosar, as tres eram uma simpatia.

– Toma, bebe um gole, para comemorar sua chegada! – Elas me ofereceram uma garrafa de aluminio, dessas que os velhos põe whisky.

No Brasil eu nunca fui de beber, até porque meus pais me cheiravam inteira quando eu saía para festas e voltava para casa. Tiveram algumas vezes, quando eu ia dormir fora, que eu bebia, mas nunca passava de alguns drinks de vodka e tequila, que só aconteceu uma vez que eu dormi na praia depois de uma briga homérica com os velhos e passei a noite fora. Foi o pior porre da minha vida!

Bebi da garrafa das meninas. Era forte, mas era bom! Perguntei o que era e elas me falaram que era uma vodka dessas importadas com um pouco de suco. Bem pouco mesmo, porque até hoje não sei qual era o gosto do suco! Eu não tinha nenhum compromisso naquele dia, a não ser permanecer viva. Era sexta feira e os trabalhos e aulas, começavam na segunda. Mas no sábado tinha reunião o dia todo com o pessoal da empresa, para explicar como funcionava esse esquema todo de estudar e trabalhar por lá. Só fiquei feliz porque Donna estaria por perto. Eu estava fascinada com aquela menina.

Ajudei Jenny, Kim e Giulia a acabar com duas garrafas dessas de aluminio pequenas. Elas estavam completamente sobreas enquanto eu via o mundo de cabeça pra baixo. Mas não me importava, estava ali para chutar o balde e pela primeira vez, realmente viver. Lá fora a tarde caía quando elas resolveram andar pelo campus da faculdade e me chamaram. Deu ruim. Na hora que eu tentei levantar do chão o mundo girou mais ainda e toda a vodka no meu estomago fez a intenção de voltar. Lembrei que não tinha comido nada depois de sair do avião. Disfarcei muito bem para elas, falei que estava cansada, ia tomar um banho e deitar. Perguntei onde era o banheiro e fui direto pra lá. Vomitei até não poder mais.

Estava eu, com meu corpo agarrado ao vaso sanitário, derrotada e fedendo a vomito quando Donna entrou no banheiro com um cigarro na mão. Ela quase desmaiou quando me viu daquele jeito! Além de esconder rapidamente o cigarro saiu correndo pra me pegar.

– Relaxa, eu to bem agora! – Foram as únicas palavras que consegui pronunciar e pelo cheiro que eu estava exalando ela percebeu que eu tinha andado meio bebada!

– Ainda bem que fui eu que te achei! Agora preciso que voce finja muito bem! Vou te arrastar pro chuveiro.

ELA ME DEU BANHO!! Voces tem nocao de que a menina linda que eu to de olho desde que cheguei me deu banho? Juro, só não agarrei ela, porque estava com muita vergonha! Ela me enrolou em uma toalha, deu uma espiada pra ver se não tinha ninguém no corredor e me levou as pressas pro meu quarto! Fechou a porta e me deitou na cama. Ela começou a rir loucamente!

– Que foi? Tá rindo de mim? – perguntei logo irritada!

– Você caiu no trote do trio parada dura!

– Ahn?

– Elas sempre deixam alguma novata muito bebada! Eu já estava até estranhando que tudo estava calmo!

– Filhas da puta! – Antes de cair na gargalhada, consegui xingar.

Estava inaugurado então meu primeiro dia na Califórnia! Depois disso nada demais aconteceu! Donna me ajudou a pegar a minha roupa e me deu um remedio para dor de cabeça, mandou eu dormir e disse que vinha me acordar no dia seguinte para eu não perder a hora. E tudo que eu conseguia pensar é que eu seria acordada por ela! E a viagem estava começando melhor do que encomenda!!

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

Este post tem 4 comentários

  1. Sandy

    Continue, Tô amando *0*.

  2. Kath

    To adorando a história, eu não sei se você já publicou essa história em outro site, mas eu recomendo o Nyah você seria muito bem recebida 😀

    1. Nao conheço nao!! Mas estou indo agora mesmo lá!! 😉 muito obrigada querida!

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