50 Tons da Vida – Cap 19

Voltamos mulherada!! E to sabendo que sentiram minha falta né? Pois é, peço desculpas meus amores, essa pobre mortal que vos fala trabalha muito e essa semana foi um pouco mais complicado do que o normal, o que impossibilitou minha vinda até vocês! Mas não se preocupem, cá estou eu! Ahhh, mandem beijinhos para as mães de vocês! Hoje o dia é delas hein!

Sem mais enrolação, vamos ao que interessa! Hoje vim contar de uma das noites mais especiais que tive nessa viagem. Fazia um pouco mais de 1 ano que estava lá, minha mãe tinha me convencido a voltar para o Brasil no mês seguinte e eu estava em depressão total. Na época ainda tinha uns rolos acontecendo com a Donna e eu andava pra cima e pra baixa com os olhos cheios de água por ter que ir embora e abrir mão daquela vida maravilhosa que eu tinha construído ali. Era sexta feira de manhã quando Donna entrou no meu quarto, me acordou, me fez arrumar as malas e me carregou para o aeroporto. JURO. Dessa maneira louca que estou contando para vocês! No caminho brigamos porque eu queria saber o que estava acontecendo e ela não queria me contar dizendo que era surpresa.

Chegamos na sala de embarque e ela puxou duas passagens da bolsa, entregou, pegou meus documentos, entregou e fomos. Demorou para eu me acalmar, já estavamos em direção ao avião quando finalmente resolvi prestar atenção ao alto falante do aeroporto. Estávamos indo para NY. Eu e Donna. Só. Gente, eu não sei explicar. Era um misto de raiva com felicidade e dúvida. Só sei que meu estomago comecou a doer. Eram borboletas nele todo. Entramos no avião. Sentamos lado a lado e na janela. Não tinha mais ninguém na nossa fila de bancos. Finalmente respirei e consegui conversar com Donna.

– Pode me explicar o que é isso, agora?

Ela não me respondeu. Simplesmente virou na minha direção me presenteou com aquele sorriso dourado dela, se aproximou e me deu um beijo leve, gostoso e quente na boca.

– Bom. Como você andava toda triste por causa da volta para o Brasil decidi te dar de presente um fim de semana comigo.

Não pude perder a oportunidade de implicar com ela.

– E seu namorado? Sabe que você vai passar o fim de semana todo comigo?

Ela não gostou muito da brincadeira, tirou o sorriso largo e me respondeu com um tom de voz que deixava claro que não era para continuar o assunto.

– Ele não é mais meu namorado.
– Desculpe. Não sabia.
– Tudo bem. Agora vamos pensar em coisas boas. Eu, você and the big apple.

Não tinha nem o que discutir. Estava indo para Nova Iorque com a Donna, que não tinha mais namorado e realmente, não tinha mais do que reclamar. Me encostei nela, deixei a adrenalina dominar meu sangue e esperei o avião decolar. O vôo não era longo, mas também não era rápido. Fomos em frente.

Já de longe avistei a tão famosa ilha. Já conseguia distinguir a estátua com o braço levantado, o empire state com sua ponta característica, a brooklyn bridge imponente conectando a ilha ao continente. Realmente, não tinha o que falar, aquele lugar era mágico. E eu estava ali, com a Donna como guia.

Saímos do aeroporto e pegamos um taxi até Manhatan, íamos ficar em um albergue de uns amigos de Donna. Ela ainda conseguiu um quarto com banheiro exclusivo para gente. Era baixa temporada e os amigos fizeram um preço especial para nós. Era bem simples, mas arrumadinho o local. Deixamos as malas e saímos. Estava sol, mas com um vento um pouco gelado. A promessa era de que a noite estaria bem frio.

Começamos pelo Central Park. Era tudo muito lindo e exatamente como parecia nos filmes. Jogamos comida aos patinhos, passamos embaixo das pontes, onde aproveitamos para trocar beijos e carinhos e tirar fotos. Fomos no zoológico que tinha lá dentro, deitamos no gramado e aproveitamos aquela sensação única de curtir o sol e um ambiente de verde no meio de uma cidade enorme, sabiamente apelidada de floresta de concreto. Era lindo mesmo.

Almoçamos cachorro quente na rua e fomos a vários pontos turísticos. O Metropolitan Museum, o Rockfeller Center, comemos cupcakes na Magnolia, fomos na Times Square quando o dia já se preparava para acabar e terminamos o passeio em frente ao Empire State, que era a minha maior vontade. Pedi a Donna para subir, mas ela recusou. Disse que não valia a pena, que faríamos coisas mais interessantes. Fique muito irritada. Afinal de contas, a viagem era para mim ou para ela?

Ela me pegou pela mão e nos levou de volta ao albergue. Fechei a cara até ela perceber, o que não demorou, mas ela só se manifestou quando entramos no quarto.

– O que houve? Não gostou da viagem?
– Porque não me deixou subir no Empire State?
– Porque senão não daria tempo de fazer o que programei para essa noite!
– E o que é?
– Surpresa.

Ela me abraçou até eu melhorar a minha cara de emburrada e assim que esbocei um sorriso ela me segurou em um beijo quente, com sentimento de saudade o que me fez lembrar que eu ia embora, derramei uma lágrima e outras a seguiram.

– Ei, o que houve?

Ela interrompeu o beijo e secou cada lágrima minha com beijos, sem me soltar em momento algum. Estávamos de pé no meio do quarto.

– Não quero voltar. Não tenho nada de bom me esperando no Brasil.
– Então porque não fica?
– Minha mãe acha que estou de vagabundagem por aqui, quer me ver estudar.
– E o que faria ela acreditar que você está fazendo coisas sérias aqui?
– Não sei. De repente um trabalho.
– Uhm. Entendi. Mas não vamos pensar nisso agora? Vamos curtir nosso fim de semana?

Gente, preciso interromper para ressaltar que eu não estava entendendo nada como a Donna passou de “pessoa que namora e pega outras meninas” para “pessoa quase apaixonada que me leva para Nova Iorque”. Eu estava assustada com aquela mudança toda, mas decidi deixar para ver até onde ia.

Tomamos um banho juntas, coloquei uma roupa linda e ela também estava maravilhosa! Saímos, a noite reinava e a cidade ficava ainda mais bonita no escuro. Ela não dormia, como diziam, e as luzes da cidade embriagavam a todos que olhavam. Podíamos beber a cidade e nos embebedar de adrenalina e emoção.

Estávamos andando sem rumo, pelo menos eu achava que era sem rumo. Paramos em uma calçada qualquer quando Donna se virou para mim e pediu para fechar meus olhos, tinha uma surpresa. Quase surtei, mas deixei. Só ouvia o barulho de carros e pessoas, mas não enxergava nada. Era tenso demais. Senti ela me carregando e confiava tanto nela que não foi dificil me fazer caminhar. De repente senti a mudança de clima. Entramos em algum lugar. Ela me pediu para esperar onde eu estava, sem tirar a venda. Ouvi ela falando com alguém, que falou com outro alguém alguma coisa. Senti o braço dela me segurando e me encaminhando em uma linha reta, até virarmos a direita. Ela me avisou de um pequeno degrau. Ela me deu um estalinho, tirou minha venda mas mandou eu continuar de olhos fechados. Eu sentia que estávamos em um elevador. Elevador demorado. Comecei a ficar com o coração acelerado.

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.