50 Tons da Vida – Cap 13

tumblr_mjww6etN2F1r68vwwo1_500Voltei, voltei! Rápido dessa vez né?

Fiquei pensando esses dias sobre o que iria falar com vocês! Já contei casos engraçados e tristes, já contei besteiras e até já falei da minha família! Mas aí lembrei de uma coisa que não tinha comentado ainda! É sobre você mesma! Quando se está sozinha em um país distante, sem ninguém por perto, certas coisas você é obrigado a aprender na marra. E a sobrevivência foi uma delas e diria eu, uma das mais difíceis!

Não digo sobrevivência financeira, nem física…essas a gente aprende muito rápido e são bem simples, o difícil é a sobrevivência da mente. Explicando…. por exemplo, quando a Donna e eu terminamos, eu não tinha ninguém para pedir um colo e chorar. A verdade é que você até faz amizades, aliás fiz muitas! Mas é dificil se abrir quando você tem um muro enorme a sua volta construído durante anos por conviver com pessoas que não te aceitam como você é e que querem mais é te julgar sempre. Você acaba achando que todos são assim!

Quando eu cheguei lá fora, sabia que ia ser difícil e que não teria tanta gente do meu lado, aqui no Brasil eu já não tinha mesmo…me fechei ainda mais e coloquei na minha cabeça que ia descobrir quem eu era, e isso seria feito sozinha! Para começar eu precisava entender um pouco mais o que era ser gay para mim! Eu achava que para ser gay devia parecer gay, mas como era “parecer ser gay”? Comecei a andar feito um menininho, ou ao menos me esforçar para isso! Não fazia muito meu estilo cabelo curto, nem blusa larga, então adotei um meio termo: calça jeans, tenis, camisetinha e só! Da cintura pra cima tudo era mais justo, da cintura pra baixo, mais soltinho!

A roupa era só um detalhe, mas eu achava que era importante essa adequação toda, achava que devia tentar me encaixar nos “padrões”. Mas peraí! Que padrões eram esses? Demorou, mas percebi que a maneira que eu me vestia não ditava a minha sexualidade e acabei relaxando mais, passei a usar shortinhos, salto alto e rateirinhas, mas admito que o all star ainda era meu preferido para o dia a dia.

Quando eu finalmente assumi para mim mesma que era gay, lá no Brasil ainda, fiquei me perguntando como era que fazia para as outras pessoas saberem que eu era gay. E sim, eu queria que todo mundo soubesse, era uma questão de mostrar ao mundo quem eu realmente era! Eu achava que dessa maneira ia ser mais eu, sabe? Ia achar meu lugar no mundo! No Brasil isso gerava brigas homéricas com a minha mãe que achava o fim do mundo eu sair de casa de calça jeans e tênis sem maquiagem! Tadinha, ainda bem que ela não me viu como eu saía lá na faculdade!!

Quando eu estava na Califórnia, nossa, ai que eu me soltei mesmo! Andava com pulseira de arco-íris, colar da bandeira gay, camiseta com dizeres engraçados e tudo mais que você possa imaginar! Tinha até uma bandeira do orgulho gay pendurada no meu quarto que toda vez que minha mãe ia lá (o que aconteceu umas 3 vezes só) eu tinha que esconder embaixo da cama senão ia dar problema! Eu até cheguei a ir uma época naquele centro que o Dom, irmão da Donna, trabalhava! Lá tinha uma área que recebia alguns jovens gays que eram rejeitados pela família, eu conversava com eles, falava do que tinha acontecido comigo e lembrava a eles que o mundo podia ser muito melhor do que parecia! Era muito gratificante o abraço deles!

E foi assim, passando o tempo que eu percebi que eu era muito além de uma menina gay. Eu acho que ser gay e se assumir assim é importante sim! Principalmente se assumir pra si mesma! Mas também entendo as meninas pelo mundo que precisam esconder dos pais e amigos por causa do preconceito! As vezes a dor de ser pré julgada é muito maior do que a dor de retardar um pouco mais a tal “saída do armário”. Se você sabe que o ambiente em que vive não é propício para se assumir, não o faça! Espere até você ter uma maior segurança para fazer isso! E eu aprendi isso na pele. Se pudesse teria esperado mais um pouco para me assumir para meus pais. Mas lá longe, percebi que eu sou muito mais do que isso!

Percebi, por exemplo, que amo ler, amo ajudar os outros, amo historia e amo dar aulas! E aprendi que as pessoas podem me amar por tantas outras características minhas, e que dentre elas, estará o fato deu ser gay. Mas é só mais uma. Ser gay, é normal! Aceitem isso!

Desiree

Sapatão convicta. Nunca recuso uma cerveja gelada e batata frita. Amo samba, pagode, funk, etc. Me chama pro barzinho, pra baladinha, pra show... pode escolher, eu topo! Geminiana com ascendente em câncer.

Este post tem 4 comentários

  1. Camila

    Gente….vicianteeeeee amando é poucoooo…que historia linda e louca

    1. Grupo HPM

      rsrsrs!! Que bom que você está gostando Camila! Seja bem vinda e esperamos que continue gostando! 🙂

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