20 e poucos anos – Cap 9

20 e poucos anos – Cap 9

– Não se preocupe. Só quero provar o vestido que ganhei e preciso de ajuda.

Da última vez que você esteve aqui, disse para Mamãe que era eunuco para que ela não viesse com ladainhas, então não há problema.

– Essa é nova… – Falou Sam, mas imediatamente seus pensamentos cessaram, pois Carina começou a despir-se.
– E de certa forma é verdade. – acrescentou esta – Afinal, você é como um garoto, mas não tem o que eles costumam ter aí embaixo. Ou tem?

E chegando perto de Sam, encostou seu corpo no dela e apalpou-a nas partes íntimas por cima da calça. Então, respondeu no ouvido dela:

– Não tem.

Samanta sentiu que derretia entre as pernas. Sua respiração acelerou e ela não disfarçou. A mão de Carina deslizou para sua coxa e então rapidamente entrou em seu bolso e tirou de lá o papel que Sam recebera da vizinha há poucos minutos atrás.

– O que é isso? – perguntou Carina já tendo uma ideia do que se tratava.
– Não tive tempo de ver.

Carina abriu o papel e disse:

– Quer dizer então que você tem uma namorada, Samanta?
– “Namorada”? Ela não é nada disso. Nós apenas conversamos quando ela trás comida para mim. – disse corando.
– Bom, acho que ela não pensa assim.

Carina mostrou o papel para Samanta que corou ainda mais ao ver nele um coração e dentro dele as iniciais dela e da garota.

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– Se ela soubesse a verdade…- jogou o papel sobre a cama.
– O que aconteceria se ela soubesse a verdade? – perguntou Sam em um tom de voz mais irritado.
– É óbvio Sam. Ela teria raiva e nojo de você. Porque eu teria se fosse ela.
– Da mesma forma que você teve ontem na dispensa? – perguntou Samanta surpresa com sua própria audácia.

Carina sorriu como se já esperasse por essa indagação e disse:

– Ontem foi apenas por prazer, Sam. Essa era uma prática comum na Roma antiga e até hoje há damas que o fazem. Sem que os homens saibam claro.

Carina falou como se já soubesse destas informações há tempos, mas a verdade é que ela estava tão confusa quanto Samanta após o momento na dispensa e foi no chá do livro daquela tarde que obtivera aquelas informações, o que a deixou mais tranquila, pois estava começando a pensar que havia enlouquecido ou algo assim.

– Essas damas pomposas costumam fazer esse tipo de coisas com mulheres antes do casamento para treinarem para os maridos. Algumas fazem até depois, mas isso já rompe alguns limites. – falou e pegou o vestido.
– É normal fazer! Apaixonar-se é que não é.

– Suas olhadas para mim logo mostraram que você era o tipo de mulher que faz essas coisas e como você parece um rapaz, pensei em tentar. Nada demais.
– Ande! Venha me ajudar! – falou enquanto desembrulhava o vestido de dentro da caixa.

As palavras eram mentira, mas Sam acreditou. E seu coração doeu, mesmo sem ela saber exatamente o porquê.

sig_Gabi

G.G.

Escritora nas horas vagas. Tudo o mais é um mistério. Uma frase que define: "Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto." (Teatro dos Vampiros - Legião Urbana)

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