20 e poucos anos – Cap 29

20 e poucos anos – Cap 29

Carina andava pela rua com dona Antonella em direção à igreja. Era domingo e as duas costumavam assistir à missa matinal juntas. Seu Lorenzo não era muito religioso, nem sociável, por isso não se importava em ficar sozinho no bar aguardando clientes.

Dona Antonella falava sobre tudo que via no caminho, coisas boas e ruins, mas Carina não lhe dava atenção, pois apenas lembrava-se dos momentos que tivera na noite anterior e logo pela manhã, e da vontade que tivera de permanecer deitada com Samanta, porém, infelizmente, era domingo e sua mãe fora bater cedo na porta de seu quarto para irem arrumar-se.

A sorte de Carina e de Sam era o piso de madeira ranger tanto ao peso de dona Antonella, o que serviu de aviso para as duas e assim, Samanta pode se esconder embaixo da cama a tempo e Carina pôde enrolar-se nos cobertores.

Ela sorriu, mas em sua mente sabia que as coisas não eram assim tão simples. Mal começou a pensar a respeito, ouviu:
– Bonjour, madame Antonella! Bonjour, Carrina querrida!
– Bom dia, Senhora Sophie! – respondeu dona Antonella cheia de si, pois adorava quando pessoas da alta sociedade falavam com ela em público, o que acontecia por Carina frequentar esse meio.
– Bom dia, Sophie! – respondeu Carina menos empolgada que sua mãe. E menos formal, pois Sophie era sua amiga.
– Como estão os preparrativos parra o casamento? – perguntou Sophie agora acompanhando as duas.
– Estão indo bem, querida. – respondeu dona Antonella – Já organizamos grande parte do buffet, agora faltam os outros detalhes.
– Detalhes, Madame Antonella? O vestido e o local do casamento não são detalhes, jamais!
– Detalhes não podem ser a bebida e a comida, meu bem. Os convidados precisam se sentir à vontade. – respondeu dona Antonella com uma delicadeza que não lhe era comum.
– Italianos! Há, há, há – falou Sophie com um leve tom de desdém e virou-se para rir com Carina, mas esquecera-se que esta também era italiana. Percebendo que não teria com quem rir suas piadas xenofóbicas, ela apressou-se a sair. Mas antes disse:
– Sinto muito por não ter participado da primeira festa de noivado, Carrina, mas garranto que nesta segunda festa estarrei. Até lá! – e apertou o passo para alcançar uma senhorita que ia a frente delas.

Aquela conversa fez Carina pensar no que não queria: seu casamento.

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Como levaria para frente aquela situação? Seu casamento estava marcado, os preparativos estavam em andamento. O que afinal ela tinha na cabeça? Não sabia a resposta para aquela pergunta e pela primeira vez em anos, ela fez uma oração. Um pedido para que uma solução aparecesse para o seu problema. E a solução veio, naquela manhã, nas palavras do padre:
– “Caríssimos, entendamos que o amor não faz sofrer. O amor é terno, é caridoso, ele não gera raiva, não gera descontentamento, nem tristeza. Não confundamos amor com paixão. A paixão é passageira e faz você cometer loucuras. O amor é sincero; é manso. Portanto, para diferenciar um do outro basta você pesar, se o sentimento que você estiver vivendo exigir que você se esconda; que você mantenha segredo, logo não é amor, porque o amor é verdadeiro, ele não precisa ser escondido. Apenas a paixão, com sua luxúria, é digna de vergonha.”

E foi assim que, aos 24 anos, Carina tomou a mais difícil decisão de sua vida. Sem saber, que o que ela sentia era medo – acompanhante das novidades – e não vergonha – de si mesma – e sem saber que às vezes o amor e a paixão vem juntos e que a loucura – acompanhante dos amores – e a luxúria – acompanhante do desejo egocêntrico – são iguais apenas na primeira e na última letra.

 

Ai, gente! Será que Carina vai dispensar Sam de vez? Será que depois deste sermão do padre as coisas vão mudar?

sig_Gabi

G.G.

Escritora nas horas vagas. Tudo o mais é um mistério. Uma frase que define: "Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto." (Teatro dos Vampiros - Legião Urbana)

Este post tem um comentário

  1. Graciela Rodrguez

    Ai Jesus q meddo, Carinaa Carinaaa pensa bem

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