20 e poucos anos – Cap 1

20 e poucos anos – Cap 1

Quando o restaurante La Bella Donna realizava eventos, todos tinham que ajudar, inclusive Carina, pois festas traziam muito lucro e não dava para dispensar mão de obra.

– Sam! Sam! Acorde! Hoje é o aniversário de casamento dos Stuart, vamos começar mais cedo. – disse Carina balançando Samanta, a órfã que Lorenzo permitia dormir nos fundos do restaurante fazia três anos.

Logo no início, Carina não entedia porque seu pai dava tanta atenção àquele moleque. Ela chegava a ter um pouco de ciúmes, pois era filha única e não estava acostumada a compartilhar a atenção. Ela tratava Sam com certo desprezo, apesar de ele ser gentil com ela, até que um dia Lorenzo disse para a filha que o moleque Sam, na verdade era a garota Samanta e desde esse dia o tratamento mudou…um pouco.

Dois anos se passaram desde o ocorrido e agora Sam, com 16 anos, tinha um corpo mais feminino, no entanto, seus braços delineados ajudavam-na a esconder sua identidade, além das roupas folgadas indispensáveis, pois qualquer roupa justa ao corpo a entregaria.

Às vezes, quando estava de bom humor, Carina a vestia com um de seus vestidos apenas “para ver como ficava”. Sam não gostava muito daqueles trajes, mas o fazia para estar perto de Carina. Adorava sua companhia mesmo quando ela estava irritada.

Sam levantou um pouco desnorteada e se deparou com Carina agachada a seu lado. Esta usava um vestido florido decotado que Antonella, sua mãe, a proibira de usar em público por ser “desrespeitoso” e por isso Carina só o usava para trabalhar ou quando estava à toa. Nas duas situações, geralmente Sam estava por perto, por isso sempre evitava olhar para a região do busto, pois, mais de uma vez, recebera dois belos puxões de orelha de Carina por olhar para lá, mas depois esta dizia:

-Às vezes esqueço que você é uma garota, mas isso não quer dizer que pode ficar olhando. Então não vou pedir desculpas.

Porém, naquele momento, Samanta fora pega de surpresa e acabou não tendo tempo de se policiar, quando percebeu já estava observando a parte dos seios que saltavam para fora do vestido o que a fez lembrar-se do sonho quente que a pouco tivera com ninguém menos que a própria Carina naquela mesma vestimenta. Seu coração acelerou, ela engoliu em seco e ficou ofegante sem parar de olhar o decote.

Tudo em rápidos segundos e então despertou. Imediatamente seus olhos voltaram-se para o rosto de Carina para pedir-lhe desculpas e então esperar sua punição, no entanto, aconteceu diferente. Carina estava vermelha, coisa difícil de acontecer apesar de sua pele branca, pois ela não se intimidava facilmente. Na verdade era bem o contrário. Era ela quem fazia isso com os outros.

sig_Gabi

G.G.

Escritora nas horas vagas. Tudo o mais é um mistério. Uma frase que define: "Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto." (Teatro dos Vampiros - Legião Urbana)

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