Search for content, post, videos

Where is the love?

Havia um mundo inteiro a nossa volta, cheio de maravilhas e mistérios inexplorados. O sol brilhava, o céu era azul. De noite, a lua e as estrelas vinham enfeitar nosso descanso. Existia um equilíbrio e o amor passeava sobre a terra livremente, correndo entre as árvores, brincando conosco, vivendo entre nós, como se fosse um de nós. Mas algo deu muito errado nesse percurso diário chamado existência.

Os humanos, os tais estrangeiros, que ganharam passagem grátis para conhecer o paraíso da terra, repentinamente viram grandeza onde simplesmente não existia. Não sabemos como aconteceu, mas sabemos que um belo dia o caos se instalou, abrimos os olhos e tudo estava desabando sobre nós.

Ao achar que esse mundo os pertencia, ao dar ouvidos as víboras que existem em seus corações, os humanos começaram a traçar um caminho de sangue, onde não haveria luz no fim do túnel, somente dor e sofrimento. Demarcando a felicidade com rótulos de luxo, dinheiros exorbitantes, poder, foram perdendo aos poucos, sua pele, sangue, sua humanidade. Os anjos se tornaram monstros.

Ao perderem a simplicidade, a alegria de somente viver e curtir a vida, ao se acharem mais fortes que esse universo que ergue planetas sobre nossas cabeças, que reúne tempestades para nos dar sobrevivência, foram esquecendo sua verdadeira condição, assumindo a máscara de potências, assinando suas mortes com os dedos sujos de seu próprio sangue.

Pobre desses homens!

Essa noite, quando abri os olhos, vi que o mundo estava desabando sobre nossos crânios. Ouvi gritos, choros e pedidos de socorro. O ar fedia a pólvora, tudo se resumia a uma fumaça densa e tóxica, que me fazia verter em tossidos desesperados; eu queria respirar, mas não conseguia. Em lágrimas grossas perdi um filho, que encontrei soterrado nos escombros de seus sonhos; outros pais estão chorando, as famílias estão devastadas. E isso tudo aconteceu sem que eu precisasse sair do quarto, da cama, da frente do computador.

Isso se chama humanidade.

É você se pôr no lugar do outro, sentir a dor do outro, amargar pelo outro. Isso é calar a boca quando o ódio quiser falar, é silenciar quando as palavras forem ásperas, é pensar na dor do outro e dar a outra face, quando a vontade for de revirar. E para ser sincera, acredito que existam poucos humanos rodeando essa terra abandonada pelo amor, que envergonhado, se escondeu de nós. Clamamos aos céus ajuda divina, mas Deus tem vergonha de nós e do que nos tornamos.

Havia um mundo inteiro a nossa volta, cheio de maravilhas. O sol brilhava, o céu era azul. De noite, a lua e as estrelas vinham enfeitar nosso descanso. Existia um equilíbrio e o amor passeava sobre a terra livremente, correndo entre as árvores, brincando conosco, vivendo entre nós, mas a humanidade aconteceu. E a humanidade perdeu sua própria essência.

De repente, não havia mais humanidade nos humanos.

Lá de cima, Deus chora o que suas criaturas se transformaram; seu choro é de dor, mas também de esperança. A esperança de que um dia aceitemos carregar com alegria o fardo de nossa condição de miséria; que enxerguemos ser feitos de carne e sangue, e que por isso, diante desse mundo magnífico, não temos grandeza alguma; somos nada e para o nada voltaremos; não passamos de criaturas sortudas e viajantes; que somos só visitantes. Deus espera que um dia, nossa tão grande inteligência caia por terra em derrota, exibindo nosso rosto humano, e que assim, entendamos que somos apenas um grãozinho de areia, que logo será soprado para bem longe desse mundo.

Um dia, todas as nações serão felizes sem contendas. Não haverá preto, branco ou mestiço; gordo ou magro; gay ou hétero. Um dia, depois de tanta guerra, as armas cairão por terra, a ganância morrerá sufocada e a humanidade voltará a habitar nesses humanos; o sangue tornará a correr nas veias, o coração voltará a pulsar. Um dia, em meio ao caos de nossas próprias tragédias, o sol irá surgir entre as montanhas, a vida soprará seu canto sobre nós, e então, as lágrimas virão para lavar os olhos, livrando-nos da cegueira dessa evolução arrogante, que nos fez tão cruéis e prepotentes. Sem a escuridão nas vistas, enxergaremos nossa insignificância, aceitaremos nossa pequenez e no choro desse novo big-bang, abraços de perdão serão distribuídos a todos.

O amor e a paz reinarão entre nós outra vez.

#Paz!

Brenda Neves