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What are you waiting for – Cap 18

O ônibus saía às 7 horas. Meu relógio tinha quebrado, de modo que tive que torcer para não o perder, olhei as horas no relógio de uma lanchonete. Faltavam oito minutos. Andei apressadamente até chegar ao ponto que era na esquina. Um grupo de senhoras estava reunido, parecia que era uma reunião de croché ou algo do tipo, não eram mais do que 5 e entre elas estavam a Senhora Staden com seus cabelos brancos e seu cachecol marrom, sua pele era tão pálida, mas ela era tão cheia de vida. Não tinha parado para pergunta sua idade ainda, mas ela poderia estar na faixa dos 85 anos e eu ainda lhe daria no máximo 75 por ai. Enquanto esperava, senti alguém tocar meu braço:
— Bom dia, Jovem Morgana. Quase perde o ônibus.
— Bom dia, Senhora Staden. Acabei me atrasando, mas que bom que não o perdi. A senhora vai pra algum tipo de reunião com essas outras senhoras? — Perguntei, sendo um pouco entrometida de certo modo.
— Ah, não minha querida. — Ela fez uma breve pausa — Eu vou visitar minha filha no hospital.
— Entendo — Me sentia um pouco mal por ter perguntado — Vi vocês reunidas, achei que fosse algo assim. — Abaixo os olhos.
— Até tentei entrar no clube de croché delas, mas sinceramente é um porre. — Riu. — Quando tiver minha idade, não seja uma senhora como elas.
— Eu com certeza não irei fazer croché — Sem notar estavamos rindo as custas das senhoras ao lado.

Meu ônibus chegou primeiro do que o da Senhora Staden. Me despedi dela e entrei no ônibus, procurando uma cadeira vazia. Avistei um assento vazio quase no final do ônibus, a moça que estava sentada fez um gesto de consentimento com a cabeça quando eu me ofereci para sentar ao seu lado.

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Era muito jovem. Tinha um rosto comum, largo. Não era feia, ainda que me parecesse um pouco vulgar. Usava um penteado que era bonito, seus cabelos eram loiros, mas o que me chamou atenção não foi isso e sim o modo como ela estava, imóvel e encolhida, com os olhos abertos e parecia ter virado a noite acordada. Evitei ficar encarando-a e prestei atenção no percurso.

Alguns minutos depois estava na universidade. Ainda estava me acostumando com o lugar e as pessoas, e todo aquele ego enorme que pairava no ar. Grupos de amigos reunidos jogando conversa fora e rindo, aquilo me fez querer voltar imediatamente para minha antiga escola, onde poderia rir daquela forma com meus amigos e não sentiria tão exausta todos os dias. Eu tinha o mesmo sorriso forçado todas as manhãs, não que eu estivesse reclamando, lá o ensino era ótimo e eu me dava bem em todas as matérias. Algumas pessoas da sala tentavam se enturmar, mas o problema não era eles e sim eu, eu que não me encaixava ali naquele lugar.

Já estando em casa após um dia corrido, me joguei sobre a cama e tentei dormir, em vão. Por sorte minha mãe tinha colocado dinheiro extra na conta, o que me fez comprar imediatamente um novo celular. Não lembrava mais quanto tempo tinha estado sem celular, parecia que tinha sido tempo demais. Não tinha procurado por Sophia, tinha evitado tocar no assunto “Sophia” nas conversas que tinha com Miguel. Mesmo que as vezes eu tivesse uma extrema vontade de procurar ela no meu novo facebook, de adicionar ela em qualquer outra rede social.

Notei que minha meia calça estava desfiada, quase soltei um xingamento. Mas na verdade a meia calça não me importava… Aquele não parecia ser um bom dia para mim. Era fim de tarde e o quarto estava escuro, estava tocando Skid Row e eu estava na cama, pensando sobre mil coisas. Aquela música pouco ajudava, na verdade ela apenas me trazia lembranças…

“Perdoe-me, por favor. pois não sei o que faço
Como posso guardar a mágoa que, eu sei, é verdadeira.
Me diga quando o beijo do amor vira mentira
Que traz a cicatriz do pecado bem lá no fundo
Pra esconder o medo de correr até você
Por favor, deixe que haja luz
Num quarto escuro”

Sem pensar duas vezes peguei o celular e digitei o seu nome nos amigos do Miguel e logo à encontrei. Visualizei seu perfil, tinha postagens recentes e isso me fez pensar que talvez ela estivesse ali naquele exato momento. Me peguei olhando suas postagens, meu coração disparou quando vi uma foto sua abraçada com uma garota e uma legenda cheia de corações. Demorei uns minutos para raciocinar que aquela menina era a mesma que estudava com ela, Lua, esse era o nome dela. Elas estavam sorrindo, pareciam realmente estarem contentes. Notei que o cabelo de Sophia estava alisado, sem os ondulados que eu tanto gostava, ela nunca gostou de usar o cabelo assim, totalmente liso. Ela parecia a mesma, talvez só eu tivesse mudado fisicamente e mentalmente. Nunca fui do tipo de sentir ciúmes de alguém e sinceramente eu não sei se estava sentindo ciúmes. Porém me senti inquieta, principalmente com os comentários de ambas. Recordei que Lua sempre gostou de Sophia e que sempre me olhou estranho, mas elas estariam juntas? Ela teria dado uma chance a si com outra pessoa?

Estava me fazendo perguntas sem sentido e tentando achar respostas mais sem sentido ainda. Era inevitável negar, tentar reprimir. “Mas que droga!” Bufei. Não tinha superado-a, não tinha sequer esquecido um pouco e eu achando que estava indo bem nesses meses pois não pensava mais nela e nem se quer tinha interesse em ir atrás, até hoje pelo menos.

Fechei a aba do seu perfil e joguei o celular para o lado da cama. Meu coração estava apertado e eu me perguntei se aquilo seriam as lágrimas que eu tinha guardado nesses últimos meses. Não queria chorar, eu nem sabia por que deveria chorar e não iria, então respirei fundo e peguei novamente o celular. Abri novamente o perfil de Sophia, fui em sua caixa de mensagem e tentei escrever algo, mas minha mente estava vazia, eu não sabia o que dizer. Pensei em um “oi, quanto tempo” ou apenas um “Sophia?” mas eu não sabia o que dizer, eu não tinha procurado ela nenhuma vez, nem mesmo tinha perguntando a Miguel sobre ela. Realmente queria deixar o passado no passado, por mais que a amasse e pelo bons conselhos da Senhorita Staden sobre o amor. Eu só queria uma pausa para mim e meu coração se estabilizarem, mas ao notar que poderia realmente perdê-la, aquilo fez meu coração querer correr ao seu encontro.

Minha mente me confundia, juntamente com meu coração e eu não sabia qual ouvir: “Escreva algo, diga algo, mande pelo menos um olá. Mostre que você ainda pensa nela.” “Não diga nada, feche e saia. Você não precisa recuar, não vai querer se magoar novamente.”

Autora_ A. Syaoran

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