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Você nunca estará sozinha – Cap 17

Apesar de entrar na brincadeira de Clara, Vanessa topou realmente acompanha-la no encontro com Fábio. E isso não estava nada tranquilo em sua cabeça. Ora, se o relacionamento de Clara é realmente aberto, provavelmente Fábio já estava sabendo que elas estavam ficando e que Clara passou a noite com ela. E a sua cara de pau seria ainda maior em aparecer na frente do cara com o filho e mulher dele. “Ele vai pensar que eu roubei a família dele, vai dar merda e, pra variar, quem vai se foder sou eu. Segue normal”, pensou Vanessa.

Já passava das duas da tarde, Clara e Vanessa se curtiram um pouco e conversaram muito durante a manhã. Almoçaram juntas, se conheceram, falaram sobre a vida e seus planos; o certo é que uma estava muito encantada com a outra.

– O que você acha da gente ir pegar o Pedro e dar uma volta nós três? – Sugeriu Clara, sem aparente motivo.

– Mas a gente não vai encontrar com o seu marido, Clara?

– Vamos, mas é mais tarde, não são nem três horas ainda… Você não vai fazer nada, a gente não pode fazer muita coisa aqui, então… Vamos ficar com o Pedrinho! To com saudade dele e quero ficar com você!

– Que grude!

– Tá achando ruim?

– Eu não!

Vanessa estava achando tudo muito bom, mas não explicitava isso do mesmo jeito que Clara. Sempre foi firme, durona e demonstrar sentimento nunca foi seu forte, a não ser pelos animais. Não bastando, ela insista em afirmar para si mesma que aquilo tudo era passageiro, uma aventura. Desse jeito estava funcionando bem.

Tomaram banho e saíram em direção à casa da mãe de Clara. A loira sequer se despediu de Dona Rafaela, que estava dormindo. No caminho, conversaram:

– Sua mãe é meio doidinha, né, Van?

– Nossa, mano, ela é da pá virada! Mas é um amor, é porque vocês não conversaram…

– Quer trocar com a minha?

– Por quê?

– A gente não se bica muito desde a minha infância! Sempre discordamos de tudo, mal tem uma semana que eu to aqui e a gente já brigou… Você conheceu meu filho antes dela, inclusive!

– Como assim, mano?

– Tinha uns cinco anos que eu não voltava pra cá, o Pedro nasceu lá em Vegas mesmo e ela só conhecia por foto, vídeos, essas coisas. Ela odeia meu marido, sempre odiou todos os meus amigos… Mas eu não a culpo, eu dei muito trabalho, saí de casa mó cedo…

– Entendi… Já eu e minha mãe nos damos muito bem! Passamos por muitas coisas juntas e ela é a minha rainha!

Quanto mais conhecia Vanessa, mais Clara se maravilhava. Apesar das tantas coisas em comum, elas eram muito diferentes, e isso gerava curiosidade nas duas.

Chegaram à casa de Dona Rosa e Clara convidou Vanessa para entrar, enquanto ela iria trocar de roupa – visto que voltou para casa com o mesmo vestido que saiu para a festa do dia anterior – , e pegaria Pedro.

– Você não vai descer comigo, Van?

– Não vou não, faz suas coisas e eu te espero aqui.

– Ah, vamos entrar, meu! Meu irmão tá em casa, você aproveita e conhece minha mãe! Rapidinho eu me troco e a gente sai…

– Outro dia eu faço isso, combinado? Vou aproveitar pra ligar na clínica, saber como estão uns cachorrinhos que deixei lá…

– Faz isso, então! Eu vou lá dentro rapidinho e já volto com o Pedro.

Com jeitinho, Clara ainda conseguiu roubar um selinho de Vanessa ali, na porta de casa. Vanessa riu da artimanha.

Clara entrou em casa sorridente, deu de cara com seu irmão brincando com Pedro na sala.

– Eita! Que sorrisão! Noite foi boa, ein, Clarinha?

– Depois te conto o quanto, mano! Dormi na Vanessa e ela tá ai fora me esperando! – Contou Clara, entusiasmada.

– Já casaram, então?

– Tá quase, viu? – Os dois deram risadas.

– Olha quem tava aqui morrendo de saudade… – Júnior levou Pedro para Clara.

– Meu bebê, coisa mais linda do mundo! Vamos colocar uma roupinha pra passear?

– Aonde vocês vão?

– Dar uma volta e depois eu vou lá no flat conversar com o Fábio, ele quer ver o Pedro antes de voltar pra Vegas.

– E a Vanessa vai junto? – Perguntou Júnior, descrente.

– Vai, não me xingue!

– Eu nem vou falar nada, só quero saber de tudo depois! Isso vai dar assunto!

– Pode deixar que eu falo! Cadê a mãe?

– Tá no banho! Olha só o que ela comprou pra passear com o Pedrinho, tá mó babona com o moleque, mano! – Júnior mostrou uma cadeirinha de carro para criança.

– Ai que gracinha! Já vou inaugurar! Vai lá no carro da Van e coloca esse negócio, Jú! Só assim eu não preciso ir atrás com o Pedrinho. – Sugeriu Clara.

– Será que a mãe não vai achar ruim?

– Eu me resolvo com ela depois! Vou lá dentro me trocar e por outra roupinha no Pedro, avisa pra Van que eu já chego lá!

Clara seguiu para o seu quarto com Pedro no colo. Tratou de entreter o filho com alguns brinquedinhos enquanto se trocava.

Já do lado de fora de casa, Júnior abriu a porta do carro de Vanessa para cumprimenta-la e tentar colocar a cadeirinha de Pedro lá:

– Olha só, trouxe a cadeirinha do seu filho e tal.

– Filho?

– To zoando! A Clara pediu pra colocar isso no seu carro, vocês vão sair com o Pedrinho, não é? Fica mais cômodo!

– Nossa, mano! Que legal! Deixa eu descer pra gente colocar ali no banco de trás.

– Você tá curtindo mesmo esse lance? – Perguntou Júnior.

– Que lance? A cadeirinha?

– Não, cara! Com a louca da minha irmã!

– Ah, a gente tá se curtindo, se conhecendo…

– Vocês tem muita coisa em comum, né? Deu pra sentir no sorriso que ela entrou em casa! – Júnior entregou a alegria de Clara.

– Jura que ela entrou sorrindo?

– Nossa! Sorrisão de canto a canto!

– Ela é muito gente boa! – Vanessa tentou disfarçar, mas abriu um grande sorriso após a informação de Júnior.

– É mesmo, vem cá, me ajuda a colocar isso aqui, acho que é assim. – Falou Júnior, tentando prender a cadeirinha no banco.

Vanessa e Júnior conseguiram colocar a cadeirinha bem quando Clara surgiu com Pedro.

– Dá tchau pro titio, neném! Fala pra ele que vamos passear com a tia Van! – Brincou Clara, colocando filho dentro do carro.

– Prendeu ele direitinho, Clara? – Perguntou Vanessa, preocupada.

– Acho que sim…

– Deixa eu conferir. – Vanessa certificou-se que Pedro estava seguro na cadeirinha.

– Vocês fazem um casal bonito, hein? – Falou Júnior, enquanto observava Vanessa e sua irmã.

– Né? – Clara puxou Vanessa para o seu lado, juntando os rostos.

– Isso é complô, gente! Não somos um casal. – Brincou Vanessa, tímida.

– Claro que somos, Van! – Insistiu Clara, também em tom de brincadeira.

– Me deixa falar sério um negócio pra vocês: eu sei que vocês estão se conhecendo agora e eu tenho certeza que a Clara foi bem transparente com você, Vanessa. Ela não vai te fazer de idiota hora nenhuma, isso eu ponho a mão no fogo. Talvez eu esteja até falando bobagem, mas não acho que to me enganando… Eu torço pra que vocês se curtam e que durante esse tempo sejam felizes… Clarinha é o melhor exemplo de quem escolhe ser feliz o tempo inteiro. – Aconselhou Júnior.

– É como dizem: entre ser feliz e ter razão, eu escolho ser feliz! – Clara completou o raciocínio de Júnior.

Vanessa escutou tudo, ficou meio tímida, mas prestou muita atenção nas palavras de Júnior.

– Mas a Van só tá me usando, Jú! Nem adianta falar isso pra ela não. – Brincou Clara.

– Olha, mano! Você pare com isso! – Retrucou Vanessa.

– Vão lá passear, cuidado com meu lindão ali atrás, e juízo vocês duas!

Júnior se despediu das meninas, que entraram no carro e decidiram parar numa praça um pouco mais a frente. O lugar pareceu ótimo para Pedro brincar sob a supervisão das duas.

A hora passou voando. Os três se divertiram bastante na praça, dividiram uma pipoca e Pedro se sujou inteiro com um sorvete, para encantamento das duas. O celular de Clara tocou e só ai ela viu que já passava do horário combinado com Fábio.

– Você desistiu? – Perguntou Fábio, sério.

– Nossa, eu nem vi a hora passar, tava brincando com Pedro numa pracinha… Já estamos indo ai! Espera a gente lá embaixo, perto do playground, pode ser?

– Pode, vou descer.

– Tá bom, chegamos nuns dez minutos, beijo.

Vanessa ouviu Clara conversar com Fábio e, ainda durante a chamada, ela pegou Pedro no colo e já seguiu caminhando para o carro. Clara foi atrás.

– Você quer mesmo que eu fique lá com vocês? Eu posso dar um tempo e ir buscar vocês dois depois, Clara.

– Eu quero sim, Van! Por favor!

– Tá, vamos lá. Me fala onde é o lugar.

Seguiram para o flat quase o tempo todo em silêncio. Fizeram um ou outro comentário sobre o cansaço de Pedro, que estava quase dormindo no banco de trás. Chegaram antes mesmo dos dez minutos estimados por Clara. Ela tirou Pedro do carro e seguiu com Vanessa pelo hall do prédio.

Clara avistou Fábio através do vidro que dividia o hall e a parte externa, onde fica o playground e uma pequena praça. Ele também viu sua mulher, levantou-se e seguiu caminhando em direção à porta. Antes mesmo de chegar ao outro lado, Vanessa se deu conta que havia esquecido seu celular no carro.

– Clara, vou voltar no carro, esqueci meu celular.

– Tá bom, Van! Aproveita e pega a mochilinha do Pedro, por favor? Ele deve tá com sede.

– Pego, já volto.

Vanessa deu as costas e voltou para o carro. Quase no mesmo segundo, Fábio abriu a porta e cumprimentou Clara com um tímido selinho, pegando Pedro no colo na sequência.

– Não basta ficar com a mina, você ainda traz ela aqui? Aliás, aquela lá é a responsável por essa merda no nosso casamento? – Fábio foi direto.

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