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Você nunca estará sozinha – Cap 16

Clara realmente ficou com uma bela cara emburrada e hora nenhuma convenceu Vanessa, que desceu para a cozinha enquanto a loira foi curar sua revolta se entretendo com o seu celular. Para a sua surpresa, haviam duas dezenas de ligações não atendidas durante a noite, todas de seu marido Fábio.

Preocupou-se. Resolveu ligar para ele, Pedro era a única coisa que estava em sua cabeça, mesmo sabendo que o filho estava com Dona Rose.

– Oi, princesa… Porque não atendeu nenhuma das minhas ligações?

– Eu tava numa festa, sequer ouvi. O que aconteceu, Fábio?

– Decidi que voltarei pra Vegas, queria te falar. To indo amanhã, a gente pode se encontrar hoje?

– Não to na casa da minha mãe e não sei que horas volto pra lá. – Enquanto Clara falava, Vanessa voltou para seu quarto comendo uma maçã, deitando na sua cama, ao lado de Clara.

– Onde você tá?

– To na casa da Vanessa…

– Vanessa é a mina que você ficou outro dia? Você dormiu aí? Cadê o Pedro?

– É ela sim… Pedro tá com a minha mãe e meu irmão.

– Faltou responder uma das perguntas, Clara.

– Dormi sim.

– Então você me deixa sozinho no flat, leva meu filho, larga com sua mãe, que me odeia… Vai pra festa e dorme na casa da mina que você pegou? Aliás, tá pegando, aposto. – Reclamou Fábio, num tom alterado.

– É exatamente isso que você falou, mas sem drama, vai! Acabei de acordar e não to querendo discutir.

– Olha o jeito que você tá tratando nosso casamento!

– Nunca tivemos problema com isso e calma lá, não me culpe pelo que você fez, não tente reverter nada em seu favor.

– Chega, vai! Eu só quero ver o meu filho antes de viajar… Passa aqui no flat quando puder.

– Eu te ligo quando tiver indo.

Desligaram sem sequer se despedir. Vanessa sentiu o ar preocupado no semblante de Clara, que nem tentou disfarçar. Naquele momento, um caminhão de dúvidas pairou sob a cabeça de Vanessa. Sentiu-se pequena e errada, como se estivesse apostando suas fichas numa relação que não a pertencia. Ora, por mais aberta que seja a relação de Clara, ela continua sendo casa; ela tem um filho com o seu homem; se estão juntos há sabe-se lá quantos anos, é porque há sentimento. Ela não tinha o direito de se intrometer entre os dois. Vanessa estava incomodada, mas não teve coragem de conversar com Clara.

Clara notou o desânimo no rosto de Vanessa, mesmo com medo, optou por quebrar o silêncio e torcer pelo melhor:

– Cadê a minha maçã?

– Você não falou que queria!

– Eu não tive chance de falar, fui atacada! – Clara tentou brincar.

– Era só pedir pra parar, se você quisesse. – Vanessa respondeu séria, sem demonstrar interesse na tentativa de Clara.

– Tá maluca? É óbvio que eu não queria parar, muito pelo contrário!

– Sei… – Vanessa sequer olhava para Clara.

– O que tá acontecendo, Van?

– Não tá acontecendo nada, Clara.

– Claro que tá, você nem olha pra mim! Há dez minutos a gente tava dando maior beijo aqui na cama e agora tá essa merda…

– É, eu não devia me importar…

– Do que você tá falando?

– Você não é idiota, Clara!

– É sobre o Fábio? Você tá com ciúme?

– Ciúme, Clara? É óbvio que eu não to com ciúme! Eu to me sentindo uma super filha da puta por ter passado a noite com você, você é casada, mano! Eu não quero foder com seu casamento.

– Tá doida, Vanessa? Você não me obrigou a ficar com você, eu quis tanto quanto! Se duvidar, até mais! Não tem relação nenhuma com o meu casamento!

– Como não? Você tá traindo o seu marido e eu sou a terceira pessoa nisso… Não quero pagar de idiota.

– Eu não to te fazendo de idiota! Para, Vanessa! Eu to aqui com você porque eu quero e porque já me envolvi um monte nisso, não tem traição nenhuma, tem muita vontade de estar com você e ponto final! Eu to gostando muito de você, menina, acredita em mim.

– Não sei o que pensar, deu um nó na minha cabeça, mano… Você quer que eu te leve embora?

– Não, eu quero ficar com você.

– Seu marido deve tá querendo me dar um tiro!

– Ele eu não sei, mas eu sei o que eu quero te dar.

Clara seguiu quase engatinhando pela cama, até chegar próxima ao rosto de Vanessa, que até tentou resistir, mas não há problema que resista ao sorriso da loira. Ela sorriu e Vanessa se desmanchou de amores, foi o espaço que Clara estava esperando.

Vanessa continuava deitada e Clara quase não fez esforço para ficar numa posição confortável: sentou em Vanessa de modo que ela ficou entre suas pernas. O jogo começou ai. Lentamente, Clara começou a rebolar no colo de Vanessa; ela reagiu segurando a cintura de Clara de modo delicado, sem interromper o movimento, apenas para acompanha-la.

Por sua vez, Clara continuava tentando seduzir Vanessa, ameaçando beijá-la e desistindo do beijo já quase quando as bocas se tocavam, gerando um notável desespero em Vanessa. Clara sorriu satisfeita.

Enquanto isso Vanessa já havia esquecido a pequena briga com Clara. Era impossível não ceder aos encantos daquela mulher. Clara exala sensualidade só em respirar, não tinha como resistir. Vanessa quis se deixar levar, entrou no jogo e apostou alto.

Em uma das falsas investidas de Clara, ao ameaçar beijá-la, Vanessa segurou seu rosto e fez com que o beijo acontecesse. Clara não deixou por menos e acariciou os seios de Vanessa enquanto se beijavam; Vanessa entrelaçou seus braços na cintura de Clara, a segurando mais firme, no sentindo de implorar para ela não sair daquela posição.

A brincadeira continuou ainda durante o beijo. Partiu de Clara e Vanessa entendeu no mesmo instante: as línguas passaram a ser o foco por alguns minutos. Ao mesmo tempo que se provocavam, os sorrisos eram notados em cada toque dos lábios.

– Sabia que você tem o beijo mais gostoso, Van?

– Para, mano! – Vanessa sorriu encabulada.

– Eu to falando sério! É muito gostoso!

– O seu também é muito gostoso… E eu fiquei tímida. – As duas deram risada.

– Você sabe onde isso vai dar, né? – Comentou Clara.

– Não dá, mano… Minha mãe tá em casa! Imagina se ela abre essa porta agora!

– Duas adolescentes de quinze anos tentando se pegar com adulto em casa!

– Para, mano! To falando sério!

– Vamos sair daqui, então! Tem motel aqui perto? – Clara brincou.

– Vai se foder, Clara! – Vanessa retrucou rindo.

– Ah, mano! Olha como você me deixa, to louca afim de ter você e ai vem um balde de água fria! Foi mó broxante!

– Eu te recompenso depois… Desfaz essa cara de cachorrinho perdido!

– Promete?

– Prometo!

As duas trocaram mais alguns beijos e carinhos. Trataram de se curtir bastante até o celular de Clara tocar, era Dona Rose:

– Oi, mãe! Tudo bem?

– Tudo sim, onde você tá?

– To na casa de uma amiga, tá tudo bem aqui! E o Pedro, tá tudo ok?

– Tá, ele tá na maior farra com seu irmão agora, tão no maior grude! Aliás, o Júnior quer falar com você!

– Lindos da minha vida!

– Você vai vir pra cá ainda hoje?

– Vou sim, mãe. Já avisa pro Jú! Lá pro final da tarde. Aliás, me faz um favor? Arruma o Pedrinho lá pelas cinco, eu vou dar uma saída e vou leva-lo comigo. Dá pra ser?

– Dá sim, farei isso.

– Brigada, mãe.

Assim que desligou com sua mãe, Clara virou-se para Vanessa e perguntou:

– Eu preciso levar o Pedro pra ver o pai dele hoje, lá no flat que eu tava… Eu queria que você me acompanhasse…

– Mano, tá doida? O que eu vou fazer lá?

– Me acompanhar! Foi o que eu acabei de pedir…

– Não é lugar pra eu estar… É a sua família, Clara.

– Por favor, vamos comigo! – Insistiu Clara.

– Eu te levo lá e te espero no carro, pode ser?

– Não! Eu quero que você me acompanhe, caramba!

– Por quê?

– Porque eu não quero ficar longe de você. Vai ser rápido, eu prometo!

– Quais são minhas opções?

– Transar agora comigo ou me acompanhar.

– Por não me restar escolhas, eu te acompanharei!

– Merda.

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