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Um mar de orgulho pelas ruas de Dublin

Assim que cheguei em Dublin uma das coisas que mais me encantou na cidade foi lembrar de que eles aprovaram o casamento LGBT através de um referendo em 2015, ou seja, a população votou e decidiu que ps gays podem casar sim! População maravilhosa não é mesmo? Além disso, estar apenas com a sua namorada do outro lado do mundo, reduz a pressão familiar e dos amigos ao se assumir tão abertamente. Você não precisa sair do armário diariamente, você apenas está fora do armário sempre. É diferente, mas outro dia eu falo mais sobre isso porque hoje o assunto é a Parada LGBT de Dublin.

Assim que descobrimos a data do desfile, resolvemos que não importa o que acontecesse, estaríamos lá, afinal de contas, estamos começando nossa vida em um novo país e nada melhor do que começar essa nova etapa de peito aberto sobre quem somos. Aí, descobrimos que a Parada estava recrutando voluntários para ajudar naorganização. Não pensamos duas vezes e lá estávamos nós, de manhã cedo, com camiseta de voluntários, prontas para ajudar a realizar aquele momento que tanto havíamos esperado. 2017 definitivamente é um ano especial para nós.

O que mais me encantou e emocionou no desfile não foi o fato de ver casais se beijando, nem o sol que saiu para iluminar nossa caminhada através da cidade, mas sim a quantidade de famílias, de diferentes formações que estavam lá, vestidas com as nossas cores para apoiar a nossa causa. As crianças pintadas com o arco iris e os senhores com gravatas coloridas deixando claro que apoiavam essa coisa louca que chamamos de liberdade. A cidade já se preparava para o evento muito antes. Lojas penduravam bandeiras do arco íris em suas vitrines, camisetas eram vendidas celebrando o nosso Orgulho e até grandes marcas, como o principal supermercado da Europa, mudavam suas cores para nos representar. A cidade apoiava a nossa Parada. Não tinha ninguém que destruía nossos cartazes e bandeiras e nem ninguém que colocava fogo nas nossas cores nas esquinas. A cidade pareceu ser totalmente nossa por alguns dias. Era tão bom sair nas ruas e ver o arco íris tremulando em tantas bandeiras espelhadas pelas ruas.

Andamos por mais de 2 km e não estávamos sozinhos. Como em sinal de apoio total, a cidade foi para as ruas e nos viram passar. Eles nem sempre acompanhavam, mas estavam lá, nas calcadas e janelas gritando e dando seu total apoio a uma parada que não só comemorava um país com uma mentalidade aberta, mas também exigia por melhorias para a comunidade trans – que é a atual luta da comunidade LGBT daqui. Me senti abraçada todos os minutos daquele dia. Desde cedo, quando não tive medo de entrar no ônibus enrolada na bandeira gay, até o momento em que fui dormir com a certeza de um dia histórico na minha vida.

Além das pessoas, que unidas fazem essa cidade, estavam também grandes empresas presentes no desfile. Google, Facebook, Twitter e Amazon eram apenas algumas das variadas presenças corporativas no dia. E não apenas com seus nomes, mas também com seus funcionários e suas famílias, mostrando que eles apoiavam o amor em todas as suas formas. Que mais importante do que ser bom empregado, era ser bom ser humano, era ser respeitador e respeitado. Era sorrir por saber que era aceito como se é. Obrigada as grandes empresas que usam de seu status social e financeiro para endossar a nossa causa. Para mostrar ao mundo que eles enxergam como nós somos e que nos aceitam e nos respeitam.

Me emocionei em vários momentos por estar vivendo aquilo. Acho que nunca serei capaz de expressar o que senti. Não só por ter feito parte daquele momento, mas por saber que aquele sentimento pode fazer parte de todas aquelas pessoas todos os dias e não só no dia 24 de junho. Obrigada Dublin por me proporcionar este momento histórico na minha vida. Não sei se serei capaz de sentir algo parecido de novo.