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Tudo muda, tudo passa – Cap 9 – Parte 7

Ficamos em Cabo Frio até o reveillon e foi um período muito divertido. Nossas amigas eram boas companhias e nos dávamos bem. Aline acabou terminando com seu namorado câmera man e foi com dona Zuzu para Cabo Frio na virada do ano. Alugaram uma casa bem pertinho da que nós estávamos e foi a mais pura coincidência. Elas se uniram a nós e dona Zuzu fez sucesso com seu carisma e as histórias da emissora.

– Aline, eu seria muito indiscreta se te perguntasse por que acabou o namoro? – perguntei a ela em particular.

– Ah, pelo motivo mais escroto do mundo: eu não quis fazer anal com ele. – fez cara de contrariedade – Acredita nisso?

– Que cara infantil! – fiquei surpresa – Isso não é motivo pra terminar. Ele tá te pressionando pra você fazer o que ele quer. Criancice pura! Me perdoa, mas tá sendo um babaca!

– Não me ama. – respirou fundo – Se me amasse perceberia que não se pode querer que a outra pessoa diga sim a tudo. Amar também é ser tolerante com as diferenças. – olhou para mim – Você terminaria com Alex se ela não quisesse fazer na cama alguma coisa que você gosta?

– Claro que não! Ela me deixou na secura por um tempão e eu não fiz isso! – passei a mão nos cabelos – Pra homem essas coisas são muito cômodas. Eles só enfiam e gozam. A gente que recebe eles pode gozar ou não de acordo com a posição e com o que se faça. Particularmente não gosto de anal. Se você nem tem curiosidade não é obrigada a fazer porque ele quer. E, me perdoe, mas se ele te amasse não daria tanto valor a isso. Ninguém morre se não fizer.

– Eu prometi a mim mesma que nunca mais iria fazer na cama o que não quero. E vou cumprir. Se ele não se arrepender e voltar, que se dane. Vou sofrer, mas vai passar. Tudo passa não é? – derramou uma lágrima.

– É, tudo passa. – limpei a lágrima de seu rosto – Mas vê se com o próximo namorado você não vai incorporar tanto da personalidade dele. Esse gostava de Fórmula 1, mas vai que o próximo cara gosta de sumô? Não vai ficar muito bem você gorda e vestindo um paninho enfiado na bunda.

– Palhaça! – sorriu e deu um tapa no meu braço.

– Gente, venham correndo, o ano novo se aproxima!!! – dona Zuzu gritava.

– São dez para meia noite! – Alex disse sorrindo.

– Vamos lá mulher! – disse para Aline – Ano novo, recomeço! – sorri

– Recomeço! – sorriu

E 98 terminava bem, e a vida seguia seu rumo feliz.

Logo no começo de janeiro Arthur inventou um trabalho em João Monlevade, Minas Gerais, e eu disse a ele que só iríamos se pudessemos tirar férias juntas no final de abril. Havia programado uma grande viagem de vinte dias para comemorar nosso terceiro aniversário de casamento e estava irredutível. Afinal, eu nunca havia conseguido tirar mais que duas semanas de férias desde que começara a trabalhar e aquilo era muita exploração. Alex também faria um ano de casa em janeiro e poderia ter férias também. Foi um fuzuê completo entre nós, mas saímos vitoriosas.
Combinei com Alex que esta viagem surpresa seria depois da época do aniversário para que pegássemos a melhor temporada no nosso local de destino. Ela morreu de curiosidade, mas eu não disse para onde iríamos.

Ficamos em Monlevade por um mês, e foi uma temporada tensa com direito a muitos problemas entre nós e a mão-de-obra, bem como, com os fornecedores de material. Um dia até mesmo Alex perdeu a paciência e se aborreceu com um prestador de serviço que sumiu com nossa carga.

Em meados de fevereiro fomos trabalhar em São Mateus, no Espírito Santo, e foi dedicação total. Tínhamos um tempo mínimo para concluir o serviço e a correria foi intensa. Um peão se machucou durante o trabalho e Alex providenciou assistência médica para ele. Tive uma briga com Júlio, que não queria que “perdêssemos tempo” com o acidentado, e no final ganhamos um amigo. O homem nos convidou para um almoço em sua casa e a família nos tratou como rainhas.
Passamos o carnaval trabalhando e em março rodamos continuamente por São José dos Campos, Campinas e Cubatão. Era trabalho que não acabava mais. Nessa loucura perdi minha bolsa de calcinhas em algum lugar e fiquei pobre de roupa íntima.

– Alex eu só tenho duas calcinhas!!!! E agora?? Tenho de comprar outras urgentemente! – estava de pé, curvada sobre minha mala a qual revirava em cima da cama

– Ora amor, isso não é ruim de todo… – Alex estava deitada e esfregava o pé na minha perna.

– Comporte-se mulher! Amanhã é dia de acordar cedo… – peguei seu pezinho e beijei – Iremos para Campinas antes das sete.

– Sabia que hoje eu acordei e não sabia onde estávamos? Precisei me levantar e olhar pela janela para ver que cidade seria essa. – sentou-se na cama.

– Nós agora somos mulheres sem CEP. Não temos paradeiro certo, vivemos eternamente em viagens, nossas coisas andam espalhadas por aí e eu praticamente não tenho mais calcinha. – virei de costas para ela procurando coisas no quarto.

– O contrato da quitinete terminará agora em maio não é? – segurou o bolso detrás da minha calça.

– Com o prazo prorrogado que eu pedi sim. – virei de frente para ela que passou a me puxar pelos bolsos da frente.

– E então? Onde vamos morar se a proprietária vai querer o imóvel de volta? – puxou-me mais para perto e abriu as pernas.

– Não sei. – abaixei – A gente não tem paradeiro mesmo. Por enquanto nem vai sentir falta de casa… – beijei seus lábios – Para de me provocar se não quiser ter dificuldades pra acordar cedo amanhã. – beijei-a de novo e mordi seu lábio inferior.

– Eu não ligo de acordar cedo… – sorriu sensualmente e envolveu meu pescoço com os braços

– So… – beijei-a novamente e me deitei sobre ela,derrubei minha mala no chão deixando a cama livre só para nós, que nos amamos noite afora.

E no dia 17 de abril, sábado, estávamos nós descendo do táxi no terminal 1 do Galeão, embarque internacional.
– Ai Sammy, eu estou louca, louca, louca para saber aonde vamos!! – pulava como criança enquanto andava.
– Você vai saber dentro de instantes. Eu gostaria de manter o segredo até o final, mas a própria empresa aérea trata de quebrar o suspense.

– E nós vamos ficar vinte dias fora???

– Até um pouquinho mais por conta do final de semana. E completamente out!! Só você e eu. – olhei para ela sorrindo.

Paramos na fila para os guichês e o movimento era muito grande. Embora o Real ameaçasse despencar a qualquer momento a paridade com o dólar ainda enganava as pessoas com uma falsa sensação de que estava tudo bem e valia a pena torrar dinheiro viajando para o exterior com a família inteira.

– Qual a nossa empresa Sammy?

– British Airways.

No momento do check in o funcionário da British explicou como seria a conexão e Alex delirou de alegria.

– Ah! – pôs a mão sobre os lábios – Não acredito!! A gente… a gente… A gente vai para… Grécia!!!! Oh my God, it’s so wonderful, exciting!!!! I’m so happy!!!

– Quando nós voltamos de Paris você me disse uma vez que morria de vontade de ir na Grécia e que o amor da sua vida deveria passar momentos românticos com você lá. Pois bem, eu prometi que nós viríamos e aqui estamos nós.

Ela me abraçou entusiasmada e me encheu o rosto de beijos.

– Menina, pára que tá todo mundo olhando! – disse preocupada – E o cara tá aí fazendo nosso check in… – apontei discretamente para o homem.

– Ah! Eu nem ligo! Parece um sonho! Nosso terceiro aniversário de casamento na Grécia!! Espere até eu contar a vovó!

– E você vai contar pessoalmente, porque antes de voltar a gente quebra o vôo em Londres pra dar uma abraço naquela velhinha danada! A conexão internacional é lá mesmo…

– Mesmo?? – mostrou-me um belo sorriso apaixonado

– Mesmo. – sorri de volta

A viagem foi tranqüila embora longa. Fomos do Rio para São Paulo e então para Londres. De lá seguimos para Atenas. No aeroporto inglês houve um atraso no vôo e só chegamos na capital grega às 15:00h do dia seguinte. Pegamos um táxi e fomos direto para o hotel.

– Olha só essa cidade! Eu vejo os letreiros e entendo absolutamente nada! Nem uma deixa! – olhava curiosa pelo vidro do carro.

– Sammy, qual a nossa programação? – segurou no meu braço.

Olhei para ela, sorri e respondi:

– Não acha mais legal se eu for te contando diariamente?

– É! Sim, eu aceito! – sorriu entusiasmada.

– Hoje é tarde livre! Penso em nos acomodarmos, fazer um passeio tranqüilo e depois um jantar leve. Daí a gente pode ir pro quarto namorar um pouco e dormir.

– Adorei essa programação! Aprovada!

Chegamos no hotel Dorian Inn, na região de Omónoia, e fomos muito bem recebidas por uma senhora simpática. Ela agiu com a maior naturalidade ante o fato de estarmos em um quarto com cama de casal e parecia mesmo achar isso o máximo. O quarto era grande e espaçoso e decorado nas cores azul e branco. As acomodações primavam por simplicidade e bom gosto.

Alex estava tão excitada que só tomou um banho rápido e colocou sua roupinha própria para caminhada: calça colante rosa, blusinha rosa de alças, boné branco e rosa e tênis de mesma combinação de cores.

– Sammy, enquanto você foi trocar o dinheiro no câmbio eu peguei um monte de mapas. E aqui na recepção também tinha mapa. Como temos pouco tempo hoje eu quero ir nos Jardins Nacionais!! – segurava uns cinco mapas e olhava todos ao mesmo tempo.

– Deus do céu, que mulher rápida! E como a gente vai lá?

– Estamos pertíssimo da Plateia Omonoias, aí nós pegaremos um bonde e desceremos na estação Syntagma. – continuou lendo dicas – Antes devemos comprar os bilhetes em algum períptero.

– E o que é isso?? – perguntei enquanto me vestia mais ou menos como Alex, mas em outras cores.

– São como quiosques de rua. Mas não tenha medo porque já sei como reconhecê-los. Têm um símbolo na frente nas cores marrom, vermelho e branco.

– Mas eu arrumei uma guia de turismo! – ri e coloquei as mãos na cintura – Vamos minha pequena poetisa grega!

Ela sorriu e fez uma careta para mim.

Fizemos como Alex sugeriu e as dicas eram mesmo quentes. Descemos perto do Túmulo ao Soldado Desconhecido e fizemos uma longa caminhada contornando os jardins. Voltamos para jantar no próprio restaurante do hotel e a visão dos jardins do terraço proporcionava vistas espetaculares da cidade e da famosa Acrópole.

– Ai amor, o dia de hoje foi muito bem aproveitado! – tirou os sapatos.

– Falta só mais uma coisinha pra gente poder dizer isso… – aproximei-me dela abraçando-a por trás – Por que a gente não toma um banho e se entrega a mais completa luxúria hein?

– Ai Sammy… Chegamos hoje… – respondeu fazendo dengo.

– É que meu lado Xena tá começando a sentir a maior falta do seu lado Gabriele, e já que estamos na Grécia… – mordia seu pescoço.

Ela puxou meu corpo mais para junto do seu e depois se afastou de mim rapidamente.
– Vem me pegar, vem minha princesa guerreira! – tirou a blusa e correu para dentro do banheiro.

“Ah, mas eu vou mesmo!!”

Dormimos abraçadas após algumas horas de amor e carícias, dentro e fora do banheiro.