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Tudo muda, tudo passa – Cap 9 – Parte 4

Alex voltou de viagem no sábado, animada e cheia de novidades. Esteve em Volta Redonda, Belo Horizonte, Ipatinga, Timóteo e Vitória. Tirou um monte de fotos, anotou um monte de observações e já havia até conjeturado alterações nos custos previstos inicialmente. Passamos o final de semana sem sair de casa, apenas matando a saudade.

Na segunda, Arthur fez uma reunião conosco e disse que, dada sua ansiedade em iniciar com a nova forma de atuação da firma, contrataria Alex inicialmente como trainee, para depois efetivá-la como engenheira quando sua documentação estivesse pronta. Ele e Júlio ficaram muito satisfeitos com as informações que ela trouxe das viagens e marcaram um retorno às siderúrgicas para dali a duas semanas, onde eu iria junto com ela e Ricardo.

– Mas e o trabalho lá no Recreio? Ainda tem muita coisa pra fazer – perguntei.

– Ah, mas é só maquiagem! O grosso já foi feito. Deixe isso com Anderson que ele leva. – respondeu Júlio.

– É, mas o nome e o CREA que tão lá na placa da obra são os meus. Se rolar qualquer problema… – argumentei.

– Confia Sam! Anderson é bom, você sabe, não tem galho! – Arthur respondeu.

“Ele é bom, mas anda irresponsável…”

E assim foi. Viajamos para começar a arregaçar as mangas e iniciamos por Volta Redonda. Fazia um calor do cão, era final de janeiro e o sol não dava tréguas. A peãozada que contratamos era bem disciplinada e isso facilitava muito as coisas. Alex adotou o meu estilo e também levava uma mochila com as roupas para usar no canteiro. Mas é claro, mochila rosa, e no capacete havia colado um bocado de gatinhos Hello Kit.

“Ah! Essa menina!”

Eu sentia uma incrível saudade do mar, mas tudo passa e eu sabia que aquela fase também iria passar. 
Morávamos em um hotel muito de meia sola e todo dia era o problema da descarga do banheiro. Eu estava a ponto de quebrar a parede e consertar por mim mesma. No nosso aniversário de casamento demos uma fugida rápida para Itatiaia e nos hospedamos em um belo chalé dentro do Parque Nacional.

– Ai, Sammy, que lindo! Venha ver a visão daqui! – Alex estava na sacada do chalé admirando a vista.

Parei a seu lado e admirei a visão do verde cobrindo o parque e o relevo montanhoso ao redor de nós. Avistei um belo riacho.

– Olha lá, linda! Um riozinho! Com corredeira! – apontei – A recepcionista disse que aqui eles promovem caminhadas ecológicas, rapel e raffiting. Vamos fazer um barato desses aí?

– Ai, amor, eu não pensava em passar o tempo fazendo esportes radicais. – abaixou a cabeça.

Cheguei perto e beijei sua orelha.

– A gente radicaliza de dia com a natureza e de noite trancadas aqui dentro. – beijei seu pescoço – Hum?

Ela se aproximou de mim e me puxou para dentro do quarto pela mão. Encostei a porta que dava acesso a sacada.

– Eu queria ficar com você de uma forma mais romântica. – aproximou-se e ficou brincando com a cintura da minha saia – Teremos tão pouco tempo. – olhou para mim – Deixa essa coisa de esportes radicais para outra oportunidade. Hein? – beijou meu queixo.

Sorri e abracei-a pela cintura.

– Pedindo desse jeito, nem tem como negar. – beijei seus lábios – Sabe uma coisa que andei pensando?

– O que? – envolveu meu pescoço com os braços.

– Eu nunca fiz amor com uma engenheira com CREA. É uma coisa nova pra mim. – beijei-a de novo.

– Bem, eu tenho essa experiência há mais tempo… – mordeu meu queixo e me beijou.

– E como é?

– Maravilhoso… – sorriu.

– É? Eu queria ter essa noção…

– Aqui tem uma banheira…

– Ah, é? – beijei-a de novo – Banheiras me trazem um monte de boas recordações… – sorri.

– E por que? – mordeu meu lábio inferior.

– Porque foi aonde aconteceu a minha primeira vez com uma certa lourinha… – mordi seu pescoço.

– Mesmo? – afastou-se de mim – Eu vou preparar essa banheira, e quando estiver OK 
você me conta como foi a experiência com essa tal lourinha.

– Pode deixar que eu conto. – sorri.

Ela foi preparar o banho enquanto eu tratei de preparar o quarto e a cama para nós, pois com certeza aqueles aposentos nos teriam ali por várias horas.