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Tudo muda, tudo passa – Cap 9 – Parte 2

Alex ficou muito ansiosa pela entrevista e no dia seguinte foi no escritório conversar com Arthur e Júlio. Quando ela entrou simplesmente paralisou a firma. Era incrível como ela tinha esse poder. Onde quer que fosse sempre conquistava uma legião de fãs que babavam a cada passo e gesto seu. Eu tinha ciúmes, mas nada doentio. Sabia, sentia, que ela era minha de corpo e alma.

– Mona, tua garota hein? – Leon me disse baixinho – Ui! – revirou os olhos – Se eu gostasse de mulher… – olhou-me de cima a baixo – Aliás, vocês duas numa cama devem pegar fogo!

– Nem te conto! – sorri.

– Sua diabinha! – deu-me um tapa no braço – Ah, olha só! Tem um seriado que passa na TV, pensei nisso agora, é a cara de vocês! Xena, a Princesa Guerreira. Uma guerreira, morena alta de olhos azuis que vive com uma poetisa lourinha dos olhos verdes. São como vocês! Assiste só! E é legal a beça!

– E onde passa isso? – perguntei rindo.

– No SBT! Todo domingo. Assiste só! É por volta das dez e meia da manhã.

Na conversa entre Alex e os chefes eles explicaram para ela o que Arthur já havia me dito e fizeram uma boa proposta. Ela saiu da sala deles animada e com a promessa de um contato ainda antes do final da semana.

Conforme prometido eles a chamaram lá de novo e marcaram uma reunião conosco. Os quatro juntos. Quando estávamos na sala de Arthur, Leon foi chamado e apresentou um plano de trabalho. Era uma prestação de serviço para siderúrgicas que estavam promovendo obras de ampliação: uma no Rio, três em Minas Gerais e uma no Espírito Santo. A previsão era de que nosso trabalho durasse até setembro. Nossa participação seria em parceria com outras empreiteiras, mas era um bom começo. Eles decidiram que Alex viajaria antes para os locais da obras, para que conversasse com os clientes e conhecesse as localidades. Isso tudo na semana seguinte. Apenas Ricardo, o mestre de obras, iria com ela.

Em casa, conversamos sobre o assunto e eu estava morrendo de medo de deixá-la ir.

– Sammy, eu viajei para Europa sem você e agora você tem medo de que eu viaje para tão perto? – perguntou sorrindo.

– Mas você ia com seus pais e não sozinha!

– Mas eu não vou sozinha! Ricardo vai junto lembra?

– É! – pus as mãos na cintura.

Alex arrumava a mala. Era domingo e no dia seguinte ela iria. E como sempre, a mala grande demais.

– Cuidado com tudo! Não dá trela pra estranhos, presta atenção, não deixa a bolsa dando mole pra ninguém roubar ou colocar droga dentro dela.

– E por que alguém faria isso? – perguntou rindo.

– Tem gente muito má por aí!

– Não tenha medo. Vai dar tudo certo. – beijou-me na boca e foi fechar a mala.

Olhei o relógio e me lembrei do tal seriado que Leon falou. Peguei o controle e liguei a TV.

– Alex, Leon disse que tem um seriado aí no canal 11 que tem umas mulheres que parecem com a gente. O nome dele é Xena.

– Ah é? É a segunda pessoa que diz isso! Paulinha assiste também e me disse a mesma coisa um dia desses. Disse que Ruth concorda. Acha que Xena se parece com você e com uma mulher lá de Araras.

– Ah! – balancei a cabeça e ri – Ruth e suas estórias! Na cidade de Araras, segundo ela, tem de tudo! Não sei como não disse que Xena morava lá.

Sintonizei no canal e o seriado estava começando. A primeira coisa que ouvi foi a musiquinha e o texto de abertura:

“Na época dos deuses antigos, opressores, e reis, uma terra sem lei clamava por uma heroína, Xena
Uma poderosa princesa, Forjada no calor da batalha…”

– É essa aí??? Eles acham que eu pareço com essa mulher?? – sentei e ri – Quisera eu! Como dizem vocês ingleses: I wish!

– Deixa eu ver. – Alex veio correndo – Ai, eu perdi!

– Agora é anúncio. Espera um pouco.

O capítulo começou e era uma estória onde Gabriele e Xena estavam na Bretanha.

– Bem, já vi uma semelhança. Elas andam pela Inglaterra. – ri.

Alex estava sentada do meu lado.

– Ai Sammy, lembra sim! O mesmo porte, cabelos negros, olhos azuis… Ela é metida, assim, igual a você! Se bem que eu acho você mais atlética!

– Ai, o amor é capaz de cegar uma mulher. – brinquei.

Reparei bem na personagem Gabriele e me surpreendi com as semelhanças.

– Deus do céu Alex, você é a cara dessa mulher! – olhei para ela e para a TV – A diferença é o comprimento dos cabelos. E você é mais nova. Mas são muito parecidas. – olhei fixamente para a TV – E ela também tem umas pernas…

Levei um tapa na perna.

– Ai! – olhei surpresa

– Gostou das pernas dela? – fez um bico.

Ri e cheguei mais perto.

– Ah, meu amor eu não acredito que você tá com ciúmes de uma atriz que eu nem conheço, nunca vou conhecer e não sei nem o nome. E se conhecesse ela nem me olharia duas vezes, com toda certeza.– abracei-a pela cintura e ela se levantou.

– Mas você olharia várias vezes, com toda certeza. Eu sei e me lembro muito bem do seu fraco por atrizes… – caminhou até a cozinha.

Levantei-me e fui até lá. Ela estava de costas e eu a abracei.

– Prefiro a minha mulher – cheirei seu pescoço – ao vivo, em carne e osso e só minha! – mordi sua orelha – Aliás, – virei-a de frente para mim – a senhora vai viajar amanhã e a gente aqui perdendo tempo com peitica…

Ela riu e mordeu o lábio inferior.

– E que palavra maluca é essa? Peitica?

– Coisa que vovó dizia. Quer dizer, bobagem, perda de tempo, boa merda. Algo como bulshit.

– Bulshit? E quem te ensinou essa palavra feia? – envolveu meu pescoço com os braços.

– Aquela que me ensinou a falar um monte de sacanagens em inglês: vó Dorte! – beijei seu pescoço.

Ela fechou os olhos e riu gostosamente.

– Minha avó ensinou sacanagem para você, é?

– Sacanagem falada. – beijei seus lábios – Mas não sacanagem executada. Até porque é minha avó também e uma velhinha de respeito. – puxei-a para cima e ela envolveu minha cintura com as pernas.

– E quem te ensinou a sacanagem executada? O arsenal de amantes que você teve? – mordeu meu queixo e me deu um tapa no ombro.

– Sabe como é Alex, certas coisas a gente tem que praticar, praticar, praticar… – coloquei as mãos em sua bunda e comecei a morder e beijar seu pescoço caminhando para o quarto.

– Really? – respirou fundo.

Deitei-a na cama e respondi:

– Oh, really.

Fizemos amor ao som de Xena e suas aventuras, bem como, do restante da programação seguinte, até sermos vencidas pelo cansaço.