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Tudo muda, tudo passa – Cap 9 – Parte 15

– E então é isso Alex… Minha mãe mora mesmo lá em Recife e tem um filho que tá mal e internado não sei em que hospital. – olhei para o chão – Num ponto foi até bom a gente ter desencontrado porque eu não saberia o que dizer se a visse. – ri nervosamente.

Estávamos na sala. Alex sentada na poltrona e eu em uma cadeira a sua frente. O vôo atrasou e cheguei tarde. Mal entrei em casa contei sobre o episódio no Afogados. 
Ela sorriu docemente e segurou minhas mãos.

– E o que você sentiu quando estava lá?

– Um misto de coisas. Ansiedade, nervosismo, medo, tristeza, mágoa… Não sei dizer. – olhei para ela rapidamente, sorri e abaixei a cabeça de novo – É estranho! Tenho 28 anos e não conheço minha mãe.

Ela acariciou meu rosto.

– Olhe para mim amor. – obedeci – Não se envergonhe por não conhecê-la. Não foi uma escolha sua. – beijou uma de minhas mãos – Escute! Quando formos para lá você terá oportunidade de voltar a esse lugar, e poderá vê-la finalmente.

Balancei a cabeça contrariada e me levantei devagar. Passei a mão nos cabelos e respirei fundo.

– Não vamos falar sobre essa possibilidade agora, tá? Não sei se eu vou ter coragem de voltar lá…

– Tudo bem amor. – levantou-se e me abraçou pela cintura – Tome seu banho, vou servir seu jantar e então conversaremos sobre outros assuntos. – beijou meu queixo – Tudo bem? – sorriu.

– Tá! – beijei-a – Incrível com você tem a capacidade de me fazer bem sempre. – sorri.

– Talvez seja porque eu sou o amor da sua vida! – sorria.

– É um bom motivo! – abracei-a ternamente e nos beijamos por longos minutos

Nossa vida ficou uma loucura maior do que já estava. Não achávamos apartamento e nosso tempo se esgotava. Fui para Recife com Carlos e Bárbara de novo e retornei no dia 21, sexta-feira. Os dois ficariam lá até a próxima semana, depois Alex e eu deveríamos ir.

Estávamos deitadas na cama, nuas e abraçadas após longo tempo fazendo amor. Nós nos acariciávamos e de repente me veio um medo em relação ao futuro.

– Ai Alex, eu já não sei o que fazer! – acariciava sua cabeça – A gente vai morar é debaixo de alguma ponte! Ou de repente acampar na praia! – ri.

– Sabe Sammy, nos últimos dias eu tenho tido umas idéias… – levantou a cabeça e me olhou de forma enigmática.

– Do tipo? – ergui uma sombrancelha.

– No dia em que você foi para Recife pela primeira vez Nara e Sandra vieram aqui saber das novidades da viagem. Durante a conversa Nara comentou que tem um espaço nos fundos da pet shop que ela queria alugar e quis saber se conhecíamos alguém que se interessasse.

– Eu conheço ninguém!

– Pois é, mas eu pensei em outra coisa… – deslizou o dedo em minha clavícula – E paralelamente, eu tenho tido problemas com Júlio!

– Que problemas?? – fiz cara feia – Se aquele cara tem faltado ao respeito com você eu… – fechei as mãos com raiva.

– Não amor, não desse tipo de problema! – segurou uma de minhas mãos e entrelaçamos os dedos – É que ele está querendo agir como tantos safados que existem por aí, comprando material de quinta, contratando mão-de-obra porca…

– É??? – perguntei chocada.

– Você tem que ver um condomínio que nossa firma está fazendo no Recreio desde que tiramos férias! Visitei e fiquei boba! Mal feito… – revirou os olhos.

– Nossa! Arthur nunca concordaria com isso!

– Pois é, mas agora que sua esposa o levou para um tratamento em São Paulo, Júlio está livre para fazer o que quiser. E com isso, nós só iremos nos aborrecer!

– E no que pensa então? – removi uns fios de cabelo que atrapalhavam seus olhos.

– Nesse meio tempo me ocorreu que nós nunca compramos móveis, devido ao fato dessa quitinete ser mobiliada. – olhou ao redor – O que temos aqui são basicamente coisas pequenas, além da cama, geladeira e fogão. Penso que poderíamos deixar a maior parte das coisas no galpão da Nara. Daí iríamos para Recife levando só o que seria útil no primeiro momento. – sorriu para mim entusiasmada.

– Como é? – fiquei sem entender.

– Sammy, não devemos nos conformar em trabalhar para os outros a vida toda! Podemos montar nosso próprio negócio. – falava como que para uma platéia – Primeiro chegaremos em Recife por conta deste trabalho, mas ao mesmo tempo vamos criando uma rede de contatos e nos fazendo conhecidas. Podemos ainda fazer mais uns dois ou três trabalhos para Júlio na região e depois pedimos demissão. Daí montamos nosso próprio negócio em um lugar que não está saturado como Rio ou São Paulo. – olhou para mim sorrindo – Além do mais temos que nos aproveitar do bairrismo! No Brasil os outros estados, por mais que neguem, valorizam muito o que vem desse eixo Rio-São Paulo, inclusive os profissionais! Meu pai antes de entrar no ramo siderúrgico trabalhava com soldagem e ganhou muito dinheiro prestando serviço no interior da Inglaterra por conta do “prestígio” de ser de Londres. E como acha que mamãe entrou no mundo da moda brasileiro tão rápido? Apenas por ter circulado em Londres, Paris e Milão.

– Mas então… Você pensa em abrir negócio e morar em Recife, é isso? – perguntei surpresa.

– Em Recife ou em outra promissora cidade nordestina! Depende de onde for mais favorável! E os imóveis nessas cidades são bem mais baratos que no Rio. Com o dinheiro que temos tenho certeza de que podemos comprar algo que aqui estaria bem longe de nossas posses…

– Alex, a gente não tem tanta experiência assim… Começar o próprio negócio não é tão simples!

– Sammy você vive em obras desde estudante! São quase seis anos, praticamente o tempo em que nos conhecemos! Eu mesma já fiz um ano de trabalho! Claro que há muito chão pela frente, mas a gente tem condições sim! Começaremos devagar e depois a coisa vai crescendo…

Ri e respirei fundo.

– Alex, tudo isso é muito arriscado… Você não tem medo não? – olhei para ela sorrindo.

– Se eu acho que algo vale a pena não deixo de viver por medo! – fixou-se no fundo dos meus olhos.

Senti a pele arrepiar com a força dessa frase e entendi muito bem o que queria dizer. 

Balancei a cabeça novamente e respondi:

– Com você vale a pena viver qualquer coisa! Tô dentro, sem pensar duas vezes!

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