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Tudo muda, tudo passa – Cap 9, Parte 10

Olha só quem está de volta! Sei que estou devendo a continuação dessa histórias e por isso peço desculpas, mas prometo que toda semana voltarei com mais um capítulo dela. Não posso garantir qual o dia aparecerei por aqui, mas eu volto, sempre! 

Para quem não sabe, essa história foi postada me uma comunidade do Orkut e há um ano atrás, ela me foi enviada por uma amiga. A autora usa o pseudônimo de Raydon Donovan e a princípio tem a identidade desconhecida. Espero que vocês continuem gostando! <3

Tivemos uns problemas no aeroporto e chegamos em Londres de madrugada. Vó Dorte não sabia que estávamos na cidade, ela nem mesmo sabia dessa viagem. Alex telefonou de um orelhão assim que chegamos, apesar de meus protestos, apenas para conferir se estava em casa. Fomos direto para lá, pois Alex disse que ela jamais nos perdoaria se ficássemos em algum hotel. Mal descemos do táxi, Alex correu e bateu na porta ansiosa. Era por volta de umas 6:30h.

– Alex que loucura, você vai acordar a pobre e a bichinha vai ficar assustada. – comentei preocupada

– Ela vai é gostar! Como se eu não conhecesse vovó! – sorriu.

Após alguns segundos a porta se abriu. Vó Dorte aparece usando um roupão verde e chinelos de ursinho de pelúcia.

– Oh, meu Deus, mas que surpresa maravilhosa!! – vó Dorte escancarou a porta e abriu os braços – Senti tantas saudades no natal! Eu simplesmente não vi estes olhos coloridos no ano que passou!

Nós a abraçamos e entramos. Vó Dorte tratou de nos acomodar em um quarto e preparou um chá que nos serviu com leite e biscoitos. Perdeu completamente o sono. Enquanto comíamos, sentadas na sala, mostrou as fotos dos três últimos natais.

– E como foram os natais vovó? Meus pais foram? – Alex perguntou olhando as fotografias – Não os vejo aqui.

– Robert não foi em 96 por conta daquela palhaçada de roubar seu dinheiro. Depois veio aqui e me pediu mil perdões e eu disse que ele deveria pedir perdão a você. Ainda estamos mal. – respirou fundo – Ele não apareceu em 97, mas veio muito tímido neste ano que passou. Jack ficou direto na Escócia com seus parentes, e ele logo seguiu para lá. Algo morreu entre nós e ele sabe disso. Pena.

– Não quero que fique assim com ele por minha causa. Eu me sinto triste com isso…

– Não se sinta. Não criei Robert para ser ignorante como meus pais; ele nem pode se comparar. É homem atual, instruído, viajado, executivo! Não deveria ser como é. Quero que ele sinta! Não privou você de ter pai e mãe? Então eu o privo de ter mãe também.

– Coisas da vida. – mexia na xícara deslizando o dedo nas bordas – Algumas pessoas têm dificuldades em… nem sei a palavra correta!

– Em viver! Eles têm essa dificuldade. Mas vamos esquecê-los Samantha. – olhou para Alex – E isso vale principalmente para você! – respirou fundo e sorriu – Mas que surpresa maravilhosa, não me canso de dizer! Por quanto tempo ficarão aqui? – olhava para nós enquanto segurava sua xícara de chá

– Até sexta vovó! Não é muito, mas foi um belo presente que Sammy me deu.- olhou para mim – Além da estadia na Grécia. – sorriu.

– Contem sobre essa viagem, como foi? Eu estive lá há muitos anos com seu avô. Estivemos em Atenas e fizemos um cruzeiro que nos levou até Creta.

– Ah, vovó foi um sonho! Pena que os filmes não estejam revelados…

Alex contou os detalhes da viagem para a avó e eu fiquei ouvindo atentamente, rememorando cada momento sob a ótica toda especial de minha amada.

– É, esta viagem deve ter sido estupenda! – sorriu para nós – Bem, eu não sou entendida nesses assuntos de casamento… – pensou em uma palavra – alternativo… mas creio que funcionou como uma nova lua-de-mel.

– Sim – ri – isso mesmo, uma nova lua-de-mel. E a viagem não foi estupenda; está sendo! – acrescentei sorrindo.

– Galante como sempre! – deu-me um tapinha na perna – Segure essa mulher, filha. – brincou olhando para a neta – Contem-me agora como tem ido o trabalho juntas e viajando muito. No mínimo excitante, não

– Com certeza, e é muito bom trabalhar com ela, – olhei para Alex e em seguida para vó Dorte de novo – mas estamos querendo sossegar um pouco para pôr a vida no lugar. Vamos ter que nos mudar no mês que vem e nem sabemos para onde vamos.

– Vocês ainda não podem comprar um imóvel? – perguntou intrigada.

– Creio que não à vista, mas temos um bom dinheiro para pagar pelo menos a maior parte. Claro, pensando em um imóvel confortável, mas fora das zonas de luxo do Rio, onde um apartamento pode sair por um milhão de reais tranqüilamente.

– E para que luxo? O importante é viver bem!

– Tem razão vó Dorte, eu concordo, até porque uma pessoa que morou em favela por tantos anos… Luxo para mim soa meio ridículo. Na verdade, acho que a gente não teve tempo de procurar alguma coisa.

– Mas quando voltarmos para o Brasil com certeza gastaremos tempo providenciando isso. Pelo menos algo para alugar até que encontremos um bom imóvel para comprar. – olhou para mim – Não é Sammy?

– Sim. – respondi sorrindo.

– Meninas, está em cartaz um espetáculo maravilhoso: Les Miserablés. Vamos assistir?

– Nossa! – respondi surpresa – Mas essa menina não perde tempo em programar atividades! – sorri.

– Quando será? – Alex perguntou.

– Amanhã à noite!

– E os ingressos? – perguntei – Onde a gente compra? Ainda há tempo?

– Eu compro pela Internet! – sorriu empolgada.

– Olha, mas como é moderna essa vovó! – ri.

– Foi-se o tempo em que as velhas só sabiam fazer tricô com lã de carneiro. Eu entrei no mundo digital! – abriu os braços – E faz tempo!

– Então está combinado! – Alex bateu nas pernas – Amanhã à noite, Piccadilly Circus, lá vamos nós!

Eu tratei de levar nossas malas para o quarto que vó Dorte nos deu e fui tomar banho. Quando voltei, vi Alex e a avó sentadas na cama e analisando coisa por coisa que se comprou na Grécia, e só então descobri que ela havia comprado uma pequena garrafa de óuzo para vó Dorte.

– Pode beber agora?- olhava a garrafa lambendo os beiços.

– Não vovó, ainda é muito cedo.- riu – Espere mais um tempo, depois de comer algo substancial de preferência!

“Meu Deus, vó Dorte bebendo isso!”

Alex havia comprado ainda outros presentes para ela, e ainda para Shelley e Herbert. Vó Dorte achava tudo lindo e interessante.

– Meninas, mas vocês fizeram a festa! – olhava uma bandeja prateada

– Vocês não vovó! Alexandra Flatcher. Essa aí ajudou a Grécia a obter superávit depois de nossa visita. – ri.

Alex fez careta para mim.

– Bom que ela ajuda na redistribuição da renda mundial. – riu.

– Mas até você vovó?

– Meninas, – olhou para nós – que pensam em fazer hoje? Estão muito cansadas?

– Ai, eu quero aproveitar bem o tempo do seu lado… – Alex respondeu delicadamente.

– No que pensa vovó? – perguntei.

– Penso em levar você no Kew Gardens para que vejam como fica mais lindo na primavera. E depois passarmos no Regent Gardens, que também está um encanto. Lá perto fica o recém re inaugurado museu de Sherlock Holmes e poderíamos visitar também.

– Ótimo! Temos já o roteiro do dia. – olhei para Alex sorrindo.

Ela balançou a cabeça concordando.

E o dia foi aproveitado exatamente como vó Dorte propôs. Kew Gardens, o maior jardim botânico do mundo, fica às margens do rio Tâmisa, e estava realmente lindo e cheio de vida. Em Londres, o Regent Gardens sorria através de centenas de flores coloridas, e a cidade como um todo preparada para a nova estação; as pessoas circulavam contentes pelas ruas, o céu era limpo e azul. Nós nos divertimos muito, inclusive no museu do detetive mais famoso do mundo. O espetáculo que assistimos foi muito bonito, e é mais um dentre tantos clássicos que se repetem em Londres por anos na Piccadilly Circus.

No dia seguinte vó Dorte sugeriu de fazermos pela manhã um passeio de barco no Tâmisa e aceitamos a idéia. Almoçamos perto da Abadia de Westminster e, à tardinha, ficamos caminhando pelo conhecido Thames Footpath.

– Vovó, que tal ir para o Brasil nos visitar de novo neste ano? – Alex sugeriu.

– Claro, há mais coisa que precisa conhecer. – completei.

– Tenho que ver meninas! – sorriu – Vontade não falta, amei aquele país! E o Rio… Que lugar! Cada praia, cada coisa… – respirou fundo e se abanou – cada homem…

– E eles estão lá esperando por você! – respondi sorrindo.

– Tenho que ver! Meu coração às vezes se assanha e o médico disse que eu não posso abusar sempre. Tenho que ver.

– Mas eu pensei que a senhora já tivesse resolvido esse problema! – Alex comentou preocupada.

– Isso não tem cura meu bem. Sou velha e o coração cresceu e está… não sei explicar… espessando, ficando mais grosso, sei lá. Isso não tem cura, apenas se controla.

– Façamos assim vó – sugeri – escolha uma época para nos ver, nós daremos um jeito de não sair viajando nessa ocasião, e você pergunta ao médico se é uma boa época para viajar. Aí, você nos visita, se diverte, pode ir em médicos de lá também para acompanhamento, e depois volta. Que acha?

– Vamos deixar vocês alugarem ou comprarem uma nova casa e então eu vejo isso.

– Combinado!