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Tudo muda, tudo passa – Cap 8 – Parte 14

Permaneci no meu repouso e perto do ano novo Arthur e Júlio foram me visitar. Eu estava sentada na cozinha ajudando Alex a catar feijão. Ela abriu a porta e eles entraram no apartamento reparando em tudo.

– Olá, tudo bem? – Júlio olhou Alex de cima a baixo – Não sabia que ia sair. Podemos voltar outra hora…

– Eu não vou sair. – ela falou sem entender

– Ela é sempre chique assim mesmo. – respondi – Alex, estes são Júlio e Arhtur, meus chefes. Esta é minha esposa e companheira.

Alex ficou toda prosa com a apresentação e os dois ficaram meio constrangidos. Sorriram completamente sem jeito e apertaram a mão dela formalmente.

– Nós nos conhecemos na sua defesa de projeto final. – Arthur lembrou – Tudo bem com você Samantha? Nós estávamos de passagem para uma reunião no Flamengo e decidimos te dar uma olhada. Incomoda?

– Não. Sentem-se. – apontei o sofá.

Eles se sentaram. Eu estava de short e Júlio meteu os olhos nas minhas pernas.

– Querem um café, suco…? – Alex perguntou.

– Não se incomode. – Arthur respondeu – É visita de médico.

– Raimundinho se aborreceu muito naquele dia. Disse que está cansado e não quer mais saber desse tipo de trabalho. Parece que agora seu grupo tem um a menos. – Júlio falou.

– A firma tem um a menos. – Arthur corrigiu.

– Ele pediu demissão? – perguntei surpresa.

– Mais ou menos… – Júlio disse – O ponto é que não faz mais parte da equipe.

– Hum… E vocês vieram aqui ver se eu saio também ou me convidarão a isso? – perguntei de cara.

– Que é isso menina? – Arthur perguntou sem graça – Eu não quero perder uma profissional como você! Não sou homem de bajular, mas digo uma coisa: tenho certeza de que nas mãos de qualquer outro lá os trabalhos que você tem levado não teriam andado tão bem. A Serrinha mesmo. Em janeiro tá entregue, pronta!

– Nós não vamos desistir de você. Nós vamos desistir desse trabalho! Quando acabarmos com as favelas que nos comprometemos nós vamos jogar a toalha! Pensamos em fechar mais trabalhos com as obras sociais da Prefeitura, mas não tem condições. Sem segurança não dá! – Júlio disse.

– E até lá? Quem coordenará esses trabalhos? Até onde eu saiba faltam mais duas favelas! – Alex perguntou com segurança.

Eles não esperavam por isso e se entreolharam. Júlio abaixou a cabeça e Arthur continuou:

– Bem… as outras são o Vidigal e Dona Marta. As coisas lá andam calmas, nós procuramos saber. Samantha estava à frente do trabalho e acho que pretende continuar… – olhou para nós duas incerto

– Ela quer! Mas acho que vocês precisam dar mais condições a ela. Assim como torceu um pé poderia ter ficado aleijada ou coisa pior. – parecia minha advogada falando.

– Bem. Nós podemos providenciar um seguro. – olhou para o outro – Ela também podia ficar com aquela Uno enquanto estivesse por lá… – Arthur falou sem graça.

– De repente um celular também. Eu tô com dois aparelhos, posso ceder um meu. – Júlio olhou para mim – Você precisaria justificar suas ligações, sabe como é?

– Por mim! Não fico pendurada em telefone.

– Então, ficamos assim. – Arthur se levantou seguido por Júlio – Quando você voltar a gente conversa. Até lá, Alcides manda no seu lugar.

– Tá bom. – respondi.

– Abre a porta pra gente? – Júlio perguntou sem graça a Alex.

Ela abriu e eles se despediram. Quando partiram, comentou:

– Eu detestei esse Júlio. Sujeito saliente! Eu vi como logo olhou para suas pernas. E olha, eu tive vontade de dizer um monte de desaforo para os dois. Não disse com medo de você perder o emprego.

Levantei-me e ela veio correndo me ajudar. Segurou-me pela cintura.

– Você me pôs de castigo mas um beijo pode me dar? – olhei para ela – Adorei a advogada de defesa. Fiquei até arrepiada! – mostrei o braço.

– Você nem tem pêlos nos braços! Boba! – sorriu e me beijou com carinho.