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Tudo muda, tudo passa – Cap 8 – Parte 12

No último sábado de novembro foi o chá de panela de Soninha. Ele aconteceu na casa de uma tia dela, na Tijuca. Fomos para lá e havia muitas pessoas: a mãe dela, duas tias, a irmã, umas dez primas, as outras Feiticeiras, moças da igreja, parentes de Murilinho e garotas das lojas da família dela. Uma maluquice completa! Fizeram mil brincadeiras, pintaram ela, mandaram que cantasse… Alex e eu rimos demais. Mas tudo isso dentro de uma classe e decoro habitual para Soninha.

Ela ganhou vários presentes e ficou feito doida com tanta coisa. As pessoas foram se
 despedindo no final da tarde e as Feiticeiras combinaram que depois que tudo acabasse a noiva seria nossa. Por volta das oito da noite, Soninha foi conosco de carro para nossa casa e Aline e Taís nos seguiram no carro desta última.

Chegando lá, as meninas foram para rua e compraram doces e salgados na padaria. Aline comprou vinho tinto no mercadinho. Taís sacou uma revista de homens nus que havia trazido consigo para presentear a noiva. Alex veio trazendo taças e eu forrei o chão da sala com uma toalha plástica. Sentamos e ficamos comendo e bebendo.

– Ai gente, esse negócio de vinho, hein? Não quero me tornar alcoólatra! – Soninha olhava desconfiada para a taça em suas mãos.

– Deixa de ser boba mulher! Um dia só não vicia ninguém. Até Sam tá bebendo! – disse Aline enquanto comia um brioche.

– Dá uma olhada nisso aqui e pensa no que interessa! – Taís entregou a revista nas mãos de Soninha.

Alex estava sentada a seu lado e ambas arregalaram os olhos com o que viram.

– Minha nossa! É assim mesmo? Como é que eu vou conseguir… Gente, como vocês 
aguentam? – olhou para Aline, Taís e eu apavorada.

– Há um exagero nessas dimensões aí Soninha! – respondi – Mas eu nunca conheci um homem que gerasse uma, digamos, incompatibilidade dimensional!

– Nem eu! – Taís bebeu um gole de vinho.

– E hoje a lista dela já supera a minha de longe. – respondi.

– Faço minhas as palavras delas, – Aline levantou a mão – se bem que Ricardo tem um que… – revirou os olhos – ai, eu fico ansiosa só de lembrar! – sorriu.

– Eu já tive um, na verdade um negão que conheci num samba da Mangueira, que era sinistro! Mas não fugi do combate, não! A gente na cama pegava fogo!

Alex e Soninha ficaram vermelhas.

– Gente, e se Murilinho for assim? O que eu faço?

– Relaxa e aproveita. Melhor um pau grande que um anjinho barroco!

Alex riu e balançou a cabeça negativamente. Soninha jogou uma almofada na outra.

– Você é uma tarada sabia? Cruzes! – olhou novamente a revista – E olha, eu nem deveria ta vendo isso… – seus olhos comiam cada página.

– Não devia, mas tá, e bem atenta. Nem respira! – Aline brincou.

– Dona Alexandra também! – Taís acrescentou.

Ela ficou mais corada que nunca e respondeu sem graça:

– Eu só olho por curiosidade. Nunca vi…

As meninas ficaram sem graça ao ouvir isso e cheguei a ter um certo receio sobre o que aquela resposta trazia de oculto quando ela complementou:

– E cada vez mais me conscientizo que estou muito satisfeita com o que tenho em casa. – sorriu

– Touché pra você! – bati levemente com minha taça na dela.

Taís quebrou o clima das sem graça dizendo:

– É! Você gostou disso aí! – me deu um empurrãozinho – Fazer o que? – riu.

– Despeitada… – brinquei.

– Seja como for, gente. Eu tô apavorada! – comeu um doce – Me sinto a última virgem da face da Terra. Minha mãe diz que a primeira vez é tão tensa, tão complicada! Eu tô em pânico!

– Que nada! Depende do casal. Cada caso é um caso! – respondi – Eu não tive complicação nenhuma e foi bom pra caramba.

– Ah, é? Conta então! – Aline pediu – Se você não se incomodar… – olhou para Alex receosa.

– Absolutamente! Ela tinha uma vida antes de mim. – olhou para mim – Pode falar.

Bebi um gole do vinho e comecei:

– Bem, eu estava no ginásio e o nosso professor de química era disputado a tiro pelas garotas, mas ele não dava ideia pra ninguém. Isso me interessou, além do fato dele ser bonito. Aí eu comecei a dar umas olhadas, a jogar umas indiretas e aquela coisa… No final do ano ele veio com um papo de que esqueceu minha prova em casa e me chamou pra ir lá pegar. Ele morava perto do colégio.

– Você estudou aonde? – Soninha perguntou.

– Isso não interessa agora, fala Samantha. – Taís acelerou o papo

– Bem, aí eu fui lá, já sabendo que eu não ia ver prova nenhuma e quando entramos no apartamento dele, o cara me ofereceu um refrigerante.

Eu aceitei, a gente foi pra cozinha, bebemos guaraná e ficamos nos encarando, até o momento em que ele me puxou pela cintura e o agarramento começou. – bebi mais um gole de vinho – A gente foi se beijando e amassando pro quarto dele e ele me deitou na cama, que era de solteiro. Ficou parado de pé em frente a mim e foi tirando a roupa. Eu sentei e fiquei olhando extasiada. Ele ficou nu e eu o achei super gostoso. Tava completamente doida!

– E aí?? – Taís me olhava ansiosa.

– E aí ele disse: “Agora você.”. Eu me ajoelhei na cama e tirei a roupa bem devagar. Ele ficou super excitado e veio se aproximando. A gente voltou a se beijar e ele se deitou por cima de mim. Eu sentia o pau duro roçando e ficava maluca. Ele tava me preparando pra me deixar bem doida, e quando viu que tava na hora colocou dentro e foi bom pra caramba. A gente ainda transou duas vezes, em posições diferentes. Depois eu tomei banho, me arrumei e ele me levou de carro até o pé do morro.

– E depois, vocês treparam mais? – Taís quis saber.

– Treparam?! Que vocabulário! – Soninha reclamou.

– Umas três ou quatro vezes. Depois vieram as férias e eu me mandei. Ele ainda quis alguma coisa, mas depois desistiu.

– E ele não sabia que você era virgem? – Aline perguntou.

– Ele só soube no nosso terceiro encontro, mas acho que não acreditou.

– Você não sangrou? – Soninha perguntou.

– Não, e nem senti dor. Só um desconforto horas depois, que durou pouco também.

– Gente, mas que coisa! Eu não teria minha primeira vez assim. Você só queria transar criatura? – Soninha perguntou horrorizada.

– Só.

Eu contei a estória, mas tive vergonha por conta de Alex estar ali. Ela me olhava serenamente e não demonstrava nada. Também, ela já conhecia essa conversa.

– E você não ficou tensa e nem nada? – Soninha insistiu.

– Ela ficou com tesão garota! Não ouviu? – Taís riu.

– Quantos anos Sam? – Aline perguntou

– Treze.

– Treze?! – Soninha arregalou os olhos – E eu tenho 26 anos e até hoje…

– Conta você agora! – Aline pediu a Taís.

– Bem, nessa você me ganhou! – olhou para mim – Eu tinha 15.

– Quinze?! – Soninha perguntou – Também, por que eu me espanto ainda?

– Eu tava doida pra saber como era, mas só achava uns carinhas que não entendiam grande coisa de sexo e aí eu não queria. Até que meu pai descobriu que uns parentes nossos moravam na Nova Zelândia e eu tinha até um primo nascido lá. Aí o papi cismou que o cara tinha que passar as férias com a gente e ele veio mesmo. Quando eu o vi, nossa senhora!

– Como ele era? – perguntei.

– Alto, mais que você – apontou para mim – louro, olhos azuis, atlético e 19 anos de pura sacanagem…

– Era tudo o que você queria… – Aline disse.

– Se era! A gente foi fazendo amizade, e um dia nos vimos sozinhos em casa. Eu treinava meu inglês com ele e ele me falava várias coisas pra testar vocabulário. Aí, nesse dia falamos de sexo, e eu disse que era virgem. Ele perguntou se eu queria deixar de ser, e

respondi que sim. Não prestou! Estávamos na poltrona da sala e foi lá mesmo. As roupas voaram por toda parte – fez uma simulação com os braços – ele ficou em cima de mim, me beijou o corpo todo, enfiou um dedo pra conferir e eu arrepiei. Depois meteu pra valer e foi um arraso. Transamos desde aquela hora, que devia ser umas três da tarde, até a noitinha. Fiquei toda ardida! E fizemos de tudo! Mas não sangrei nem nada não.

– Tudo? Logo na primeira vez? – Soninha perguntou chocada.

– Tudo! Ele me chupou, eu chupei ele, e trepei de frente e verso… Tudo que tinha direito! – comeu um doce.

– Mas e depois Taís? – perguntei.

– Eu e ele vivemos em orgia por uma semana. Depois mamãe pegou a gente no banheiro e meu pai o colocou de volta pro país dele. Depois disso, nunca mais se falou nos parentes neozelandeses e eu fiquei de castigo por um mês, além de ouvir um monte de sermões.

– Gente! Eu nunca imaginei que a primeira vez de garotas pudesse ser assim! Pensava que só os homens gostavam dessa coisa tão… desavergonhada! – Soninha estava em choque. Olhou para mim e perguntou: – Você também fez tudo assim de cara?

– Menos por trás. Isso eu provei bem mais tarde e com outra pessoa. Mas nunca curti essa modalidade não.

– Eu nunca fiz por trás! – Aline disse.

– Agora é você comadre, desembucha! – Taís jogou uma almofada nela.

– Calma gente, eu ainda estou em choque! – Soninha bebeu vinho.

– Bem, eu tinha 17 anos, morria de medo de sexo e pensava em casar virgem. Aí arrumei um namorado do meu prédio e gamei nele. Com uns cinco meses de namoro ele começou a fazer a maior pressão e eu tive medo de perdê-lo. Minhas amigas da época já tinham transado e eu acabei achando que não seria nada de mais.

– E então? – Taís perguntou.

– E então que eu acabei dando pra ele dentro do carro do pai dele na garagem do prédio. Foi horrível! Eu fiquei nervosa, doeu, sangrou e nem gozei. Nós tivemos uma briga porque eu fiquei chorando e ele falava que eu era muito sem graça.

– Que cara babaca! – falei revoltada.

– Depois disso o namoro foi indo de mal a pior e eu mesma terminei. Contei tudo pra mamãe e ela me deu a maior força que eu precisava.

– Dona Zuzu é show! – Taís disse.

– Aí, tá vendo? E se for assim comigo também?

– Qual é Soninha, você já vai casar, pra que vai transar dentro do carro? – Taís perguntou debochando.

– Eu falo da parte de sangrar, doer e não gostar! Ai que medo! – roeu uma unha.

– Não Soninha! É porque eu fui boba de ter cedido a pressão e feito o que não queria. Meses depois eu arrumei outro namorado, um garoto do colégio, e quando a gente foi pra cama, um ano depois, foi muito bom e eu perdi a cisma com sexo. Prometi a mim mesma que só faço o que quero, tanto que Ricardo é doido pra fazer anal, bota a maior pressão e eu não dou mesmo!

– E para mim, ninguém pergunta nada? – Alex bebeu um gole de vinho e olhou para as meninas.

Elas ficaram quietas e não sabiam o que dizer. Sem esperar resposta, Alex disse:

– Eu não gostaria de fazer sexo pura e simplesmente. Só se fosse com amor. E também morria de medo de fazer amor com alguém que não me amasse igual. – olhou para Soninha. – Então entendo que você tenha esperado. Você é como eu. Só que quando eu encontrei a pessoa – olhou dentro dos meus olhos – e me senti segura, eu me entreguei. – abaixou a cabeça – Lógico que eu não sabia o que fazer, e nem como fazer, mas as coisas vão acontecendo naturalmente, e você ama por completo se a entrega acontecer sem ansiedades e cobranças. E aí é bom, muito bom.

Soninha gaguejou um pouco e perguntou:

– Mas, você… Estar com uma mulher deve ser mais… tranquilo. Não?

– Depende! – respondi sorrindo.

– Tranquilo por que você pensa em não haver penetração? Não é bem assim… – brincava com a taça vazia – Eu não senti dor, só um breve desconforto depois.

Soninha corou e abaixou a cabeça. Aline perguntou cheia de dedos:

– Mas isso foi antes do casamento de vocês?

– Pouco mais de um ano antes. – sorriu – Em janeiro.

– Dia 27 de janeiro de 1995! – complementei.

– E tu já chegou com tudo na garota logo de primeira? – Taís me bateu no braço.

– Fique sabendo que foi muito romântico! Eu conheci um aspecto do sexo que não conhecia; sexo com amor. – olhei para Alex.

– Foi lindo mesmo! E ela foi muito gentil. – dirigiu-se a Taís – A intimidade foi crescendo com o tempo.

– Mas todas vocês começaram com pessoas experientes! Eu vou começar com outro

 virgem!! Vai ser um fiasco! – cobriu o rosto com a mão.

Alex tomou suas mãos e disse:

– Soninha, vocês vão se descobrir juntos, e isso é bonito! Não tenha medo, não se cobre um desempenho fantástico e nem fantasie sobre como ele é ou deixa de ser. Seja você, veja o seu parceiro além do corpo que ele vai te oferecer e se entregue inteira. Vai ser muito bom! Sexo é descoberta, e toda descoberta vem junto com o inesperado! Por isso é excitante! – sorriu para ela – Eu fiz assim, e faço assim sempre. Eu me entrego de corpo e alma, e sinto cada momento como se fosse o meu último.

– Casa comigo? – pedi estendendo a mão.

Ela me olhou, sorriu e segurou minha mão. Cheguei mais perto e beijei sua testa.

– Olha, – Taís respirou fundo – mandou ver Alex! Vai nessa aí Soninha, e fica calma que vai dar tudo certo. – pegou a garrafa de vinho – Vamos brindar! – encheu nossos copos novamente – Ao amor, a estas belas e sábias palavras, ao seu casamento – olhou para a amiga – e a nossa amizade!

– Tintim! – Aline disse

Erguemos as taças e brindamos. Quase como na minha formatura.