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Tudo muda, tudo passa – Cap 6 – Parte 22

A casa de Nara ficava pertíssimo de uma praia chamada Praia das Conchas, a qual ainda é vizinha da praia do Peró. Naquela época ainda não havia o calçadão e tudo era um tanto selvagem, apesar de uma urbanização incipiente.

A casa tinha uma grande cozinha, quintal, dois quartos (um era suíte), banheiro e sala. Havia ventiladores de teto nos quartos e em todas as janelas uma fina telinha para impedir a entrada de insetos. Nara disse que pagava para que uma senhora da vizinhança limpasse a casa de tempos em tempos, e de fato estava limpíssima.

No dia seguinte todas nós acordamos por volta das oito. Tomamos café e fomos para praia. Ainda não estava cheia. Alex e eu aproveitamos bem a praia das Conchas e subimos nos dois morros que a ladeiam. O carnaval em Cabo Frio ainda não havia começado oficialmente e nós passamos a noite jogando baralho no quintal e jogando conversa fora. Ficamos em duplas: Alex e eu contra elas duas.

– Ô Nara presta atenção! Tá dando o jogo pra elas. – Sandra reclamou.

– Eu não daria se você não amarrasse todas as cartas…

– Calma gente é só um jogo. E o que importa se Alex e eu temos apenas uns mil pontos na frente de vocês? – perguntei debochadamente.

– É uma filha da puta… – Sandra ria.

– Não diga isso. Ela e eu é que sabemos nos entrosar bem no jogo. – Alex respondeu.

– Só no jogo? – Nara perguntou maliciosamente

Alex corou, sorriu de orelha a orelha e respondeu charmosamente:

– Em tudo!

– Ui! – Sandra se abanou

– Bati!

– Ah não, Sam! – Sandra reclamou – Chega! – jogou as cartas na mesa – Já perdi muito por hoje! – olhou para nós – Vamos atacar umas cervejas e conversar fiado!

– Vocês ficam com as cervejas. Samantha e eu com um mate gelado.

– Ai naturebas, tá bom! – Sandra se levantou – Eu vou buscar.

Fui atrás dela.

– Eu te ajudo! – disse

Levamos bebidas e copos lá para fora e de repente o telefone tocou. Sandra correu para atender.

– Agora eu entendo porque você pôs um telefone numa casa de veraneio. Vocês usam. – comentei

– Sandra é advogada, você sabe. E tem cliente que liga mesmo, em qualquer época. Aí eu pedi a linha, mas é ela quem paga.

– E vale a pena? Vocês não vêm aqui sempre – Alex perguntou.

– Vale. Telefone sempre vale a pena e todo feriado a gente aparece aqui.

Senti vontade de ir no banheiro e pedi licença. Sandra continuava no telefone falando sobre um caso de separação de bens. Quando saí do banheiro, me pareceu ouvir Sandra, com uma voz muito da melosa, chamando alguém de meu benzinho. “Ih, meu Deus, será que Sandra tá pulando a cerca ou eu tô ouvindo coisas?”

Cheguei no quintal e Nara e Alex conversavam e riam.

Por um momento tive pena de Nara. Ela era uma mulher de exatos 30 anos, morena, só que mais clara que eu, cabelos castanhos, meio ruivos, lisos, de comprimento médio pela altura dos ombros. Suas feições eram delicadas, seu corpo atlético, e dentes muito bonitos e bem alinhados. Sempre achei que Alex e ela eram donas das mais belas pernas que já vi na vida. Nara também era muito legal, parceira dedicada e atenciosa. Pensava sempre em tudo. Era veterinária, dona de sua própria clínica e de uma pet shop no Flamengo, e gente muito simples. Tive pena de acreditar que Sandra pudesse estar traindo alguém assim. Era muita sacanagem! Parei em pé ao lado de Alex, que me envolveu a cintura e colocou a cabeça na minha barriga.

– Alex estava me contando da primeira vez em que fez as compras do mês. – Nara sorria.

– Ah é. Foi anteontem. – olhei para ela – Ela não tinha a menor noção de nada, muito menos de preço.

– Ah não Sammy, escolher eu sei. Só nunca sei quando está caro ou não. Se me dissessem que o quilo do tomate custava cinco reais eu acharia barato!

– Nossa! – Nara riu – Mas isso é esperado, afinal você não nasceu na família real por muito pouco! É natural que não tenha esses hábitos e nem noção de preço.

– Mas ela tá aprendendo. Quando a conheci já sabia cozinhar e agora está aprendendo os outros serviços domésticos.

– Nós dividimos as tarefas muito bem. Mas há coisas que eu não faço.

– Como o quê? – Nara perguntou curiosa.

– Limpar carne, galinha ou peixe e jogar o lixo fora. Isso tudo sou eu que tenho de fazer.

– Ai, mas que princesa… – apertou o queixo de Alex.

– É. A minha princesa. – beijei sua cabeça. Ela olhou para mim e beijei-lhe os lábios

Nesse momento Sandra apareceu desconfiada dizendo que era um cliente que estava se separando. Sandra tinha a mesma idade de Nara, era da minha altura e extremamente parecida com a cantora Ivete Sangalo. Daí muitos a chamavam de Ivete no posto 6 de Copacabana, onde jogamos vôlei. Tive vontade de dar um soco nela, mas além de não ter certeza da traição, isso não era assunto meu.

No dia seguinte acordamos cedo de novo e caminhamos até o final da praia do Peró. Era um ponto bem destacado e deserto e nós ficamos bem a vontade. Descobri uma região imprensada entre pedras que se assemelhava com uma pequena piscina. Chamei Alex para ir comigo lá. Sandra e Nara torravam na areia.

– Que coisa linda! Esse lugar é um paraíso! Não deixa a dever para a costa da França.

– É? Melhor é a companhia. – abracei-a pela cintura.

– Sammy, quer sossegar? – disse fazendo dengo.

– Eu tô querendo tudo, menos sossegar. – beijei seu pescoço e enfiei a mão por dentro de sua calcinha de biquíni.

– Sammy!! Estamos na praia e elas estão logo ali. – tentava se desvencilhar.

– Linda, esse trecho aqui é deserto e elas estão deitadas de bruços tomando sol. Ninguém vai ver nada. Vem aqui, vem… – continuei abraçando, beijando e passando a mão por onde queria

– Sammy, pare! – ficou de costas pra mim.

– Hum, você quer assim? Ótimo! – pus uma das mão por dentro do sutiã do biquíni e a outra encontrou sua abertura

– Oh, Sammy, don’t, don’t, oh Sammy… – arqueou as costas e deslizou a mão pela minha nuca.

Empurrei a nós duas para debaixo d’água e virei-a de frente para mim. Começamos um amasso gostoso e suas mãos começavam a me explorar.

Fomos caminhando para areia e Alex estava corada como nunca havia visto.

– Elas nunca vão desconfiar que a gente fez amor na praia com você vermelha desse jeito! – ri

– Sem vergonha! – me deu um tapinha no braço – Agora vamos ficar assim, molhadas, até o hora de tomar um banho.

– Mas na praia se fica molhada mesmo! – respondi brincando.

– Você entendeu! – fez careta sorrindo.

Nara virou de frente para continuar o bronzeamento e pôs a mão sobre os olhos para falar conosco.

– Que horas são? – olhou para Alex – Por que você tá tão vermelha??

E mais vermelha ela ficou.

– Bobagem! O sutiã dela abriu de repente e aí ficou com vergonha. – menti.

– Vergonha de que criatura? Só nós estamos aqui, e nós duas nem vimos nada. – Nara respondeu

– Infelizmente! – brincou Sandra.

– Sandra, cuidado, viu? – mexi com ela.

Sentamos na canga debaixo do guarda sol. Comecei a passar protetor nas costas de Alex.

– E então Alex? E a vida de casada?

– Maravilhosa Sandra. Estou adorando.

– Samantha deve ser boa companheira. – disse Nara.

– Ela é. – olhou para trás e me encarou de soslaio – Muito safada, mas é. – sorriu.

– É assim que você adora! – beijei seu pescoço.

Ela sentiu cócegas e riu.

– Com o tempo você vai perder essa timidez excessiva! Eu também era assim.

– Mas eu fiz tratar dessa timidez logo logo. – Sandra respondeu.

– Essa aí sim, é que é muiiiito sem vergonha. – Nara bateu na bunda da outra.

– Ei!

– Então estamos bem arranjadas. – Alex brincou

Almoçamos às três da tarde, e a comida de dona Rosali era sempre ótima. Voltamos para um jogo de vôlei na praia e rapidamente éramos quase vinte pessoas, homens e mulheres, jogando animadamente. Uns rapazes ficaram dando a maior bola para Alex e até nos convidaram para sair à noite. Eu fiquei uma fera, mas ela, como sempre, não deu a mínima para eles.

Por volta das nove da noite, nos arrumamos para sair. Alex vestiu uma curta saia jeans de cintura baixa e uma blusinha verde, deixando o umbigo de fora. Eu usei um vestido vermelho decotado nas costas e pouco acima do joelho.

– Ai Sammy, essa sua roupa é muito provocante. Vai ter um monte de homens em cima… – Alex disse mansamente só que contrariada

– Você já se olhou no espelho? Está deliciosa e tenho certeza de que vai me dar trabalho… – abracei-a pela cintura – Relaxa! – beijei seu pescoço – Não vou dar mole pra ninguém não. Você sabe que eu ando bem comportada desde que a gente começou a namorar, não sabe? – cheirei seu pescoço – Hum, que perfume bom…

Ela sorriu e se afastou.

– Pare! Vamos indo senão você vai querer alguma coisa e atrasa todo mundo… – caminhou sensualmente até a porta do quarto.

Fomos no carro de Nara para a praia do Forte e havia muita gente lá. Um carro de som animava o pessoal com música baiana e a gente dançou muito. Vários caras chegaram em Alex e eu mas nós demos fora em todos. Sandra e Nara passaram pela mesma coisa.

Reparei que Sandra paquerava uma garota acompanhada e ela parecia corresponder.

“Gente, como eu nunca reparei que Sandra era assim?”

Elas beberam muita caipivodka e por volta das 3:00h voltamos para casa. Dessa vez, eu vim dirigindo.

Jogamos vôlei com quase o mesmo pessoal do dia anterior. Uma hora parei para beber água e Alex veio atrás. Um dos carinhas que dava em cima dela se aproximou e perguntou:

– Agora que tô vendo. Tu é casada! – olhou para a mão dela – E você também. – olhou para a minha

– Pois é. – respondi sem muita graça.

– E quem é o louco que deixa uma gata dessa sozinha? – olhou Alex de cima a baixo e perguntou fazendo “voz de sedutor”

– Mas eu não estou sozinha. – segurou minha mão e voltamos para a roda jogar.

O cara ficou embasbacado e demorou alguns minutos para voltar ao jogo. Depois, ao final de tudo, eu o vi cochichando com os colegas, e alguns deles nos olhavam com cara de tarado.

– Eu juro que se algum babaca desses vier com idéia de ménage a trois eu quebro os dentes…

– Calma Sammy, nada disso. Desprezo, essa é arma. Você precisa aprender a controlar essa fúria. – pôs a mão sobre meu braço me acariciando.

– Eles é que têm que aprender a se controlar…