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Tudo muda, tudo passa – Cap 6 – Parte 21

Acordei às 8:50h. Alex estava deitava sobre mim, como sempre gosta e estávamos muito suadas. De madrugada eu desliguei o ar e agora sentíamos o calor do dia. Levantei-me com cuidado e fui tomar banho e lavar o cabelo. Estava ardida e com as costas e braços bem arranhados.

Quando acabei me olhei no espelho e mirei minha mão usando aliança no anelar esquerdo. “É, eu casei. E que mulher eu tenho Deus do céu. Obrigado por ela, muitíssimo obrigado. Eu não poderia querer mais”. Respirei fundo. “E que noite!”

Vesti uma blusinha branca de alça e uma saia azul. Arrumei a bagunça de roupas que estavam jogadas pelo quarto e depois fui na padaria comprar pão e sorvete. Preparei um café da manhã esperto. Ouvi um barulhinho no quarto e deduzi que Alex deveria ter acordado. Eram 10:30h.

Cheguei na porta do quarto e me encostei na parede com os braços cruzados. Ela se espreguiçava como uma gata, ainda com os olhos fechados.

– Acordada minha princesa das Arábias? – perguntei sorrindo.

Ela sorriu, abriu os olhos e respondeu preguiçosa:

– Você acabou comigo, viu sua tarada?

– Tarada, eu? O que você pensa de mim garota? – caminhei até a cama – Você me faz um show daqueles e achou que iria ficar inerte? – engatinhei até ela e me deitei a seu lado – Não sabe como me deixou louquinha… – puxei-a pela cintura e beijei seus lábios – Bom dia minha delícia. – sorri e esfreguei o nariz no seu.

Ela me envolveu o pescoço com os braços e me beijou mais demoradamente. Enquanto isso me posicionei para deitar sobre ela, que abriu as pernas e se posicionou. Apoiei meu peso com os cotovelos. Entre nós, além de minhas roupas, o lençol nos separava.

– Não me provoca Alex. Eu já tô doida pra tirar minha roupa e esse lençol safado que te cobre… – mordi seu pescoço.

– Oh,no my love! – riu – Eu estou deliciosamente arrasada. – respirou fundo – Ai, acho que vou ficar pelo menos 24h sem fazer amor… – sorriu e fechou os olhos – Você definitivamente acabou comigo… – abriu os olhos e deslizou o indicador por minhas sombrancelhas.

Beijei-a novamente e me levantei, sentando-me na beirada da cama. Ela permaneceu

deitada e segurando minha mão esquerda.

– Você fica bem com aliança de casada. – beijou minha mão.

– Fico melhor ainda casada. – sorri – Mas me responde uma coisa, como conseguiu estas roupas e adereços? E desde quando sabe dançar estas danças de árabe?

– Lembra que eu conheci Paulinha em um dos cursos que fiz na arquitetura? Foi ela quem me chamou para que fizéssemos um curso de duas semanas sobre dança árabe lá na

Educação Física. Eu não contei nada para você não desconfiar que um dia eu dançaria assim na nossa intimidade. E as roupas e adereços são dela. Comprou para agradar a namorada.

– Quando foi esse curso?

– Em novembro. Você andava trabalhando muito e eu aproveitei para ir preparando essa surpresa. – pausou um pouco – Zangada? –perguntou insegura.

– E por que ficaria? Por que a minha mulher além de linda,- beijo – gostosa, – beijo de novo – inteligente, – mais beijo – interessante, simpática – beijo- e sensual – beijei-a três vezes enquanto ela sorria – ainda é uma dançarina de primeira? Não, nem um pouco!

– Sou tudo isso? – perguntou sorridente.

– E muito mais. Escuta, por que você não acaba com essa preguicinha, toma um banho e vem tomar um café reforçado comigo? Eu preparei um desjejum maneiro.

Ela continuou sorrindo e respondeu:

– Eu vou fazer isso. Preciso de apenas mais cinco minutos.

– Quer que eu te leve pra tomar banho.

– Não… Se eu deixar isso você vai abusar de mim durante o banho. – acariciava meu braço delicadamente.

– Prometo que me comporto. – fiz cara de santa – Além do mais eu posso lavar seu cabelo, massagear suas costas…

– Hum… – fingiu pensar no assunto – Tentador! Mas não, Sammy. Eu preciso me recuperar da M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A noite de ontem.

Levantei da cama e fui até a porta do quarto. Parei e me virei para ela.

– Tá bom eu vou te esperar na cozinha. E à propósito, eu adorei a surpresa e a noite foi mesmo M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A! Você é uma amante e tanto!

Senti que ela ficou radiante ao ouvir isso e animadamente abraçou-se ao travesseiro.

Na segunda feira comecei o trabalho com professor Ramirez em Bonsucesso e a coisa estava uma loucura. Trabalhamos muito e eu chegava em casa por volta das 18:30h. As aulas de Alex começariam em março, após o carnaval, então ela ficava em casa. Quando eu chegava, fazíamos amor durante e após o banho, quase todos os dias.

Dia 15 de fevereiro a UFRJ marcou a tal cerimônia onde seriam entregues os títulos

honrosos aos alunos de melhor desempenho acadêmico. A premiação misturava gente de todas as carreiras e levava em consideração a média final do aluno, ao longo dos anos, e o tempo que este levou para se graduar. Da engenharia só havia eu, os demais eram praticamente formandos em Letras, Música, Artes, Direito, Medicina, Biologia e Administração. Ao todo, éramos dez pessoas.

A cerimônia aconteceu no Centro da cidade, durou três horas e contou com alguns
discursos por parte dos mestres representantes da universidade. Recebemos abraços e tapinhas nas costas. Ao final, um coffee break e uma distribuição de chaveiros e agendas da UFRJ. Simples, mas emocionante. Há um certo glamour no meio daquela simplicidade e só o fato de se saber ganhadora de tal reconhecimento já é incrível. Alex se emocionou bastante e eu fiquei muito feliz de tê-la comigo para dividir o momento. Mentalmente, ofereci a menção honrosa a vovó, para que soubesse e se sentisse um pouco responsável por tudo aquilo.

Chegando em casa, comemoramos ainda com sorvete, chantilly e morangos na cama, provando e lambendo cada pedacinho de pele e doce. Dormimos bem tarde.

Meus trabalhos com o professor duraram pouco e acabaram nas vésperas do carnaval, que foi exatamente quando meu diploma ficou pronto. Liguei para Arthur e ele não estava. A secretária me passou para um tal de senhor Júlio, que me fez verdadeiro interrogatório por telefone. Por fim, disse que era Arthur quem selecionava as pessoas e por isso deveríamos esperar que voltasse, o que só aconteceria na quinta-feira. “Depois dizem que é só no serviço público que se vê moleza!”

Alex gostou da notícia, pois poderíamos passar o carnaval juntas. Sandra e Nara convidaram para irmos com elas para Cabo Frio, e aceitamos, apesar de meus receios no quesito contenção de despesas. Alex disse que guardava o dinheiro que vó Dorte dava e havia uma boa soma no banco. Poderíamos fazer certas pequenas extravagâncias. Do dinheiro que ganhei no concurso ainda havia sobrado algum.

Decidimos viajar na quinta à noite e fomos no carro de Alex, seguindo Sandra e Nara. Eu fui dirigindo.

– Amor, você não acha mesmo que aquele meu biquíni vermelho está muito apertado? E o verde? Afinal eu engordei um pouco…

– Ah não Alex, você não engordou! Você tá malhando e ganhou mais corpo; mas corpo sarado e não gordura. – olhei-a com o rabo do olho – Ficou deliciosa demais nos biquínis. Nem sei como vou te deixar usá-los sem tirar de você toda vez que a gente se arrumar pra ir pra praia.

Deu-me um tapinha no braço e sorriu:

– Você é uma tarada, sabia? – pausou – E o seu biquíni azul é que eu acho muito cavado! Deixa pouco para se adivinhar…

– Que é isso? É um biquíni… normal.

– Normal? Sei. – olhou para mim – Eu noto como Sandra repara bem em você usando seu biquíni… “normal”. – fez aspas com os dedos.

– Que é isso lindinha? Sandra me conhece há anos e ela nunca me deu idéia. Além do mais ela tá com Nara há sabe-se lá quanto tempo.

– Ela nunca “te deu idéia” porque achava que você era hetero convicta demais para tal. Depois já viu você comigo, e então ficou meio sem graça de abordá-la.

– Ah, não acredito que você tá com ciúmes dela… – mordi seu pescoço.

– Sammy, presta atenção na estrada! – pediu temerosa – E sim, eu fico de olho sim e presto muita atenção no que é meu. – disse fazendo um charminho.

Sorri e olhei para ela rapidamente.

– Não precisa ter medo. Ela não tem a menor chance. – olhei para ela – E nem nenhuma outra.

Alex sorriu e delicadamente virou meu rosto para frente.

– Preste atenção na estrada!

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