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Tudo muda, tudo passa – Cap 6 – Parte 2

E chegou a hora da colação de grau; mas aquilo era um evento simbólico. A verdadeira colação, para mim, aconteceu na tarde do dia anterior. Para outros, aconteceria bem depois, no ano seguinte.

Minha turma elegeu um casal de oradores e eu fui indicada. Quando cheguei no púlpito não carregava um discurso preparado, mas falei com o coração. Ao final, lembrei minha avó e a todos os brasileiros vítimas da violência urbana, e isso desencadeou palmas que pareciam incessantes. Muitos ficaram de pé. Na homenagem a família, entreguei uma flor a seu Neneco e outra a dona Maria e ambos ficaram comovidos. A placa com meu retrato dei para Alex e ela chorou.

Ao final da cerimônia fomos para a festa no Jóquei Clube. Seu Neneco e dona Maria ficaram sentados papeando e comendo, mas seus filhos, as Feiticeiras, dona Zuzu, Alex e eu nos acabamos de tanto dançar. Quase no final da festa, chamei Alex para um cantinho destacado e criava coragem para tomar um passo importantíssimo na vida.

– O que é amor? – ela sorria.

Estava linda com um vestido verde tomara que caia, brilhoso. Eu usava um azul, de alcinhas, e bem decotado nas costas.

– Eu queria te dizer uma coisa. Mas, por favor, espera eu acabar de falar porque tô treinando isso faz tempo.

– Hum, hum! – mordeu o lábio inferior

– Ontem você falou das minhas conquistas e do valor que elas têm. Mas pra mim, a maior e mais importante delas está aqui, diante de mim. – peguei uma caixinha preta – Eu não sei como deveria fazer isso, mas meu coração está emocionado demais e eu mal posso me controlar, então…– abri a caixa – acredite quando digo que te amo demais e não vejo mais sentido na vida se não for com você e do seu lado, pro que der e vier. Eu sei que não posso te dar muitas coisas, mas dou minha vida se for preciso. – ajoelhei-me – Casa comigo, vive comigo e passe o resto da vida comigo porque eu preciso, e prometo que vou fazer o meu melhor pra você ser feliz e nunca se arrepender de ter me escolhido! – meus olhos estavam marejados de lágrimas. Ela pôs a mão sobre os lábios e chorou balançando a cabeça.

– Eu nunca ouvi nada tão lindo a vida inteira! Levanta desse chão sua maluquinha! – segurou-me pelas mãos. Eu me levantei.

– E isso quer dizer o que?

-Claro que eu quero, meu amor! Você sempre foi tudo o que queria! Sim, sim, sim!!!

E nos abraçamos e ficamos assim por longos instantes.

– Posso pôr a aliança em você?

– Claro Sammy!

Coloquei a aliança em seu anelar direito e o beijei em seguida. Ela pegou a outra aliança e me pôs no dedo. Beijou-me a mão duas vezes.

– Eu arrumei uma quitinete em Copacabana, na verdade ela é de uma amiga da Zuzu. É pequena, tem uma sala, um quarto, um banheirinho e uma cozinha modesta. Pra mim é boa até demais só que você tem costume de coisa melhor! – abaixei a cabeça e depois tornei a encará-la – A dona acabou de reformar porque o inquilino anterior saiu, e eu pedi pra ficar lá, mas é claro que eu quero que você veja pra dizer se gosta ou não. Ela disse que no dia que a gente quiser ver é só telefonar uns minutos antes e ela nos mostra. Só pediu que fosse depois do ano novo. Aluga mobiliada e tudo!

– E eu não vejo a hora! – mostrou-me um sorriso largo.

– Vai ter coragem de ir morar comigo em um lugar mais simples?

– Já estive com você e sua avó no morro, lembra? Só voltei para a casa de meus pais porque você pediu.

-Eu sei! –sorri – Então eu posso marcar um dia com ela?

– Quando quiser!
– Quando a gente se mudar, eu vou querer celebrar o nosso casamento. Assim, a gente sabe que vai se mudar em um determinado dia, aí na véspera a gente se casa. Que acha?

– Maravilhoso! – abraçou-me emocionada.

Gastamos uns instantes apenas no olhando quando olhei para o salão e falei:

– Vamos, a festa que nossos convidados nos esperam!

Passamos no banheiro para nos recompor e voltamos a dançar. Aline foi a primeira que reparou.

– É impressão minha ou vocês noivaram?

– Isso! E ano que vem a gente casa! – respondi.

– Ih, Sam, te pegaram de jeito mesmo, hein? E eu nunca imaginei que seria uma loura…Mas foi melhor assim. Se você abriu mão dos gatinhos eu aceito a missão de cuidar deles por você.

– Fique à vontade Taís!

– Vamos brindar! – disse Alex – Garçom, por favor! Champagne aqui para nós!

– Eu não bebo… Gente, e o pecado da bebedeira?

– Nem a gente bebe Soninha! É só um brinde! Sem bebedeira!– respondi.

Pegamos cinco taças: uma para cada Feiticeira e outra para Alex. Levantamos os copos para brindar e nesse momento um fotógrafo registra a cena. A foto ficou linda! Estamos sorrindo, felizes e cheias de entusiasmo. E esta é a foto de abertura do meu álbum de formatura.

sig_Raydon