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Tudo muda, tudo passa – Cap 6 – Parte 19

E tudo foi se resolvendo rapidamente. Assinei o contrato com dona Márcia e peguei as chaves. Alex e eu fizemos uma baita limpeza no final de semana, para preparar o apartamento, e morri de rir com a falta de jeito dela. Falei com o rapaz do frete e ele levou as coisas que eu queria: geladeira, fogão, panelas, roupas, sapatos, livros e pequenos objetos. Alex falou com o primo de André, e ele levou o armário, a cama, a mesinha do computador, o próprio computador, a TV dela e um milhão de roupas, sapatos, livros, bichos de pelúcia e produtos de beleza. Além de alguns quadros e duas obras de arte. Penamos para achar lugar adequado para aquilo tudo.

Ao final, este trabalho tomou uma semana e meia.

Eu continuava trabalhando com o Ramirez e perturbando a secretaria quase todos os dias atrás do meu diploma. As aulas de Alex ainda não haviam começado. Estávamos no dia 30 de janeiro. Em meio aos preparativos da mudança, liguei para Aline e Taís e falei da festinha. Aline disse que a mãe poderia arrumar um lugar e Taís disse que estava saindo com um cara cuja mãe era dona de um pequeno buffet. Liguei para Soninha e pedi um grande favor:

– Soninha, tudo bem? É Samantha.

– Criatura você sumiu! Por onde andava? – parecia feliz em falar comigo.

– Viajei com Alex para Europa. Ela me deu isso de presente de formatura. E agora estamos feito formiguinhas montando nossa casa.

– Deus!!!! – gritou no meu ouvido – Que chique, gente! Conta, conta tudo! Quando vocês voltaram? Como é que é lá a Europa? Você viu a neve? Deus do céu! Viu algum artista por lá??

– Calma Soninha eu conto tudo, mas pessoalmente. Na verdade eu tô te ligando pra te fazer um convite e um pedido. O convite é pra você ir na minha festa de casamento e o pedido é para você celebrá-lo. A parte religiosa, eu quero dizer. – estava com medo da reação dela Soninha gastou alguns segundos muda e me perguntou surpresa:

– Quer que eu celebre seu casamento?!

– Não imagino pessoa melhor.

– Nossa! Sam… – sua voz estava emocionada – Eu não… eu… Deus, eu nem sei… Ah, mulheres não podem celebrar cerimônias religiosas e nem sou ordenada, além do mais…

– Soninha, minha religião chama-se Deus, e nessa religião uma mulher pode fazer o que quiser, desde que não prejudique a si e nem aos outros. Não quero uma “ordenada”, nem um padre, pastor ou seja lá quem for. Quero alguém que fale com o coração pensando em Deus, que seja amiga, e é o que nos basta. Pensei em você e Alex concordou na hora. Se não quiser ir por não se sentir à vontade por conta de ser um casamento homossexual nós vamos entender, mas eu gostaria imensamente. Pense e depois me diga.

Ela permaneceu calada até que respondeu:

– Não há o que pensar. Me diga onde e quando e eu irei. – parecia muito emocionada – Este foi o convite mais bonito que já recebi!

Alex e eu ainda não dormíamos na quitinete, mas no apartamento dela. Nossa vida estava uma loucura, mas combinamos que só ocuparíamos efetivamente a casa nova após a cerimônia. E deu certo porque estava tudo arrumadinho só esperando por nós duas mudarmos de endereço, definitivamente.

Marcamos o grande dia para 2 de fevereiro, sábado, com início às 17:00h. E foi um dia bastante intenso na minha vida. Comecei acordando bem cedo, antes de Alex, e fui para o morro acertar as coisas com seu Neneco e o filho. Não falei do casamento. Acho que seu Neneco sabia de nós, mas se sentia mais à vontade fingindo não saber e eu respeitava o jogo dele; afinal era uma boa pessoa à qual eu devia muito. Disse a Mazinho que a casa era meu presente de casamento e ele se emocionou bastante; ele e o pai na verdade.

– Pôxa menina! – lágrimas escorriam dos olhos – Eu não esperava por isso! Já contava em começar espremido aqui na casa do pai e depois fazer um puxadinho, mas agora… – sorriu para o pai – Espere até a Carol saber disso! – olhou para mim – E ela sempre achou tua casa super bem posicionada aqui no morro… Cara, tô sem palavras… – passou as mãos no rosto – Cara, é foda… – sorriu.

– Olha essa boca menino! – seu Neneco respondeu irritado.

– Deixa ele! – pus a mão em seu braço – Está feliz e isso é bom. – olhei firmemente para ele – Desejo tudo de bom e muitas felicidades. – comecei a me emocionar – Eu criei meus sonhos ali e agora vejo que eles estão se concretizando. Espero que vocês possam dizer o mesmo.

– Dá um abraço aqui garota. Gosto muito de você. Você é foda!

– Mazinho!!! – seu Neneco estava furioso.

Fui até meu lugar de pensar e olhei a vista ao redor. Rio de Janeiro, lindo, lindo, lindo, e a pobreza contrastante de suas favelas. O vento acariciava meu rosto devagar e meu coração se encheu de paz. Senti como se vovó estivesse falando comigo, desejando felicidades e sucesso na nova etapa da vida. Fechei os olhos e uma lágrima me fugiu lentamente, escorrendo pelo meu rosto como se não quisesse partir. Estava me despedindo do passado e as emoções eram mistas, boas e ruins. Abri os olhos, respirei fundo e desci as escadas, sorrindo e bem devagar. Meu coração dizia adeus, sabia que um ciclo em minha vida terminava naquele dia.

Depois de sair do morro passei por pequenas lojas e camelôs procurando bijuterias que me agradassem e encontrei. Não tive cabeça para almoçar. Fui no banco sacar dinheiro para pagar pelos “comes e bebes” que Taís encomendou para a mãe do seu “ficante”. Busquei um orelhão e liguei para ela.

– Tatá é Sam. Tudo certo com a sogrona?

– Só não tá certo é que ela é minha sogra!- riu – Mas se você quer saber das comilanças, ela e a ajudante vão chegar lá às quatro horas. A empregada da Aline tá sabendo e já vai estar de plantão esperando.

– Ai, eu vou ligar pra Aline também.

– Relaxa garota! Vai dar tudo certo. Relaxa.

Logo em seguida liguei para Aline. Dona Zuzu reservou um dos salões de festa do seu próprio condomínio para nossa festa. A empregada, Maria, atendeu.

– A dona Aline tá no salão com a mãe, mas fique tranqüila que eu estou de olho e o salão já está todo decorado.

“Decorado? E dessa eu não sabia…”

Pensei em Alex. Ela disse que se aprontaria junto com Aline. Que estaria fazendo aquela hora? Liguei para Soninha e ela confirmou a ida e a celebração da cerimônia. Peguei um ônibus correndo para a Barra, o qual, aliás, demorou muito para chegar ao destino final. Entrei no Barra Shopping e pela primeira vez na vida coloquei os pés em um salão de beleza de verdade para fazer o cabelo, unhas e maquiagem. Saí de lá às 16:10h morrendo de medo de me atrasar. Entrei correndo no condomínio de Aline; minha roupa estava na casa dela. Dias antes, eu já havia comprado, sem Alex saber, um vestido de seda azul, de comprimento médio, e um par de sandálias prateadas. Parei em frente a porta às 16:35h e o coração estava quase pulando para fora. Maria veio me receber.

– Calma, mulher… – sorriu – Ainda tem tempo. E olhe, você já está muito bonita. – apontou para dentro – Venha!

– Obrigada – entrei correndo – mas ainda tenho que tomar banho e me arrumar.- entrei no banheiro e fechei a porta – Escuta Maria. – abri a porta de novo – A moça do buffet veio?

– Elas chegaram umas quatro horas e já arrumaram as coisas. Eu já tô descendo pra lá de novo.

Fiz tudo correndo e sem sair do banheiro. Olhei para minha imagem refletida no espelho e me achei bonita. O vestido caiu bem, era frente única com um belo e elegante decote na frente. Meu cabelo estava com um novo corte, todo picotado, e a escova deixou-o muito bem modelado.

Tentei me acalmar e pensei se Alex gostaria da forma como me preparei para ela. Saí do banheiro e desci para o salão tentando controlar minha ansiedade. Chegando lá, me surpreendi com o que vi. Alex e dona Zuzu haviam providenciado flores e uma senhora decorou tudo, de manhã bem cedo, com rosas chá. Estava lindo! Foi Maria que me disse isso. Dolores estava lá e fez um bolo maravilhoso, lindo, decorado com glacê branco e rosa e com duas bonecas desenhadas no papel de arroz. Foi um presente que nos deu e isso particularmente me tocou. André a ajudou a levar o bolo, e ele estava lá também. Ambos me olharam admirados e sorriram. Foram os primeiros rostos que vi no salão.

– Dolores… Gente…– aproximei-me deles- Eu… eu…. Não sei o que dizer.

– A senhorita Flatcher é uma excelente pessoa e patroa. Não poderia deixar por menos. – sorriu – Eu não entendo muito bem como pode ser este casamento mas… – abaixou a cabeça. – É uma escolha e… – olhou para mim – os homens não valem nada mesmo! Ela que fez certo! – sorriu.

– Ei, calma aí gente. – André levantou as mãos sorrindo – Não desistam da nossa raça assim tão rápido.

– Agora já é tarde… – rimos os três – Obrigado por terem vindo.

– É… com licença. – uma senhora me abordou.

– Sim. – olhei para ela – A senhora deve ser a dona do buffet.

– Eu mesma. Magnólia, é um prazer. – estendeu a mão.

– Igualmente. – apertamos as mãos.

Fiz o pagamento e a ela, que logo se foi, e a ajudante ficou para servir as mesas e manter tudo em ordem. Seriam poucas pessoas e ela daria conta. Maria também estava dando uma força.

Não demorou e Taís chegou toda produzida e fazendo muito barulho.

– Fala, Samantha velha de guerra. – abriu os braços. – Cara, cê tá M-U-I-T-O gata!!!

Nós nos abraçamos alegremente.

– Agora já era Taís, eu vou me casar. – olhei para ela sorrindo.

– Se eu não gostasse tanto de homem te tirava do altar! – olhou em volta – Poxa e ficou bonito isso aqui, hein? Epa! – me cutucou – Quem é aquele ali?

– É André, motorista da Alex. – falei mais baixo – Mas vê se sossega porque eu desconfio que ele é cacho da piruona e eu não quero mais problemas com a minha “sogra” do que já tenho.

– Tá bom! Mas olha, a despeito do marido a pirua sabe escolher homem!

– Ai, gente, que lindo! – era a voz de Soninha.

Olhamos na direção dela.

– Sam, você está linda! – veio correndo me abraçar.

– Vocês duas também, aliás. Taís exuberante e você parece um anjinho!

– Olha eu trouxe a Bíblia. – mostrou-me o livro – Aonde será feita a cerimônia?

– Ali. – apontei para perto da mesa onde os doces e o bolo estavam – Perto da mesa há um púlpito decorado com flores. Acho que deve der ali.

– Aliás, isso deve ser coisa que Zuzu trouxe da emissora pra colocar aqui. E ficou maneira essa decoração. Tudo com rosas chá, a arrumação da mesa, as flores no púlpito. Show. – Taís olhava admirada.

– Agora, gente, faltam cinco minutos, deixa eu me concentrar naquilo que vou dizer a vocês. Dá licença.

Soninha foi até o púlpito e ficou falando baixo consigo mesma. E de repente chegou todo mundo numa tacada só: Caio, mestre Tião, Sandra e Nara, do vôlei, dona Zuzu e Paulinha, uma colega de Alex que fazia Letras. Todos me abraçaram, elogiaram e disseram coisas que não ouvi, dada minha ansiedade.

– Dona Zuzu, cadê Alex? – perguntei aflita.

– Calma filha, ela não desistiu. Esta vindo aí com Aline. Só mais segundinhos.

E quando eu menos esperava, Aline apareceu e anunciou:

– Agora o grande momento! Sam, fique calma – apontou para mim e correu até um aparelho de som que eu nem tinha visto ainda – Alexandra, pode entrar.

A marcha nupcial começou a tocar e ela surgiu. Linda, linda, mais linda do que eu já havia visto desde que a conheci, como se fosse possível. Usava um vestido branco na altura dos joelhos, do tipo tomara que caia, muito bonito. Os sapatos eram brancos e super elegantes. Usava um colar e brincos como que diamante. Seus cabelos curtos estavam impecáveis e a maquiagem era suave, destacando o lado juvenil de seu rosto perfeito. Segurava um pequeno buquê de rosas brancas e chá e estava usando o relógio que lhe dei no natal, combinando perfeitamente. Caminhava em minha direção, olhos fixos nos meus, e eu não via ou ouvia mais nada. O mundo havia parado e meu mundo era ela, e sempre ela e somente ela.

Estávamos muito emocionadas, mas não chorávamos, apenas transparecíamos as emoções através de nossos olhos e sorrisos. Quando se aproximou, segurei sua mão direita e beijei-a ternamente. Caminhamos até o púlpito e Soninha nos aguardava com a Bíblia aberta e um sorriso emocionado.

– Queridos amigos, por favor, peço muita atenção ao momento que se inicia agora, pois duas pessoas estão dispostas a jurar seu amor recíproco perante nós, e devemos honrar isto. – olhou para nós – Estão prontas?

– Sim. – dissemos quase ao mesmo tempo, e nos entreolhamos sorrindo.

– Boa tarde a todos, estamos aqui para comemorar uma união bem diferente do tradicional, e eu particularmente me sinto honrada por dirigi-la. Gostaria de iniciar fazendo um relato particular que, certamente, talvez traga coisas que se passaram no coração de cada de um vocês aqui. – pausou – Conheci Samantha no primeiro dia de aula na faculdade, pois foi a pessoa que se aproximou de mim e me ajudou a ter coragem de enfrentar os veteranos e os trotes. – olhou para mim e sorriu – Apesar de muito diferentes, permanecemos amigas e me habituei a ver Samantha sempre com seus namorados, e bonita, charmosa, dona de uma personalidade forte, marcante, apaixonante. Confesso meu choque quando eu soube que ela estava envolvida com uma garota, e confesso ter sido inconveniente e preconceituosa, mas minha cabeça não podia aceitar tamanha “abominação aos olhos do Senhor”. E então eu orei muito e meditei para buscar a atitude correta de minha parte, e descobri que, como sempre, a resposta estava em Cristo. Ele nos ensinou a não julgar! – passou os olhos pelos convidados – Descobri que a minha amiga continuava a mesma pessoa que eu admirava, nada havia mudado; ela apenas havia feito uma escolha, diferente da minha, – apontou para si mesma – diferente da sua, da sua – apontou para Aline e Taís – e decidiu vivenciá-la com todas as suas forças, e isso eu admiro!

Descobri que a garota pelo qual se apaixonou se chama Alexandra, e é uma pessoa maravilhosa, igualmente admirável, e que também decidiu viver esse amor desprezando nossos olhos viciados em esperar que todos tenham um comportamento politicamente correto. Que nós julgamos correto. Descobri que nós não precisamos entender tudo, que nós não devemos esperar que todas as pessoas sigam os caminhos que julgamos os melhores e que amar um amigo, uma amiga, também significa respeitar as escolhas individuais e aceitar que as pessoas podem ser felizes de diversas formas. – respirou fundo – Eu, ainda hoje, nunca senti, nunca percebi, tamanho amor em um casal, e por isso, mesmo sendo algo que minha religião condena, algo que meus pais condenam, eu aceitei o convite de vir aqui presenciar e celebrar esta união, pois tenho certeza absoluta, de que será um casamento de imensa felicidade. E peço isso a todos vocês: não julguem, não critiquem, não condenem. Ao contrário, mentalizem sucesso, felicidade, paz, companheirismo, amizade e muito amor para elas, pois são pessoas honestas, amigas, maravilhosas, que merecem nosso carinho, respeito e bons votos de felicidade. A Bíblia nos ensina que ao próximo, ama-se como a si mesmo, e que do amigo nasce o irmão. Vamos guardar estas palavras, e desejar a nossas irmãs todo bem que merecem. – sorriu para nós – Agora, façam o pedido que querem fazer uma a outra, perante todos nós como testemunhas, e coloquem as alianças na mão esquerda.

Alex e eu nos entreolhamos e nos viramos de frente uma para outra. Segurei suas duas mãos, respirei fundo, mordi o lábio e comecei:

– Eu… desculpe querida eu estou nervosa. – rimos rapidamente – Bem, – olhei bem dentro de seus olhos – você sabe que eu mudei muito por você, e sabe que não consigo me imaginar sem você em minha vida. Você me marcou desde o primeiro dia em que nos vimos, e mexeu comigo de uma forma tal que me fez reavaliar a mim mesma. Você me ensinou a ser uma pessoa melhor, me ensinou a perceber um Deus de amor que eu não conhecia, me ensinou a ter fé, a ter mais leveza na minha forma de lidar com as coisas difíceis. Você me apresentou a minha avó e me ensinou a me apresentar a ela, e ela gostou de me conhecer, e eu de conhecê-la. Você me ensinou a amar e a não ter medo disso. Você me ensinou a viver, na verdade, porque antes eu não vivia; não com tanta intensidade! Você é o maior tesouro que eu tenho e prometo fazer de tudo para mantê-la feliz a meu lado. Prometo não deixá-la se arrepender. Prometo fazê-la sorrir o mais que eu puder. E agora eu te peço: Alexandra Flatcher, case comigo e viva comigo até o fim! – a primeira lágrima rolou de meus olhos – Eu preciso de você! Muito!

– Eu aceito Sammy. É tudo que eu quero. – ela chorava – Eu… eu não vivia antes de você. – sorriu – Eu era como um desenho sem cor, uma pessoa transparente que as pessoas enxergavam, mas não viam. Você me percebeu! Você me viu! E só então a vida ficou mais bonita e a felicidade me pareceu algo muito mais próximo e muito mais concreto. Eu me apaixonei pela luz dos seus olhos e pela força que a impulsionava a fazer coisas que a maioria das pessoas no seu lugar não faz e nem faria. Eu me apaixonei pelo seu coração sincero, e pelo seu medo de se entregar. – passou a mão pelo meu rosto – Não tenha medo comigo amor. Sou inteiramente sua e meu coração é seu como nunca será de quem quer que seja. Eu aceito você na minha vida, na minha história, na minha mente, sem medo, sem reservas, sem restrições. Eu mudei e larguei tudo por você e não vou me arrepender.

Não poderia. Você faz parte de mim, e eu só poderia me arrepender de permanecer incompleta. – silenciou – Casa comigo, Samantha D’Ávila do Amaral?

– Sim! Sim! Sim! – respondi chorando e sorrindo.

Tirei a aliança de sua mão direita e a pus na esquerda. Antes beijei sua mão e a própria aliança. Ela fez o mesmo e percebi que estava trêmula. Soninha chorava e notei que Aline, Taís, Paulinha e dona Zuzu também. Até André e Dolores enxugavam as lágrimas discretamente. Sandra e Nara estavam abraçadas e nos olhavam como que enfeitiçadas.

– Então, sob a graça de Deus, que é Pai de todos nós e preside os corações que amam, eu as declaro casadas, e muito bem casadas, diga-se de passagem.

Todos bateram palmas. Olhei fixamente para Alex, segurei seu rosto e beijei-a, sem me importar com o que pensariam, e ao final do beijo, nós nos abraçamos apertadamente.