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Tudo muda, tudo passa – Cap 6 – Parte 17

Já acomodadas dentro do avião comecei a contar meu dinheiro.

– Sabe que até que me sobrou dinheiro. E bem mais do que esperava.

– Não havia porque gastar tudo. Poupamos em hospedagem e alimentação. Fora as coisas que vovó quis pagar.

– Fiquei tão sem graça com isso! Ela pagou as passagens para a Escócia, os espetáculos que assistimos e ainda me comprou roupa de frio. Sem contar esta hospedagem aqui na cidade. E você ainda pagou nossas passagens e me deu roupa, mala e tudo mais.

– Pare com isso Sammy. Um dia você me leva para viajar Brasil afora.

– Com certeza. Eu vou levar você em vários lugares, se Deus quiser. É só me firmar no trabalho e você vai ver. Aliás, que lugares do Brasil gostaria de visitar?

– Vários. O nordeste por exemplo. Gostaria de conhecer aquelas belas praias que já vi nas revistas, ir em Fernando de Noronha, nos Lençóis Maranhenses… E a ilha de Marajó? Dizem que há búfalos vivendo lá! Há várias opções, ai eu nem sei dizer. O sul também me encanta, e o Pantanal, Brasília… O Brasil é um grande cartão-postal sob uma mesma bandeira.

– Mas existe algum lugar que você prefira acima de qualquer um outro? Não precisa ser somente no Brasil, mas algum lugar no mundo?

– Sim, desde criança eu sonho em conhecer a Grécia. E depois de grande, eu passei a acreditar que o amor da minha vida e eu deveríamos passar uns dias em um romântico passeio pelas ilhas gregas.

– Ilhas gregas… Tudo bem. Um dia, e isso é uma promessa, você e eu vamos desfrutar um passeio pelas ilhas gregas.

– Sabe de uma coisa engraçada? Quando você me promete uma coisa, você fala de um jeito que eu sempre acredito.

– Tudo que lhe prometo pretendo cumprir. Com todas as minhas forças. – olhei para ela.

– Hum… mas você me enrolou bastante para nos assumir. Foi preciso que eu tomasse uma medida drástica!

– Ah, querida eu não te enrolei. Na época expliquei os meus motivos e depois assumi na maior. Você bem lembra. – olhei para ela.

– Claro que lembro. Achei tão romântico… – sorriu.

– Ah é. Uma chopada cheia de gente chapada, um cara babaca querendo dar uma de machão e uma platéia doida pra ver o circo pegar fogo gritando um monte de bobagens. Que romântico! Aposto que muitos daqueles caras devem ter se masturbado naquela noite pensando em ter nós duas na cama.

– Que pensem! Mas foi romântico ter você brigando com uma pessoa por minha causa e depois ser beijada daquele jeito em público na frente de uma platéia histérica. Nunca vou esquecer daquele dia enquanto viver. – puxou-me pelo cordão e aproveitei para beijá-la nos lábios.

– Sammy, pare! – me deu tapinhas no ombro – Quer se comportar?

-Mas é você que começa…

A aeronave levantou vôo e ficamos em silêncio. Depois de alguns minutos Alex perguntou:

– Que sentiu ao ver seu ex… amante?

Olhei para ela, que não me olhava, e respondi:

– Por que a pergunta?

– Porque achei que ele ficou muito balançado em te rever.

– E achou que eu fiquei balançada em revê-lo?

– É o que quero saber de você. Quero ouvir de você.

– Na verdade eu senti um medo danado que você ficasse cismada e desejei sair dali correndo. Mas por ele não senti nada. Querida – toquei seu queixo e virei seu rosto para mim – ele era apenas sexo e nada mais. Você é a pessoa que eu amo e com quem vou casar. Você. Ele é passado, faz parte do meu passado, e daí não sairá. Além do mais se ele aparecer de novo eu coloco a Taís na jogada e ela vai saber direitinho o que fazer com ele…

– Eu adorei como me apresentou. Sua noiva. – sorriu olhando seu anel.

– Pois não é o que você é? Minha noiva?

– Sim – sorriu – e em breve serei sua mulher..

– Você já é de fato, apenas vai ser ainda mais. Completamente.

O vôo para o Rio foi tranqüilo e vim assistindo filmes. Alex dormiu bastante. Fazia muito calor em contraste com o frio que estávamos vivendo na Europa. Pegamos um táxi e descemos no prédio de Alex. Subimos pelo elevador e Alex abriu a porta da cozinha desconfiada. Dolores estava lá.

– Senhorita! Está de volta! – olhou para mim – Bom dia.

– Bom dia. – respondi – Tudo bem?

– Tudo.

– Bom dia Dolores. Meus pais estão aí?

– Não senhorita. Ainda estão na Europa.

– Sabe quando voltam?

– Acho que só em fevereiro. Sei que o senhor Flatcher tem assuntos de trabalho a tratar por lá e a senhora Flatcher ficará acompanhando. Ontem mesmo ligaram procurando saber se a senhorita já havia retornado.

– Fique aqui então Sammy. Amanhã você passa no Cantagalo para ver como estão as coisas e entregar seus presentinhos.

– Tudo bem. – entrei em casa carregando as malas – Onde deixo isso tudo?

– No quarto. Eu ajudo você.

– Eu chamarei o motorista e ele ajudará.

– Deixe Dolores. Eu dou conta. – respondi

Dolores fez almoço para nós e depois disso fui para a rua telefonar para a faculdade, Arthur e dona Márcia, a proprietária da quitinete. Não gostava de me aproveitar das coisas de Alex e por isso não usava seu telefone. Não recebi boas notícias na faculdade; meu diploma não estava pronto. Com Arthur comentei sobre o fato.

– Eu não posso ter você aqui sem diploma e registro no CREA. Pelo menos o diploma. Com ele na mão você dá entrada no registro. Mas não tenha medo Samantha porque o emprego ainda é seu.

– Eu não vejo a hora de começar…

– Vai dar tudo certo. Pode deixar que eu espero. Um diploma não demora tanto tempo a ponto de eu desistir de um talento.

Liguei para dona Márcia.

– Bom dia dona Marcia, como vai?

– Samantha? Tudo bem?

– Sim senhora. Estou ligando para saber quando podemos ver sua quitinete.

– Amanhã às dez seria um bom horário. Escute, tenho que te dizer uma coisa. A quitinete é mobiliada, mas eu tirei os móveis do quarto porque meu filho pediu pra ele, e sabe como é. Filho é filho. Você vai ter então que levar seus móveis pro quarto; se quiser ficar lá, é claro.

– Tudo bem. Eu vou falar com a Alexandra e amanhã então nos veremos. Onde nos encotramos?

– Na porta do prédio.

– Ótimo! Até amanhã então.

– Até!

Por desencargo de consciência liguei para o laboratório de estruturas.

– Samantha! Ótimo que ligou! Está havendo uns problemas com estruturas metálicas em uma obra em Bonsucesso. Preciso de sua ajuda. Posso contratá-la pela COPPETEC e você trabalharia nessa, que acha?

– Pra quando é professor? Eu ando de bobeira por conta de esperar documentos. Arthur me propôs emprego, mas exige que eu tenha diploma na mão.

– Esse diploma só vai sair no final do mês, acredite. E o trabalho é pra ontem. Que acha de vir aqui conversar sobre isso na segunda?

– Poderia ser a tarde?

– Claro. Chegue antes das três.

Voltei para o apartamento de Alex quase correndo.

– Querida, parece que meu diploma só sairá no final do mês, mas Arthur disse que espera. Além do mais o professor Ramirez me ofereceu contrato temporário para fazer um trabalho aí, e dona Márcia marcou com a gente amanhã de dia pra ver a quitinete.

– Que bom amor! Vamos amanhã ver a quitinete sim. E eu tenho certeza que Arthur vai te esperar, e esse trabalho do professor Ramirez veio em boa hora.

No dia seguinte nos encontramos com dona Márcia na porta do prédio. Ela não estranhava em nada o fato de sermos um casal, pois ela mesma vivia com uma mulher, segundo Zuzu.

– Meninas, eu acho que vocês vão gostar. Está tudo novinho em folha. Só o quarto é que está vazio. Não sei se Samantha comentou com você, meu bem. – segurou o braço de Alex.

– Sim ela falou. E não tem problema porque eu tenho móveis de quarto. – sorriu.

– Bom, muito bom, mas tem outra coisa. Eu tirei a geladeira e o fogão também, porque ontem o meu filho veio aqui e ele está em uma situação meio chata…

– Sem problemas dona Márcia. Temos móveis de cozinha. – respondi.

– Ótimo. Vamos pegar o elevador.

Dona Márcia nos explicou que o aluguel incluía o condomínio, que pagava a conta de água e a luz de serviço. Luz e gás estavam a parte e seria por nossa conta. Caminhamos até o apartamento e dona Márcia procurou as chaves na bolsa.

– Eu costumo fazer um aluguel mais “salgado”, mas a Zuzu me falou da estória de vocês e aí eu acabei me lembrando de mim mesma. Esta etapa de sair de casa e encarar um amor é um marco na vida. – abriu a porta – Entrem! – apontou para dentro sorridente

Alex entrou primeiro e olhou tudo minuciosamente. Dona Márcia havia escolhido as cores rosa claro e branco, e tudo na casa girava em torno dessas cores. A cozinha era pequena, mas bem jeitosa. Ela se comunicava direto com a sala que tinha duas pequenas poltronas, as duas cor de rosa. Da sala se entrava no quarto, que estava vazio, e o banheiro se comunicava direto com ele. Na cozinha ainda havia um pequeno tanque e um espacinho para usar máquina de lavar e varal.

Alex abriu a janela e a vista dava de frente para um hotel, mas uma grande e frondosa árvore nos dava a privacidade de não sermos vistas. Achei tudo perfeito, mas tive medo do que Alex iria achar. A decisão seria dela, com certeza.

– E então linda? Que achou? – perguntei receosa.

Ela virou-se de frente para mim e respondeu com um belo sorriso:

– Quando nos mudaremos?

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