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Tudo muda, tudo passa – Cap 4 PARTE 3

Tomamos um café reforçado, nos arrumamos e fomos correndo para o Cantagalo. Cheguei em cima da hora e, se não fosse a prática de ensinar matemática há tanto tempo, não saberia o que fazer. Almoçamos na minha casa e vovó ficou surpresa ao ver Alex lá. Fui para a capoeira e Alex ficou na minha torcida me vendo jogar. Eu adorava quando ela me via. Ao final, Caio me disse decepcionado que estava noivo. Iria se casar em agosto. A moça estava grávida.

– Você é que deu sorte Sam. Mulher com mulher não pode dar barriga grande!
– Ainda há tempo Caio. Tem muito homem solitário por aí…

Riu e mostrou o dedo médio.

– Palhaça! – olhou para Alex que conversava com mestre Tião – E olha, gata de alto nível essa sua. Dá até pra sonhar com as duas juntas e eu…
– Corta a frase no meio Caio! – levantei o dedo – Essa é só minha e eu defendo até a morte.
– Brincadeira! – levantou as mãos – Ainda mais agora que eu vou ser um respeitável pai de família. – pôs as mãos na cintura e riu – Tô fudido! A garota armou e eu caí bonitinho. Sempre foi no esquema seguro: chupa o pau e dá o cú. Aí ofereceu de dar a xota, tomava remédio e tal e daí não deu outra. Eu acreditei, ela engravidou, o irmão é bicho brabo aqui do morro, agora vou ter que casar.
– Que discurso escroto esse seu! – dei um tapa em sua cabeça – Você é experiente e podia ter usado camisinha como a gente sempre usou, aliás, porque eu é que exigia isso. Agora, não se cuida, quer tirar onda de esperto e depois se faz de vítima? Deixa de ser otário que ela não fez filho sozinha. Além do mais é uma garota de quatorze anos e você deveria se envergonhar de se aproveitar de alguém dessa idade!
– Qual é Sam! Deixa de ser tão feminista. Ela nem era mais virgem. E topava um anal como muita mulher madura não topa! Você não fazia!
– E daí? Isso te faz algum donzelo por acaso? Fosse como fosse ela tem quatorze e você só queria transar; e sem se cuidar. Agora agüenta, porque filho é outro papo e a criança não tem culpa. E vê se não chifra a garota. Até porque com a família que ela tem, um chifre pode te custar muito caro… – ri

Voltamos para minha casa e tomei banho. Ao sair, Alex e vovó conversavam na sala. Ambas estavam na poltrona. Peguei uma das cadeiras e coloquei-a de frente para elas, mas um pouco distante.

– Vó, desculpa interromper a conversa, mas Alex sabe que eu tenho uma coisa pra contar a senhora. Queria que me ouvisse primeiro e depois dissesse o que bem entender.– passei a mão nos cabelos – A senhora sabe que Alex e eu nos conhecemos há dois anos. Eu dava aula pra ela, a senhora sabe… Aconteceu que a gente foi se aproximando, fazendo amizade e… Eu lutei muito comigo mesma, e ela consigo própria… É que… a gente… – sentei na cadeira e esfreguei as mãos… – A gente se apaixonou e decidiu viver isso, desde aquela época! Hoje em dia a gente tem um…relacionamento sério e ela é… – respirei fundo – minha mulher e eu dela, pronto! Sexta mesmo a gente se assumiu publicamente na faculdade e agora eu acho que meio mundo lá no Fundão deve estar sabendo!

Sua expressão era calma e nada me dizia. Levantou-se da poltrona e andou até a janela.

– Muito decepcionada? – arrisquei
– Eu já sabia disso! Só esperava que me contasse.

Alex e eu ficamos abestalhadas.

– Como é???? Sabia?
– Desde que você começou a dar aula pra ela. Você chegava em casa diferente. Às vezes vinha radiante, outras vezes desencantada. E quando você falou aquela conversa da amiga que se apaixonou por outra eu sabia que era de você que falava. E eu disse aquelas coisas pra te desestimular.

Alex e eu não sabíamos o que dizer.

– Quando ela veio aqui depois daquele temporal eu tive certeza. Quando comprou os móveis fiquei chocada! Achei que estava completamente apaixonada por você.
– E o que vai fazer agora que eu confirmei? Me botar pra fora de casa? – perguntei com medo.
– Não! Eu contei pra você do que meus pais fizeram comigo por não aceitarem minhas escolhas. Não posso fazer igual. Você escolheu assim, eu não concordo, mas respeito. Já te fiz muito mal e não vou cortar sua felicidade. Sei bem como dói. – olhou para Alex – Se gosta mesmo dela, espero que a faça feliz.

Levantei-me da cadeira e as lágrimas rolaram em meu rosto todas de uma vez. Alex também chorava.

– Ainda sou sua neta?
– Sempre! – abriu os braços

Corri até ela e como criança a abracei. Chorava com muita emoção e olhei para Alex que também se abraçou conosco. Ela estava nos aceitando, como éramos, como queríamos ser e aquilo para mim era uma felicidade indizível. O coração batia enlouquecido e mentalmente agradeci a Deus por tanta alegria e felicidade. Eu não via Sua face, mas podia senti-lo naquele momento.

Vovó quebrou o clima emocionado quando nos soltou de repente dizendo:

– Mas não é por isso que eu vou querer safadeza aqui dentro. Essa casa é de respeito e nada de pouca vergonha pelos cantos. Ouviu Samantha?

Rimos divertidas com isso, e ouvimos mais um monte de advertências.

À noite, levei Alex de volta para casa e conversamos sobre como seria dali por diante. Ela disse que conversaríamos primeiro com sua mãe e depois com seu pai em algum momento conveniente, que escolheria sem demoras. Despedi-me dela e voltei para o morro. Estava ansiosa pelo dia seguinte. Como seria na faculdade?

Alex se inscreveu em um curso de maquetes na Escola de Belas Artes, que duraria a semana inteira, e prometeu me procurar no fim da tarde. Como seria quando chegasse lá? Será que alguém diria alguma coisa para ela? Dormi feliz, mas apreensiva.

sig_Raydon

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