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Tudo muda, tudo passa – Cap 3 PARTE 17

PARTE 17

Com o fim da greve as aulas recomeçaram em outubro e o período iniciou lascando com a gente. Apesar disso nos encontrávamos todos os dias na faculdade para almoçar juntas. Ela também passava sempre no meu laboratório para se despedir de mim antes de ir para casa. Aproximei-a das Feiticeiras, que estranharam no começo, mas acabaram adotando-a como amiga também. Saímos todas juntas duas vezes em dezembro, para lugares onde menores de idade poderiam freqüentar. Sugestões de Soninha.

Comecei a seguir as sugestões de Alex e busquei me aproximar de minha avó. Puxava conversa mais insistentemente, tinha atitudes mais carinhosas, falava de mim mesmo que ela permanecesse silenciosa. E aos poucos fui notando uma mudança em seu comportamento.

Dia 22 de dezembro Alex viajou para a Inglaterra com os pais, já que passariam as festas de fim de ano com os familiares de lá. O parentes de seus pais, que eram poucos, se reuniriam na fazenda perto de Oxford; a dos girassóis. Ela voltaria para o Brasil mais cedo, por causa das aulas, e isso revoltou Jack e Robert; porém ambos permitiram que o fizesse. Na véspera de sua viagem passei em sua casa.

– Alô!
– Sou eu linda! Tô aqui em baixo querendo te ver.
– Oi! Entre na portaria que estou descendo.

Alex tinha acabado de ganhar do pai um telefone celular, na época, ainda um tijolinho. Pouquíssimas pessoas tinham um e só se conseguia cobertura em alguns bairros da cidade. Desde então eu só ligava para o celular dela, embora o tempo de duração das ligações passasse voando.

Entrei no prédio e cumprimentei o porteiro.

– Oi, boa noite. A Alexandra me espera e vai descer.
– Boa noite senhorita. Fique à vontade.

Ela logo veio e estava impecável em seus vestidinhos como sempre.

– Oi Samantha! – deu-me beijos de comadre.
– Oi Alex! – retribuí.
– Vamos subir? – pegou-me pela mão

Entramos no elevador. Apertei o andar da garagem.

– Vai estar muito escuro lá. – ela disse baixinho.
– Tomara! – respondi baixinho também.

Entramos no estacionamento e caminhamos até um pedaço bem escuro. Puxei-a para junto de mim e começamos a nos beijar. Minhas mãos corriam por suas costas, pescoço e pernas. Arrisquei e apertei sua bunda de leve. Ela interrompeu nosso beijo e retirou minha mão de lá. Continuei beijando seu pescoço.

– Tonight you are terrible Samantha…
– Saudades por antecipação… – disse no seu ouvido.

Encostei-a em um carro e continuei minhas investidas. Coloquei as mãos em seus seios. Ela removeu-as.

– Don’t…- calei-a com um beijo.

Ela mordeu meu lábio inferior com pouca pressão mas suficiente para que eu gemesse. Empurrou-me pelos ombros e se afastou. Encostei-me no carro, e ela arrumava o vestido e os cabelos. Sorri.

– Se soubesse como me deixa doida… Às vezes eu perco a noção.
– I could notice. – continuou se endireitando. Respirou fundo e olhou para mim – Você… mal falou comigo e… agarrou-me desse jeito. Sem contar de que suas mãos estavam totalmente indisciplinadas… – abaixou a cabeça.
– Em certas coisas eu sou indisciplinada! – cruzei os braços – E você gosta, porque já notei que sempre esquece do português quando estamos juntas.
– Eu… fico nervosa. E quando eu fico nervosa ou com raiva não consigo falar outra língua senão inglês. – encostou-se em uma pilastra em frente a mim mais ainda distante.
– Você ficou nervosa ou excitada? – aproximei-me dela.
– O que houve com você hoje? – afastou-se – Pensei que tivesse vindo se despedir de mim! – parecia com medo.
– E vim! Olha querida calma! Não precisa ter medo, eu não vou te agarrar à força. – segurei sua mão – Vem aqui, vem? Me abraça. Eu não vou avançar o sinal de novo.

Nós nos abraçamos e ficamos assim por uns instantes.

– Estamos juntas há três meses e eu fico… Com vontade de… Você sabe, te conhecer mais…Eu fiquei um pouco insegura também com essa sua ida pra Inglaterra. Desculpa, eu realmente perdi a noção.

Ela continuou abraçada comigo, mas virou-se para me olhar.

– Nada de mais acontecerá na Inglaterra. Estarei com minha família e só. – mexeu no meu cordão – E quanto ao fato de você querer mais, eu avisei no começo… Não vai acontecer nem tão cedo; e você disse que esperaria…
– Eu sei. É que… Tá, esquece. Eu vou me comportar melhor.
– E é melhor sairmos daqui. Meus pais estão em casa, podem mandar o porteiro me procurar. Alguém pode nos ver aqui e a garagem tem câmeras. Nossa sorte essa lâmpada aqui estar queimada.
– Tá bom. Eu já vou.

Soninha convidou para a festa de natal da igreja dela, como fazia sempre desde que nos conhecemos, e dessa vez resolvi aceitar. Convidei vovó e ela também quis ir. A festa foi bonita, o padre fez um sermão emocionante e às 0:00h o coral da igreja cantou Noite Feliz maravilhosamente bem. Soninha era soprano e fazia parte do coral. Deu um show! Eu não sabia que cantava tanto!

Vovó e eu nos emocionamos e ela me deu um abraço como não me lembro de ter recebido em toda a vida. A ceia foi simples mas farta e as pessoas eram muito amáveis. Os pais de Soninha nos trataram muito bem e sua irmã estava felicíssima com o namorado, que a pediu em noivado naquela noite. Aprendemos uma bela canção na igreja, e subimos as escadas do morro de braços dados e cantando. Sem dúvida, foi o natal mais belo que já havia vivido, e atribuí tanta felicidade a Alex e ao Deus de amor, perdão e construção que ela me ensinou a sentir.

sig_Raydon