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That’s What I Like

22h50min era o horário da saída do ônibus. Sentada na rodoviária, eu não aguentava mais pensar na manhã seguinte quando te encontraria. Ansiedade nunca foi um problema muito grave na minha vida, mas aquela semana eu não conseguia mais dormir e nem comer direito, só pensando no momento que finalmente te abraçaria. Já fazia dois meses que não nos víamos… maldita hora que acreditei que não sentiria sua falta e saberia lidar com sua ausência todos os dias.

A primeira vez que você veio era primavera, as ruas estavam inundadas de pétalas de flores, das mais diversas cores. Rosa, azul, vermelho e claro, amarelo, sua cor preferida. Vinda do sul do país, você estava encantada com o clima do nordeste, queria aprender todas as gírias e chegava a dar pulinhos de empolgação quando via pessoas dançando forró na rua. A cada sorriso que você abria, meu coração se aquecia. Antes de você, eu não acreditava ser possível se apaixonar por uma pessoa que nunca havia beijado, que tinha conhecido a poucas semanas e tinha se aventurado a atravessar quilômetros de distância só para me ver.

Quando te busquei na rodoviária, minha timidez se multiplicou, todas as nossas conversas por mensagens tinham desaparecido da minha mente, até ao pronunciar um “oi” parecia que estava errado. Você desfilava ao meu lado com sua calça jeans e blusa folga de super-herói, afinal você amava DC comics e eu não ousaria a dizer que preferia a Marvel. Te instalamos no quarto de hóspedes da minha casa, o que na verdade era apenas um bicama na sala, porque minha casa minúscula não havia espaço direito nem pra mim.

Você veio preparada para ficar uma semana, tinha conseguido folga no trabalho e na minha cabeça só passava que sete dias eram muito pouco tempo para conhecer todas suas manias e trejeitos, mesmo que você já tivesse me dito alguns, eu não queria apenas imaginar. Eu queria ver. Queria sentir. Queria conhecer cada pedacinho seu. Queria saber como você acordava de manhã e como se preparava para dormir a noite. Queria saber quando você realmente usava os óculos de grau, que aparentemente estava escondido no fundo da sua mochila.

Os sete dias correram como o planejado, te mostrando a cidade e te exibindo para todos os meus amigos. Em momento nenhum tive coragem nem de te dar um selinho, mas a cada virada de rosto, conseguia me imaginar te beijando. Você não demonstrava que tinha os mesmos sentimentos por mim, suas ações me deixavam confusas quanto a tudo. Uma hora, você me abraçava e no momento seguinte estava dando total atenção a alguma outra pessoa. Então… Acabei guardando tudo para mim.

Quando você foi embora, já conseguia sentir sua falta, e esperava que continuássemos conversando todos os dias como antes. Talvez, agora minha timidez fosse embora e eu começasse a aceitar seus vídeos chamadas. E foi o que aconteceu, dois meses depois já estava reservando minha passagem para te encontrar e dessa vez, eu encontraria coragem e perguntaria: “Será que podemos ser mais que apenas amigas?”

 

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