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Sabor de Hortelã

Um turbilhão de sentimentos atravessava meu corpo enquanto eu subia as escadas do prédio de minha irmã, minhas pernas tremiam, minhas mãos suavam e eu só conseguia pensar: “que merda estou fazendo com minha vida?”.

Minha irmã Gabriela estava planejando um jantar de noivado, ela iria se casar dali a uns 3 meses, e havia convidado sua melhor amiga, já tinha 3 ou 4 anos que não a via. Ela tinha se mudado para fora do país e sumido da minha vida. Ela tinha sido meu primeiro amor. E claro, minha irmã não sabia e não entendia os motivos pelos quais eu relutava para não comparecer no dia de hoje, mas insistente e dramática como ela era, não deixou passar nenhuma.

Quando alcancei o último lance de escadas, parei em frente à porta, respirei fundo e toquei a companhia. Esperava que a noite fosse melhor do que eu imaginava. Estava tão nervosa que ficava olhando para meus pés, batendo os saltos no piso. Enfim a porta abriu, quando levantei meu rosto, meus olhos bateram de encontro com ela, o motivo das minhas lágrimas há tantos anos atrás, aquele sorriu me encarou e aquela fragrância me invadiu de forma esmagadora.

– Oli, quem chegou aí? – Gabriela gritou no fundo, me fazendo voltar ao presente.

– É sua irmã, Gabi. – Olivia respondeu minha irmã enquanto abria a porta para eu entrar. Me olhou de forma calorosa e abriu um sorriso gigante.

Olivia me abraçou e fingiu que não havia nada de errado. Que ela não tinha me destroçado. Segui pela sala impecável da minha irmã, vi a mesa de jantar toda arrumada, com velas acesas dando charme ao lugar. Cumprimentei as outras pessoas presentes, sempre com minha mente traiçoeira me levando ao momento que a vi pela primeira vez, cada passo que ela dava ou cada olhar que me direcionava, meu coração palpitava. Tentei me comportar normalmente todos os momentos, conversando e sorrindo calmamente.

Ao final do jantar, antes de ir embora, pedi licença e fui ao banheiro. Chegando lá, me olhei no espelho e ao retocar o batom, escutei dois toques na porta. Virei-me para abrir a porta e novamente aquele olhar me encarava.

– Senti sua falta. Estou à noite toda me controlando para não te beijar. Você está linda. – Enquanto Olivia me dizia essas coisas, meu coração começava a acelerar. E naquele momento, percebi, eu nunca a havia esquecido. Isso era maldade com meu coração. Ela foi se aproximando e meu olhar só conseguia encarar aqueles olhos brilhantes, minha boca estava a desejando, queria saber se ela ainda tinha sabor de hortelã.

Quando ela finalmente chegou perto o suficiente para me beijar, tudo se encaixou, toda aquela saudade que existia em mim se dissipou. Ela ainda tinha o mesmo sabor, suas mãos ainda ficavam posicionadas na minha nuca e suas bochechas ainda ficavam vermelhinhas. Todo aquele calor ainda corria nas minhas veias e é como se nada tivesse mudado. Ela ainda era minha e eu ainda a amava.

*(Era para ter saído ontem, mas por problemas técnicos não saiu, me desculpem e não desistam de mim)*

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