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Que a balbúrdia acabe de vez!

A balbúrdia veio à tona. Graças ao que ocupa o cargo de Chefe de Estado no nosso país, a balbúrdia das faculdades públicas viraram tema de noticiário. Corta o dinheiro deles que a bagunça acaba! Corta as verbas que o atraso acaba! Acaba com a área de humanas que o Brasil anda. Talvez ele nunca tenha ido até uma faculdade pública da área de humanas, então não saberia dizer que tais cursos já recebem muito menos investimento do que as áreas biomédicas e exatas. Não é menos investimento tipo 45% e 55%, nem estamos falando de um laboratório químico bem equipado. Estou falando de falta de papel higiênico nos banheiros, de salas com cadeiras quebradas e professores que levam seus próprios pilots porque a instituição não tem como fornecer para todos. Se por acaso você for passear qualquer dia desses na UFRJ, visite o CT, Centro de Tecnologia, e se encante com salas com cadeira acolchoada e quadros interativos. Aí, você atravessa a rua e entra no prédio da Faculdade de Letras. Não vai nem precisar entrar em uma sala para ver a diferença, mas se por acaso entrar, entenderá o que estou falando.

Então vamos acabar com a balbúrdia! Vamos cortar de quem já não tem muita coisa, mas também vamos cortar de quem tem bastante coisa. Vamos tirar o dinheiro dessa juventude desgarrada que só quer saber de fumar maconha no campus. Neste mesmo passeio pela UFRJ, vá até o Hospital Universitário e converse com os alunos de medicina. Fora alguns poucos, a maioria se identifica com o nosso excelentíssimo presidente. Os idiotas que estão nas ruas hoje, 15 de maio, são os idiotas que o ajudaram a assumir o cargo. Não é só uma armada contra os cursos esquerdopatas-humanas-defensores-dos-pobres. É uma cruzada contra a educação.

Mas, quer saber? Talvez eu entenda ele.

Educação é pensamento crítico. Educação é reivindicar seus direitos, já que agora você os entende. Educação é querer uma vida melhor, já que agora você sabe que pode. Educação é contestar o que todos insistem em repetir porque agora você consegue entender que nem sempre a maioria tem razão. Aliás, você não faz mais parte da maioria e isso te dá acesso a sonhos que antes você não tinha. E justamente por isso, agora você representa o perigo. Você não tem armas e nem cacetetes, mas você tem o poder de questionar o que está sendo feito. Você pode — e deve — exigir explicações para as atitudes que estão sendo tomadas. E que teoricamente, seriam a seu favor. A favor de quem? Educação é lutar pelo futuro do nosso país, mas não o futuro que eles dizem acreditar, é lutar pelo futuro de cada um de nós, que através dos livros e das escolas, vamos mudar a próxima geração e assim sucessivamente. Se eu fosse um presidente que não se preocupa com a população ou com o futuro daqueles que me elegeram, eu também cortaria a educação. Afinal de contas, um povo educado não é massa de manobra, não é gado.

Lute por uma educação igualitária, justa e para todos. O Brasil merece ter uma maioria reivindicadora e armada com livros, palavras e pensamento crítico.

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