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QUANDO MENOS SE ESPERA – Capítulo 59

Em instantes, Agnelo viu Rosa se juntar ao grupo e receber carinho de Valentina e Amanda. Nesse momento, o advogado se lembrou da falecida esposa e uma saudade intensa lhe acometeu o coração, assim como um sorriso melancólico surgiu em seu rosto. Tinha momentos em que sentia muita falta dela. Então, ficou ainda mais alguns minutos ali, escondido, observando a filha de longe, sem ter coragem de entrar. “Minha filha deve ter muita raiva de mim… Eu não tenho raiva dela, apesar de não gostar do que ela se tornou… Se ela pudesse ser normal, tudo ia ser diferente…”.  E, concluindo que não tinha direito de estragar a noite da filha, que estava tão feliz, acabou indo embora sem ser visto.

Já era quase onze e meia da noite quando Amanda e Valentina foram embora. Rosa, além de já ter chegado tarde, passara pouco tempo na galeria. Como ela disse ao chegar, tinha ido só dar um abraço em Valentina, porque precisava ajudar sua irmã que, além de estar doente, estava com um filho também adoentado.

A exposição fez tanto sucesso que, no dia seguinte, saiu uma reportagem em um jornal de grande circulação da cidade. Um dos estudantes de jornalismo presente ao evento fazia estágio nesse jornal e enviara uma foto e uma reportagem para a edição do dia posterior a mando do chefe. E a foto da exposição escolhida foi a de Valentina em frente às suas telas. Amanda quem descobriu a reportagem quando, ao se dirigir à padaria que ficava próxima ao prédio, passou pela portaria e o porteiro comentou, mostrando a ela o jornal. Depois de sair da padaria, ela comprou o jornal numa banca de revista duas quadras depois. Depois, recortou a reportagem, mandou emoldurar e deu de presente à noiva, que ficou muito contente com a divulgação gratuita do seu trabalho.

***

O Natal chegou e foi a época mais difícil para Amanda. Contudo, ela gastou uma energia grande para tentar não se entristecer e até conseguiu obter êxito em alguns momentos. Como todos os amigos estariam com suas respectivas famílias, ela e Valentina resolveram fazer uma ceia em casa, somente para elas duas, apesar de Leo tê-las convidado para passarem com ele e a família. Naquele momento, não podiam negar que elas eram a família uma da outra. Tinham combinado com os amigos para se encontrarem depois. Então, após a meia-noite, todos foram a casa delas, de onde só saíram ao amanhecer.

Na passagem de ano, elas se juntaram aos amigos e foram à praia, onde havia uma belíssima queima de fogos. Durante o show pirotécnico, Valentina, abraçou Amanda por trás e ficou sussurrando ao seu ouvido coisas bonitas de se ouvir:

– Meu amor, que seu ano seja lindo… Que você realize todos os seus sonhos… E, claro, que comigo ao seu lado. Sempre! Que você continue sendo essa pessoa maravilhosa… Que possamos nos amar cada vez mais… Eu amo amar você… Nunca pensei que podia ser tão feliz… Te amo muito, muito, muito…

Amanda ouviu toda aquela declaração com um sorriso largo rasgando o rosto e com lágrimas de emoção nos olhos. Em seguida, ela se virou de frente para a noiva, colocou seus braços nos ombros dela e, olhando-a fixamente, falou:

– Amor, tá me fazendo chorar! – ela riu e algumas lágrimas escorreram, sendo enxugadas por Valentina. – Eu também te desejo tudo de mais maravilhoso… Que esse ano seja muito melhor do que o que tá terminando… Que você possa concretizar todos os seus sonhos e que possamos estar sempre juntas, apoiando uma à outra… Eu te amo tanto, amor. Muito, muito, muito mesmo!

E, assim, elas selaram os desejos com um beijo apaixonado, começando o novo ano com muito amor.

***

Em meados de janeiro, em um domingo ensolarado, propício para ir à praia, Valentina levou Amanda à escola onde ela faria a prova do concurso para a qual estava estudando há meses. Por volta de meio-dia, Valentina foi buscá-la.

– Como foi a prova, mô? – a namorada perguntou assim que Amanda se sentou no banco do passageiro do carro e lhe deu um leve beijo nos lábios.

– Eu acho que gostei! Sabe que nem tenho certeza se foi boa ou ruim… Meio louco isso! Espero que eu consiga. Imagina só, amor, eu com um salário fixo? A gente conseguiria juntar mais ainda pro nosso casamento! – ela sorriu com empolgação.

– Vai dar certo, você vai ver! E aí, a gente casa quando você se formar, como combinamos! Formatura e, logo depois, casamento! — Valentina lhe beijou rapidamente nos lábios antes de sair com o carro.

– E, logo depois, lua-de-mel! Não esqueça! – completou Amanda rindo.

– Com certeza! Isso é muito importante! – Valentina sorriu. – Vou até ver se consigo agilizar umas disciplinas pra me formar no mesmo semestre que você, amor!

– Acho uma ótima ideia! Tenta mesmo…

– E onde você quer passar a lua-de-mel, hein? – a jovem artista perguntou enquanto dirigia pelas ruas não movimentadas da cidade.

– Que tal na Grécia? – Amanda respondeu prontamente.

– Hum! Que ideia maravilhosa, meu amor! Adorei. Não conheço a Grécia!

– Nem eu!

– Então, fechou! Vamos à Grécia! – Valentina falou sorridente.

***

Num final de uma tarde chuvosa de quinta-feira, três meses depois da realização da prova, Amanda se sentou em frente ao laptop, na sala de jantar, ansiosa para ver a lista dos aprovados no concurso de técnico judiciário do Tribunal de Justiça do Estado. Mesmo sendo um concurso para um cargo de nível médio, já seria um ótimo começo, caso ela fosse aprovada.

Suas mãos estava geladas e, enquanto ela acessava o site da banca que realizara o concurso, balançava as pernas numa demonstração de quanto aquele resultado era importante para sua vida. Enquanto o site processava, ela gritou para Valentina, que terminava de tomar banho:

– Abriu, amor!

– Tô indo! – Valentina se apressou.

Amanda então colocou o dedo indicador da mão direita na boca, roendo seus cantos e falou baixinho para si mesmo:

– Anda, abre…

O site se materializou na tela ao mesmo tempo em que Valentina apareceu e se pôs atrás dela.

– Ai meu Deus! – Amanda falou esfregando as mãos. – É agora!

– Calma, meu amor! – Valentina esfregou suas mãos nos braços da noiva.

Amanda falou nervosa levando o mouse para a seta da barra de rolagem:

– Vou olhar de baixo pra cima, que se eu tiver passado foi lá pelo fim…

– Espera! – Valentina interrompeu a ação da namorada.

– Que susto, amor! Que foi?

– Olha a lista de cima pra baixo mesmo… – Valentina disse colocando o dedo na tela em cima do nome de Amanda.

A estudante de direito não acreditou no que estava vendo! Seu nome figurava no topo dos aprovados! Quando a lista apareceu na sua frente, ela estava tão nervosa e insegura, que nem conseguiu ver seu nome.

– Meu Deus, eu tô vendo direito? É meu nome mesmo? – ela falou se levantando da cadeira.

– É, mô! É seu nome! Você tirou o primeiro lugar!

Amanda então abraçou a namorada e riu chorando ou chorou rindo. Não importava. O importante era que ela havia sido aprovada e estava muito feliz!

– Parabéns, meu amor! Você se garante demais, viu? Mas isso não é nenhuma novidade pra mim! Sei da sua capacidade!

– Caramba, mô! Tô sem acreditar! – Amanda se soltou do abraço e pôs as mãos na boca.

Ela estava muito realizada por seu esforço ter sido recompensado. Era a primeira vitória da sua vida profissional e ela não cabia em si de tanta alegria!

– Temos que comemorar, amor! – Valentina sugeriu. – Vamos abrir um vinho?

– Ótima ideia!

Assim, elas abriram o vinho, brindaram à aprovação de Amanda no concurso e depois se sentaram no sofá, onde conversaram sobre os planos delas para o futuro. No meio da conversa, Amanda comentou com um sorriso largo:

– Mô, ainda não tô acreditando que passei! E em primeiro lugar! Me belisca pra ver se eu não tô sonhando!

– Não vou beliscar não, vou fazer algo melhor! – Valentina falou pegando a taça de Amanda e colocando a sua e a dela na mesa de centro.

Então, aproximou-se da noiva e tomou-lhe o rosto entre as mãos. Seus olhos se engancharam com os de Amanda por alguns segundos e ela, finalmente, beijou-a. Seus lábios se tocaram com lentidão, porém com uma calidez intensa, que demonstrava o quanto elas se desejavam. A mão de Amanda levou a mão até a nuca de Valentina e a apertou. Suas línguas se acariciavam dentro de suas bocas, fazendo com que a excitação se intensificasse. Valentina então puxou Amanda mais para perto de si e abraçou-lhe a cintura.

Em seguida, Valentina deslizou sua mão da cintura até o seio esquerdo de Amanda, toque que a fez soltar um gemido abafado dentro da boca da namorada. Valentina então se afastou do beijo, mas sem deixar de tocar os lábios de Amanda com os seus e sussurrou, enquanto apalpava o seio dela:

– Você não tá sonhando, meu amor… Tá sentindo como tudo é verdade?

– Assim é impossível não sentir… – Amanda sussurrou e depois mordeu o lábio inferior da namorada, fitando-a no fundo dos olhos. – Quero sentir mais…

Com esse pedido desejoso de Amanda, Valentina não perdeu tempo e resvalou a mão pela barriga da namorada até adentrar seu short e alcançar-lhe a intimidade, fazendo com que Amanda soltasse um sussurro ainda mais alto. Valentina então voltou a beijar a noiva, dessa vez com mais vontade, enquanto tocava-lhe o sexo que umedeceu seus dedos, demonstrando a grande excitação de Amanda.

Em instantes, Valentina ouviu Amanda anunciar seu iminente gozo, sentindo o corpo dela tremular e, consequentemente, derramar-se em seus dedos. Logo após, ainda ouvia-se o ofego de Amanda, quando Valentina ajoelhou-se no chão entre as pernas da namorada e, posteriormente, despiu-lhe o short e a calcinha, o que fez Amanda questionar-lhe aos sussurros:

– O que você tá fazendo, amor?

– Mostrando… – Valentina lhe beijou a parte interna da coxa esquerda. – …o quanto você tá acordada… – beijou-lhe a coxa direita. – …o quanto você e eu somos reais…

Ao terminar de falar, ela deslizou sua boca pela coxa direita de Amanda até alcançar-lhe a intimidade, onde, por alguns momentos, ofereceu-lhe a avidez de sua boca. Amanda se contorceu com os toques lascivos da língua de Valentina em seu sexo, enquanto lhe segurava os cabelos no topo da cabeça, e, devido a sua intensa excitação, não se demorou em sentir outra explosão orgástica do seu ventre, que reverberou por todo o seu corpo com mais intensidade do que a primeira vez.

Arquejante, Amanda perguntou encravando os dedos entre seus próprios cabelos:

– Amor! Você quer me matar, é?

Limpando a boca com a mão, Valentina deu um sorriso malicioso e falou:

– Meu amor, ninguém morre de prazer, não!

– Ah, é? Pois vem cá! – Amanda falou, puxando-a pela mão e fazendo-a se sentar ao seu lado novamente.

Depois, assentou-se de frente no colo de Valentina, abraçando-lhe com as pernas e sussurrou, mergulhando os dedos dentro dos cabelos dela:

– Adoro quando você me deixa assim, sabia?

– Assim como?

– Bem tarada! – Amanda sugou o lábio inferior da namorada.

– Eu te deixo assim, é? – Valentina a pegou pelos quadris e a puxou mais para si.

– Hum rum! – Amanda balançou a cabeça. – Me deixa sempre querendo mais… – ela então tirou a blusa de Valentina, deixando os seios dela à mostra, totalmente suscetíveis aos seus toques.

Em seguida, Amanda a beijou com vontade por alguns instantes e, de repente, levantou-se, segurou a mão da namorada e sugeriu manhosa:

– Vamos pro nosso quarto?

Assim, Valentina se levantou e elas caminharam seminuas até o quarto. Amanda despida do meio para baixo e Valentina do meio para cima. Chegando lá, Amanda empurrou a noiva na cama e disse:

– Agora você é que vai ser minha!

Então, ela tirou a blusa, ficando completamente nua e, ato contínuo, despiu a parte de baixo da roupa de Valentina. Logo a seguir, Amanda deitou-se por cima do corpo de sua noiva e sentiu o calor de sua pele. Assim, enquanto seus lábios se tocavam numa ânsia pelo gosto uma da outra, elas sentiam a troca energizante ao sentirem o roçar de seus corpos suados. O contato estimulante entre os seios das garotas fez com que seus mamilos ficassem tesos, demonstrando o quanto aquela proximidade as deixava excitadas. Enquanto isso, Amanda pressionava seu ventre no de Valentina, fazendo com que suas partes íntimas se friccionassem com avidez e, com isso, ficassem ainda mais ensopadas de prazer. Cobiçavam-se com veemência, parecia que queriam se fundir, tamanho o desejo ardente que sentiam uma pela outra.

Amanda então escorregou um pouco seu corpo coberto de suor através da pele de Valentina e ofereceu sua boca aos seios dela. Por alguns instantes, sugou-os com vontade, o que fez Valentina arfar ainda mais. Nesse momento, Amanda deslizou sua mão e estacionou entre as pernas da namorada. Ao tocá-la na intimidade, sentiu, em seus dedos, o quanto ela estava úmida. Amanda afastou rapidamente a boca do seio de Valentina e sussurrou:

– Adoro te sentir pronta pra mim…

E, assim, ela voltou a ofertar as carícias nos seios da namorada e começou a lhe acariciar o sexo. Primeiramente, o contato se deu com delicadeza. Passado alguns instantes, o toque íntimo entre os dedos ávidos de Amanda e a intimidade de Valentina se tornou mais vigoroso, fazendo com que a jovem artista remexesse ainda mais o quadril, à medida que emanava altos gemidos de prazer. Não tardou para ela ser tomada por um orgasmo impetuoso, que fez seu corpo se energizar dos pés à cabeça.

Sem deixar a noiva restabelecer a respiração, Amanda falou se levantando:

– Ainda não acabei…

Com isso, ajustou a boca na parte íntima de Valentina e passou a lhe proporcionar, com a língua, carícias que a levaram a outro ápice de prazer.

Após a maratona sexual, Amanda e Valentina ficaram deitadas na cama abraçadas, trocando carinho. Apesar de estarem exaustas, estavam completamente relaxadas, o que fez as duas adormecerem e acordar apenas no dia seguinte.

 

Por volta de dois anos depois

 

– Essa roupa tá boa mesmo, amor? – Amanda perguntou já arrumada com um vestido vermelho na altura do joelho.

– Tá ótima, mô! E você não vai usar a beca por cima?

– Vou, mas até lá quero tá bonitinha pra minha formatura! – Amanda falou mexendo no seu cabelo se olhando no espelho da sala.

– Você é linda, meu amor! De qualquer jeito! – Valentina falou, abraçando a namorada por trás, e lhe beijou o pescoço. – Agora vamos, senão você chega atrasada!

A colação de grau de Amanda ocorreu no meio da última semana de novembro e contou com a presença de Valentina, de Rosa e dos amigos. Não conseguiu ter coragem de enviar convite para Júlia e Agnelo, mas imaginou que Rosa pudesse ter comentado com eles e, no fundo, teve esperança de ter a mãe ao seu lado. Júlia não apareceu, contudo, esse fato não conseguiu abalar o seu sentimento de realização. Já a sua festa de formatura aconteceu no primeiro sábado do mês de dezembro. Durante a festa, ela e Valentina chamaram bastante atenção, porque a jovem artista foi recepcioná-la na base da escada, pela qual os formandos desceram em direção ao salão para dançar a valsa.

A jovem bacharela estava em um momento de grande euforia, pois além da formatura e do cargo que exercia no Tribunal de Justiça há dois anos, ela havia passado no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil. Apesar de não precisar da OAB para seu trabalho no tribunal, Amanda resolveu fazê-lo, porque descobriu, durante a faculdade, que seu desejo era ser defensora pública e já estava estudando com afinco há tempos.

Valentina também estava em êxtase por presenciar mais uma vitória da noiva e também por sua vida profissional, que estava progredindo cada vez mais. Seu trabalho e ela estavam ficando famosos, tanto na cidade, como fora dela. Diversas pessoas, inclusive de outros estados, já haviam adquirido suas telas. Há um ano, ela havia alugado um espaço para fazer seu ateliê e contratado um secretário. Em relação à faculdade, Valentina conseguira adiantar as disciplinas e se formar no mesmo semestre de Amanda. Como resolveu não participar de festa de formatura, ela foi apenas para a cerimônia de colação de grau, que aconteceu na semana anterior à colação de Amanda. E apareceram para prestigiá-la, as mesmas pessoas que, posteriormente, também foram à formatura da namorada: Rosa e os amigos. Na ocasião, ela sentiu mais falta da sua mãe do que do seu pai e achou aquele sentimento bastante triste, pois percebeu que a falta do pai estava cada vez mais fazendo menos falta.

E chegamos ao penúltimo capítulo! Já estou com saudades de Valentina e Amanda! E vocês?

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