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QUANDO MENOS SE ESPERA – Capítulo 56

Atônita, Amanda ficou vendo a mãe e o padrasto saírem pela porta. Permaneceu estática, ainda agachada em frente ao sofá e com o olhar fixo na porta, mesmo depois de Agnelo tê-la fechado. De seus olhos, lágrimas de tristeza começaram a escorrer molhando sua face.

Rapidamente, Valentina foi ao seu encontro e a abraçou com força mostrando que ela estava ali para dar o apoio necessário. Ao deitar a cabeça no peito da namorada, Amanda começou a chorar copiosamente. Valentina sentia o corpo da namorada tremer e disse, passando as mãos pelas suas costas:

– Ela disse aquilo da boca pra fora, amor!

– Eu sei… – Amanda soluçou. –… que ela tá falando a verdade… – tentou engolir o choro. – Vi nos olhos dela que ela falou sério…

Sem saber o que dizer, Valentina apenas beijou a cabeça da namorada e a apertou ainda mais em seus braços. Sabendo que Amanda não teria cabeça para voltar à faculdade, Valentina a chamou Amanda para irem para o quarto. Chegando lá, Amanda, vagarosamente e em silêncio, trocou de roupa e depois se deitou de lado, enrolando-se no lençol. Seus olhos estavam sem brilho e seu rosto apático.

Percebendo que Amanda não queria conversar sobre o assunto naquele momento, Valentina respeitou sua vontade. Apenas se deitou ao seu lado, pegou um livro que estava na cabeceira e começou a ler. Quando ouviu Amanda chorar baixinho, Valentina somente acarinhou a namorada sem nada falar. Alguns instantes depois, Valentina percebeu que a namorada tinha dormido e agradeceu por isso. Ela precisava descansar daquele dia emocionalmente pesado.

No dia seguinte, no momento em que o despertador de Valentina tocou, Amanda disse que não queria sair de casa.

– Você quer que eu fique aqui com você, amor? – Valentina perguntou acariciando os cabelos da namorada.

– Não. Pode ir pra aula. Eu não vou ser uma boa companhia hoje…

– Tem certeza? Não quero deixar você sozinha assim…

– Tenho. Quero colocar meus pensamentos em ordem, amor. Só isso. Preciso desse momento…

– Tá certo. Mas qualquer coisa pode me ligar ou mandar mensagem! Antes do meio-dia tô de volta! – Valentina se levantou. – Trago algo pra gente comer, ok?

– Ok. – Amanda falou se virando de lado e Valentina foi tomar banho e se arrumar para ir à faculdade.

Valentina conseguiu convencer Amanda de ficar lá, pelo menos, por alguns dias, para esfriar a cabeça. Sua intenção era convencê-la de ficar lá permanentemente. A pedido dela, Rosa trouxe sem que Júlia visse, no outro dia, algumas roupas de Amanda até o apartamento. Sem vontade de fazer nada, se levantando só para comer e beber água, Amanda passou os quatro dias seguintes sem sair de casa, faltando, assim, ao estágio e às aulas. Ela não sabia se um dia poderia voltar a estagiar com o padrasto, mas evitou pensar no assunto naquele momento. Valentina estava ficando preocupada com a melancolia da namorada, pois não queria que ela ficasse depressiva. Nesses dias, tentou animá-la, mas quase sempre não obteve êxito.

Durante esses dias, enquanto Valentina estava na faculdade, Amanda tentou inúmeras vezes ligar para a mãe, mas sem sucesso. O celular de Júlia tocava sem que ela atendesse, o que deixava Amanda cada vez mais melancólica. Ela também tentou ligar para o telefone fixo. Como sua mãe não costumava atender ao telefone fixo, quem atendia as ligações era Elizete ou Cláudia que diziam que Júlia tinha saído. Ocorre que Amanda ouviu todas as vezes a mãe mandar dizer que não estava em casa. E isso causava ainda mais dor à garota.

Na segunda-feira, uma semana depois do fatídico acontecimento, enquanto Valentina estava na faculdade, Amanda fez a última tentativa e ligou fingindo ser uma das amigas da mãe. Quando Júlia atendeu, ouviu Amanda dizer com uma voz fraca:

– Mãe, por favor, não desliga…

– Mãe?! Você ligou errado! Eu não tenho filha… – Júlia falou e desligou o telefone.

Surpreendentemente, naquele momento, Amanda não chorou mais. Tinha passado todos aqueles dias sofrendo e tentando conversar com mãe, mas também pensando muito sobre tudo. Com um sentimento de determinação, ela soltou o celular em cima do colchão, levantou-se da cama e disse para si mesma de uma forma resoluta e firme:

– Já chega! Não vou mais ficar sofrendo em cima dessa cama! Já fiz de tudo! Se ela não me ama do jeito que eu sou, vou viver minha vida e, daqui pra frente, eu que não tenho mais mãe!

Então, ela foi até o banheiro e tomou um banho demorado para limpar o corpo e deixar os resquícios de sentimentos ruins saírem dela. Depois, arrumou-se e se vestiu. No momento em que ela saía do quarto, Valentina abria a porta de casa e se assustou ao ver a namorada arrumada e com um semblante totalmente diferente ao que ela estava naqueles últimos dias.

– Amor! – Valentina ficou procurando palavras para expressar o que sentia, mas não conseguiu.

Amanda sorriu com a admiração da namorada e falou com firmeza:

– Tomei uma decisão, amor!

– Que decisão foi essa? Deve ter sido importante, porque tô te achando com uma carinha tão boa… – Valentina sorriu.

– É sim! Eu decidi que, a partir de hoje, vou viver minha vida sem me importar com o que seu ninguém pensa! Não tô fazendo nada de errado pra minha mã… pra Júlia dizer que não sou mais filha dela. Então, daqui pra frente, se ela não tem mais filha, eu não tenho mais mãe também!

Totalmente surpresa com aquela decisão da namorada, Valentina ensaiou dizer alguma coisa, mas Amanda continuou:

– Claro que não vai ser nada fácil, mas se ela não me quer por perto, eu também não quero perto de mim uma pessoa que só me ama se eu tiver dentro dos padrões que ela acha certo! Nem que essa pessoa seja minha mãe! Eu quero ser feliz! Então, daqui pra frente, amor, vai ser somente nós duas, porque, tenho certeza, que minha mãe vai fazer a cabeça do seu pai pra ele se afastar de você também!

Preocupada com o fato de aquela decisão de Amanda ser somente da boca para fora, Valentina disse:

– Amor, você tem certeza disso? Cuidado pra raiva não deixar você tomar uma decisão que depois se arrependa… Será que você não tá sendo radical de…

– Não! – Amanda interrompeu. – Não aguento mais me humilhar por uma pessoa que tá errada, amor! Eu não posso deixar minha felicidade de lado por causa dela, por que ela quer que eu não seja gay! Ela não tem esse direito! Mesmo sendo minha mãe! E não tomei essa decisão com raiva… Pensei muito durantes esses dias!

– Tudo bem! Eu te entendo, amor! E apoio sua decisão. – Valentina se aproximou e lhe beijou a têmpora esquerda.

Amanda a abraçou, olhou-a com paixão e sorriu.

– Como eu fico feliz em ver esse sorriso lindo de novo no teu rosto! – Valentina falou e depois deu um beijo apaixonado em Amanda.

Instantes depois, elas sentaram na bancada americana para almoçar. Enquanto comiam, Amanda comentou que ia buscar orientação na faculdade para passar a receber parte da pensão de seu pai, que, até aquele momento, quem recebia era sua mãe e Valentina incentivou aquela ideia.

– Vai ser bom pra você cuidar do seu próprio dinheiro… Eu tô adorando essa experiência… Ás vezes é um saco ser adulta, mas faz a gente amadurecer muito… – ela riu.

– É, eu sei… Eu já administrava uma mesada, mas, claro, que não é mesma coisa! – Amanda riu.

– Não mesmo! – Valentina acompanhou Amanda na risada.

***

Nos dias que se seguiram, Amanda constituiu um advogado como seu procurador para não ter necessidade ter contato com a mãe. Enquanto isso, ela ficou no apartamento de Valentina. Desde a briga com a mãe, ela não voltou ao escritório do padrasto, que também não entrou em contato com ela. Ele realmente tinha feito o que ela pensou: não procurou a filha e nem ela. Ao invés de arranjar outro estágio, Amanda preferiu estudar para concursos públicos nas horas vagas.

***

Três meses depois, em um domingo chuvoso, enquanto Amanda estava deitada no ombro de Valentina e elas assistiam a um filme, Amanda falou sem tirar os olhos da tv:

– Mô, como as coisas estão mais ajeitadas agora, já tô inclusive recebendo a pensão, a gente precisa conversar…

– Sobre? – Valentina perguntou apesar de suspeitar sobre o que se tratava o assunto.

– Sobre minha estadia aqui no seu apartamento… Eu disse que ia ficar alguns dias e já faz três meses! Precisamos resol…

– Casa comigo, amor! – Valentina interrompeu a namorada com o pedido inesperado, inclusive para ela. Apesar de já estar pensando em pedir Amanda em casamento, ela não planejava fazê-lo daquela forma, mas não conseguiu se segurar.

– Ãh?! – Amanda se levantou e olhou para Valentina como se não tivesse entendido o que a namorada falou.

Ao ver a cara de supresa de Amanda, Valentina riu e falou tranquilamente:

– Eu pedi pra você casar comigo!

– Como assim? Mas eu… Você… A gente ainda…

Valentina não conseguiu conter a gargalhada pelo jeito cômico da namorada.

– Para de rir, amor! – Amanda falou franzindo o cenho.

Então, Valentina pausou o filme, sentou-se de frente para a namorada, pegou suas mãos e, olhando dentro de seus olhos, falou:

– Amor, a gente já tá independente… Estamos morando juntas há três meses… Nosso namoro tá cada vez melhor… Eu amo você mais do que tudo! Acho que você me ama também! Não vejo motivo pra gente não casar… Não precisa ser já! Tipo amanhã, mas a gente podia continuar morando juntas e ir planejando o casamento!

– Mas você não acha que a gente é muito nova pra casar?

– Claro que não! Não existe idade amor… Tenho quase 21 anos e você tem 20! Não somos mais adolescentes! Bom, eu não queria ter te pedido em casamento assim não! Não tenho nem anel!

– Você já pensava em me pedir em casamento? – Amanda sorriu.

– Já! Mas imaginei um pedido mais romântico…

– Hummm… E posso saber como você imaginou? – Amanda perguntou curiosa.

– Bom, ia escolher um dia de lua cheia, porque sei que você ama a lua… Aí te levaria pra jantar num restaurante bem bacana, depois ia te convidar pra gente ir caminhar na praia pra ver a lua e nessa hora ia perguntar se você queria casar comigo…

– Acho que desse jeito não teria como dizer não! – Amanda riu.

– Ah, é? Então, quer dizer, que você só aceitaria se o pedido fosse assim?

Amanda fez uma cara pensativa e, sorrindo, disse, se sentando no colo de Valentina, abraçando-a com as pernas:

– Claro que não, sua bobinha! Eu aceito demais casar com você!

Então, Valentina lhe abraçou pela cintura e a beijou com paixão. Enquanto isso, lentamente ela começou a percorrer o corpo da namorada com as mãos. Amanda emaranhou seus dedos nos cabelos dela e apertou sua nuca, enquanto Valentina lhe invadia a boca com a língua. Seus corpos pulsavam de desejo.

Em seguida, Valentina deitou a namorada na cama e se pôs por cima dela, sem parar de beijá-la. Tirou cada peça de roupa, deixando-a completamente nua. Após, despiu-se também por completo e pousou seu corpo quente no dela outra vez. Amanda deslizou suas mãos pelas costas de Valentina, o que fez sua pele se arrepiar completamente. Enquanto isso, Valentina depositava beijos pelo pescoço de Amanda, descendo pelos ombros, até atingir seus seios, cujos mamilos já se encontravam enrijecidos. Uma das mãos de Valentina se direcionou para entre as pernas de Amanda, que soltou um gemido mais alto ao sentir os dedos da namorada invadir sua intimidade.

Querendo também proporcionar prazer à namorada, Amanda fez o mesmo e passou a lhe dedilhar o sexo, que já se encontrava preparado para as carícias. Assim, em instantes, ambas sentiram seus corpos pulsando ao alcançarem o ápice do prazer sexual.

O descanso durou apenas alguns minutos, pois Amanda começou novas carícias, que culminou em mais sexo e gozos intensos. A comemoração do pedido de casamento feito por Valentina durou até o meio da noite, momento em que elas adormeceram uma nos braços da outra, felizes e satisfeitas.

***

No início da semana, elas procuraram modelos de alianças pela internet e acharam um que ambas gostaram. Então, combinaram que as comprariam no final de semana seguinte. Contudo, na quinta-feira, Valentina foi até a loja e as comprou sem dizer para Amanda.

Na sexta-feira, preparou um jantar em casa, enquanto Amanda estava na faculdade. Por volta das dez horas da noite, ao abrir a porta, Amanda se deparou com Valentina de joelhos, com os braços estendidos e as duas alianças, que elas escolheram, em uma caixinha vermelha. Amanda sorriu surpresa com as mãos na boca e se aproximou da noiva. Estava sentindo a mesma emoção do primeiro pedido de dias atrás. Seus olhos se encheram de lágrimas.

– Só você pra me fazer pedir alguém em casamento duas vezes! – Valentina falou sorrindo e se levantando. – Continua querendo casar comigo?

– Ainda mais! – Amanda abraçou a namorada.

Em seguida, Valentina tirou as alianças da caixinha e pôs uma no dedo anelar da mão direita de Amanda e a beijou. Depois foi a vez de Amanda fazer o mesmo. E, no fim, elas selaram o noivado com um beijo apaixonado. Apesar de tudo, elas estavam felizes e, a partir daquele momento, oficialmente noivas.

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