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QUANDO MENOS SE ESPERA – Capítulo 53

– Vocês se conhecem?! – Letícia perguntou alternando o olhar entre Amanda e João Pedro, que fixou o olhar surpreso em Amanda.

Eles permaneceram em silêncio durante alguns segundos, o que fez Letícia perguntar outra vez, mas agora com impaciência:

– Fala, gente! Vocês se conhecem da onde?

Antes que João Pedro falasse alguma coisa, Amanda se antecipou dizendo:

– Do curso de inglês! A gente estudou no mesmo curso de inglês.

João Pedro deu um sorriso cínico e permaneceu calado. Realmente, era onde eles tinham se conhecido. Nesse momento, Valentina apareceu na porta dizendo:

– Por que vocês não entr… – ela parou de falar quando seus olhos pousaram na desagradável silhueta do ex-namorado de Amanda. – O que é que você tá fazendo aqui? – perguntou com uma voz tomada pela raiva.

João continuou expressando o cinismo no sorriso sem nada falar.

– O que é que tá acontecendo aqui? Vocês também estudaram juntos? – Letícia perguntou ingenuamente.

– Ãh?! – Valentina olhou para Letícia sem entender a pergunta. Ia falar a verdade, quando Amanda pegou no braço dela e falou:

– Não! Ela conhe…

– Então, a casa é sua, Valentina! Soube que o Dr. Agnelo tinha colocado você pra fora de casa, mas não sabia que vocês agora eram amiguinhas! – interrompeu João Pedro falando pela primeira vez.

– Eu não fui expulsa de casa! – retrucou Valentina.

– Ele não sabe que vocês são namoradas?! – Letícia perguntou baixinho olhando para Amanda, que pensou que fosse desmaiar. Sua palidez se intensificou.

Valentina passou a mão na testa e desabafou quase inaudível:

– Ai, meu Deus!

João Pedro ficou completamente embasbacado ao ouvir a pergunta de Letícia! Riu com escárnio e, então, começou a vomitar sua idiotice:

– Caralho, não acredito! Vocês duas são sapatonas?! – ele pôs as mãos na boca. – Agora eu entendi todo aquele seu pudor, Amanda! Não quis transar comigo, porque era sapatão!

– O quê?! – Letícia interrogou.

– Cala a boca, seu idiota! – Valentina falou com a voz alterada.

Nesse momento, todos que estavam na sala ficaram em um silêncio constrangedor.

– Vocês dois namoraram? – Letícia perguntou franzindo o cenho e apontando o dedo para Amanda e depois para João Pedro.

Amanda respirou profundamente e, piscando os olhos lentamente, confirmou:

– Namoramos… Infelizmente! – lançou um olhar azedo em direção a João Pedro.

– E o Dr. Agnelo e a Dona Júlia sabem dessa nojentice de vocês? – a voz de João soou desdenhosa.

– Não se atreva a se meter na nossa vida, seu playboy imbecil! Você quer que eu deixe outra cicatriz em você, quer? – Valentina ameaçou olhando para pequena cicatriz na testa próximo aos cabelos de João Pedro, consequência da pancada que ela havia lhe dado na ocasião em que ele tentou forçar Amanda a ficar com ele.

Surpresa, Letícia perguntou para Amanda:

– Ele é aquele cara de quem você me falou, amiga?

– É! Ele mesmo… – Amanda respondeu.

Aproximando-se de Amanda, João Pedro perguntou com arrogância:

– Você falou o quê, hein?

No mesmo instante, Valentina interrompeu sua aproximação com a mão em seu peito e falou rangendo os dentes:

– Nem se atreva!

– Falei a verdade! – Amanda respondeu com altivez fixando o olhar em João Pedro, apesar de sentir seu corpo todo tremer. – Que você é apenas um coitado, que não tem lábia pra conquistar uma mulher e quer fazer ela ficar com você à força!

Com o semblante sério, o ex-namorado apertou os dentes e disse:

– Amanda, você sabe que eu tava bêbado!

– Tão fácil culpar a bebida, né, João? A bebida só te deu coragem pra você fazer o que queria! Se não fosse a Valentina, eu não gosto nem de pensar o que teria acontecido!

– Não teria acontecido nada, Amanda! Eu ia parar!

Amanda soltou uma gargalhada sarcástica e falou:

– Ia parar? E porque não parou depois dos milhares de nãos que eu te disse?

– Porque pensei que você tava a fim, mas tivesse só fazendo charme…

– Ah, tá! Por que eu só podia ser louca, né, pra não querer ficar com você?! Impossível resistir ao seu charme, né, João?! – Amanda falou irônica. –Esse é o mal de muitos homens, sabia? Quer dizer, homens não, moleques! Não suportam ouvir um não! E se acham tão maravilhosos, que não admitem que as mulheres não queiram ficar com eles! – Amanda sentiu seu coração pular dentro do peito.

– Cara, você é muito idiota! – Letícia olhou para o ex-namorado de Amanda. – Que bom que eu descobri isso logo! Pra não começar a namorar você! Tô achando que é melhor você ir embora!

– Também acho. É melhor você sair daqui, antes que dê mais confusão! – Valentina concordou.

João Pedro olhou para Letícia e falou:

– Não, gata! Vamos conversar? Não escuta essas garotas. Elas são loucas! Eu não fiz nada demais, eu só…

Letícia disse, interrompendo João Pedro:

– Você acha que vou deixar de ficar do lado da minha amiga pra acreditar em você?! Eu conheço bem esses tipinhos, JP! E não quero conversa com gente assim! Sai fora!

Com um semblante nitidamente irado, João Pedro relanceou o olhar para Amanda e Valentina e vociferou raivoso:

– Suas sapatonas do caralho! Eu tenho nojo de vocês! Essa gente como vocês é que tá acabando com a família, com o povo de bem! Vocês são um lixo!

Nesse momento, Leo e Caio apareceram na porta e Caio perguntou com a grossa voz, enfrentando JP:

– O que é que tu tá dizendo aí, hein, cara?!

Ao ver o alto e musculoso amigo de Valentina, João Pedro começou a caminhar em direção ao elevador.

– Ficou com medinho, foi? – Caio continuou. – Com mulher tu tem coragem de gritar, né, seu covarde? Vem falar aqui comigo, vem!

Quando já estava em frente à porta do elevador, João Pedro gritou enraivecido:

– Seus bandos de merda!

Caio fez que ia atrás dele e, rapidamente, João Pedro puxou a porta do elevador, entrou e desapareceu.

– Que cara ridículo, cara! – Caio comentou. – Se ele aparecer de novo é só me chamar. – ele falou voltando para a sala, onde estavam as outras garotas.

– É um playboyzinho digno de pena! Vamos entrar! Deixa esse idiota pra lá! – Valentina esperou Amanda e Leo entrarem e fechou a porta.

Amanda estava completamente atônita. Continuava pálida, trêmula e seus olhos brilhavam devido às lágrimas. Dentro de si, a raiva daquelas palavras do ex-namorado se misturou ao medo de ser descoberta novamente pelos pais e isso a fez querer gritar e esmurrar alguma coisa. Claro que a primeira coisa que pensou foi no rosto de João Pedro.

– Com licença. – ela disse baixinho com as lágrimas já escorrendo pelo rosto e saiu em direção ao quarto de Valentina.

Ao perceber o abalo emocional da namorada, Valentina falou aos amigos:

– Gente, fiquem à vontade aí, que eu vou falar com a Amanda, tá? Espero que aquele idiota não tenha estragado nossa noite.

Chegando ao quarto, ela viu Amanda abafando um grito no travesseiro e o esmurrando com toda força.

– Amor, não fica assim! – Valentina se sentou ao seu lado, puxou-a com delicadeza, envolveu-a com os braços e Amanda chorou copiosamente em seu abraço. – Me dói ver você assim. Ele não merece nem a sua raiva, mô! – ela falou deslizando a mão pelos cabelos da namorada.

– Por que esse povo preconceituoso… – Amanda soluçou. – …tem tanto ódio no coração?! E ainda se dizem… – enxugou o nariz. – …pessoas de bem! Como podem ser de bem se fazem mal aos outros que são diferentes deles?!

– Eu não sei, amor! – Valentina beijou a cabeça da namorada. – Eu só sei que não quero que você fique abalada assim e sofra toda vez que ouvir isso de algum imbecil… Não podemos dar esse gostinho a esses homofóbicos!

– Mas é difícil! Muito difícil…

– É, eu sei. Mas a gente tem que tentar…

– Amor, mas eu fiquei triste e com raiva com o que ele falou e não porque foi ele, viu? Pra mim, ele é como se fosse… Sei lá, uma porta!

– Eu sei, mô! – Valentina lhe beijou a cabeça outra vez.

Amanda se afastou do peito de Valentina, que enxugou os resquícios de lágrimas que ainda lhe molhavam a face, olhou para ela e perguntou preocupada:

– E se ele disser aos nossos pais?

– Aí, a gente vê o quê é que faz! A gente dá um jeito, amor! – Valentina acariciou o rosto de Amanda. – Mas, talvez, ele nem diga, sabia? Você viu o medo que ele ficou do Caio? Aquilo é um covarde!

– Espero que você esteja certa… – Amanda deu um sorriso amarelo.

– Vamos fazer o seguinte: vamos esquecer esse idiota, pelo menos, por agora e voltar pra sala? Os meninos estão lá pra comemorarmos o ap novo e não quero perder nossa noite por causa do seu ex-namorado imbecil.

– Ai, não gosto nem de lembrar que namorei esse garoto! – Amanda falou se levantando e pegando na mão de Valentina. – Vamos pra sala. Você tem razão! Não quero deixar aquela criatura estragar nossa noite…

Assim, elas se dirigiram à sala, onde os amigos conversavam animadamente. Assim que viram Amanda, eles se calaram.

– Ah não, gente! Não quero essas caras de enterro não, tá? Eu já tô bem! Precisava só de um tempinho e do carinho do meu amor… – Amanda falou sorrindo e abraçando Valentina.

Assim, em instantes, os amigos e a namorada tornaram o clima agradável e cheio de risadas, o que fez Amanda esquecer aquele fatídico episódio. Pelo menos por um momento. Eles riram, dançaram na sala e conversaram bastante. Nem parecia que havia tido um contratempo logo no início da confraternização, que acabou perdurando até o alvorecer.

***

No dia seguinte, por volta de quase uma hora da tarde, Valentina e Amanda foram acordadas com o toque do interfone que soava pelo apartamento ininterruptamente.

– Droga! Quem perturba uma hora dessas? – Valentina se levantou mal humorada.

Olhando o relógio do seu celular, que estava no criado mudo, Amanda falou:

– Amor, é quase uma hora da tarde!

– Sim, mas fomos dormir de manhã! – Valentina falou e se dirigiu até a cozinha, onde ficava o interfone. – Alô! – disse ainda com um resquício de mau-humor.

– Boa tarde, Dona Valentina.

– Boa tarde… – a voz dela saiu impaciente.

– Tem um senhor aqui querendo falar com você…

“Senhor? Que senhor?”

– … Agnelo é o nome dele. – completou o porteiro.

O coração de Valentina martelou tão forte dentro do peito, que a fez despertar por completo. O pai estava na guarita do prédio querendo subir e Amanda estava deitada em sua cama! Ficou perplexa, sem saber o que fazer.

– Dona Valentina… A senhora tá ouvindo? – o porteiro falou em razão da ausência de resposta da garota.

– Oi. Sim… Pode deixar ele subir…

Assim que encostou o interfone no gancho, Valentina correu até o quarto e esbaforida falou para Amanda, que zapeava pelo celular:

– Mô, meu pai tá aqui! E tá subindo!

– Ãh?! – Amanda exclamou se levantando atordoada. – Como assim? O Dr. Agnelo tá subindo? Aqui? Pra quê? Será que o João falou alguma coisa pra ele? Será que minha mãe tá com ele? – ela emendou uma pergunta atrás da outra.

– Não sei de nada! Mas espero que o playboyzinho não tenha dito nada! – Valentina respondeu vestindo um short e uma blusa com rapidez.

– E o que eu faço?! – Amanda perguntou aflita e trêmula.

Nesse momento, a campainha tocou. E Valentina disse para ela se esconder no banheiro do quarto.

– Ai meu Deus! – Amanda falou correndo para o banheiro e Valentina foi atender a porta.

Antes de abri-la, a filha de Agnelo respirou fundo para tentar não demonstrar seu nervosismo. Então, abriu a porta e perguntou sem sequer cumprimentar o pai:

– O que você tá fazendo aqui, pai?

– Boa tarde, pelo menos, né? Essa foi a educação que te dei? – Agnelo respondeu com seriedade.

Valentina revirou os olhos e ele continuou:

– Não vai me deixar entrar?

Sem nada dizer, ela abriu a porta dando espaço para Agnelo passar. Enquanto o pai caminhava até a sala de estar e olhava ao redor do apartamento, Valentina fechou a porta, respirando fundo mais uma vez para não transparecer a aflição em que seu coração se encontrava.

– Vim ver se você tá bem instalada… – Agnelo falou olhando para os porta-retratos na parede acima do sofá. Fixou o olhar na foto da ex-mulher com a filha.

– E por que não ligou antes? A educação que você me deu…

– Eu sei. Eu sei. – Agnelo interrompeu frustrando a tentativa da filha de satirizá-lo. – Achei que se eu ligasse você ia dar um jeito de não me deixar vir… Então, preferi aparecer de surpresa, já que eu e Júlia não fomos ao clube.

Valentina ficou em silêncio. Não ia desmenti-lo, porque o pai tinha razão.

– O apartamento ficou bonito. Aconchegante. – Agnelo comentou sem empolgação. – Parece que você tá se divertindo em morar sozinha. – ele falou pegando uma das garradas de cerveja que estavam na mesa de centro.

– Recebi uns amigos ontem. – a voz de Valentina também saiu sem entusiasmo.

Depois, um silêncio constrangedor tomou conta da sala por alguns instantes. Ambos não sabiam o que falar. Na verdade, Valentina não queria falar nada. Queria apenas que o pai fosse logo embora. Então, ele quebrou o silêncio e perguntou o que Valentina mais temia:

– Você não vai me mostrar o restante do apartamento?

O coração da garota foi a mil. Não tinha motivos, pelo menos não se lembrou de nenhum, para negar ao pai a visita pelos cômodos.

– Não tem muito o quê ver! Aqui, você já viu as duas salas e a cozinha. Ali ficam os quartos. – Valentina falou desinteressada.

Sem pedir licença, Agnelo se dirigiu ao corredor e Valentina o seguiu tentando disfarçar a tensão. “Tomara que ele não queira ver os banheiros!”. Ele então parou em frente à porta fechada do ateliê e perguntou:

– Aqui é o quarto de hóspedes?

– Não. Fiz um pequeno ateliê… – ela falou abrindo a porta.

Ele olhou ao redor e balançou a cabeça afirmativamente. Depois, virou-se e, apontando para a porta da frente, indagou outra vez:

– Então, esse é o quarto de hóspedes?

– É. – Valentina foi até lá e também abriu a porta.

Ele passeou o olhar neutro pelo ambiente, sem nada falar. Em seguida, ele mesmo abriu a porta do banheiro social perguntando:

– Isso é um banheiro?

Então, Valentina não precisou responder depois da constatação do pai. Quando ele fechou a porta do banheiro, ela falou:

– E esse ali é meu quarto. Aí pronto! Acaba o ap… – ela ensaiou retornar para a sala, tentando finalizar aquela miniexcursão com o pai pelo apartamento, mas Agnelo adentrou o quarto que estava com a porta aberta. O coração agoniado da garota apertou ainda mais. Agnelo olhou para a cama desarrumada.

– Você estava dormindo quando eu cheguei?

– Tava. Como eu disse, meus amigos vieram ontem pra cá e saíram quase de manhã. – Valentina respondeu sem saber o motivo pelo qual estava dando satisfações ao pai. Ela achou que talvez fosse por causa do nervosismo.

Ao perceber que ele caminhou até a porta do banheiro (que estava aberta!), Valentina sentiu seu corpo tencionar e parecia que seu coração ia sair pela boca. Suas mãos estavam trêmulas e geladas. Agnelo olhou para dentro do banheiro e depois se virou dizendo:

– Esse quarto ficou muito bom. E o banheiro também.

Nessa hora, Valentina sentiu seu corpo amolecer de alívio. O pai não tinha visto Amanda. “Mas como? Não tem nada pra que ela se esconder no banheiro!”, Valentina pensou intrigada.

– Ficaram mesmo. – foi o que ela conseguiu dizer.

Em seguida, ele saiu do quarto e a filha o seguiu. Assim que chegaram à sala, Agnelo, sem nenhuma expectativa de a filha lhe oferecer alguma coisa e sugerir sentarem no sofá para conversar, disse:

– Bom, eu vou indo. A Júlia tá me esperando. Obrigada por me deixar ver seu apartamento…

Valentina apenas balançou a cabeça e foi até a porta para abri-la para o pai. Ele a olhou e disse:

– Tchau, Valentina. Apareça qualquer dia desses lá em casa… – a boca dele esboçou um leve sorriso.

Apesar de ainda sentir raiva de Agnelo, naquele momento, ela sentiu vontade de abraçá-lo, mas apenas disse:

– Tá. Combinei de ver a Rosa no outro sábado…

O quase inexpressivo sorriso que Agnelo tinha no rosto se desfez ao ouvir a filha dizer que iria a sua casa por causa de Rosa. Então, comprimiu os lábios, balançou a cabeça e saiu. Seguidamente, Valentina fechou a porta, encostando-se a ela, e, com os olhos fechados, respirou profundamente.

– Essa foi por pouco! – disse consigo mesma. – Onde que foi que Amanda se meteu? – falou se dirigindo ao seu quarto. – Amanda?! – chamou pela namorada ao entrar no cômodo.

– Ele já foi? – Amanda perguntou arrastando a porta do guarda-roupa por dentro.

Ao ver a namorada toda curvada, sentada na parte inferior do guarda-roupa, onde ficavam penduradas as calças jeans, Valentina foi até lá ajudá-la a sair daquele local apertado.

– Agradeço aos vários anos de balé! – Amanda comentou ao sair de dentro do guarda-roupa.

– Realmente! Acho que não conseguiria me esconder aí não! – Valentina falou olhando para o pequeno espaço.

– Porque você é mais alta, meu amor! Mas, na hora do sufoco, a gente cabe em qualquer canto! – Amanda deu um sorriso meio amarelo.

– Mas foi uma ideia genial você ter pensando nisso, amor, porque o Dr. Agnelo veio até aqui! Praticamente dentro do banheiro! Tem noção?

– Eu sei! Quando ouvi as vozes de vocês bem próximas, me lembrei dessa partezinha aqui das calças, corri e me meti dentro. Ainda bem que pensei rápido!

– Ainda bem mesmo! Você é demais, meu amor! – Valentina sorriu abraçando-a pela cintura.

– E o que ele disse, mô? – Amanda perguntou enlaçando os braços no pescoço da namorada. – Você acha que ele tava desconfiado?

– Não notei desconfiança dele. Acho que ele não sabe não, porque ele não ficaria tranquilo assim. Já chegaria gritando comigo, com certeza! Ele só disse que queria ver se eu tava “bem instalada”! – Valentina revirou os olhos.

– É, ele não deve saber de nada mesmo não! Eita, que eu ainda tô tremendo…

– Deixa eu dar um beijo que passa… – Valentina falou e depois beijou a boca de Amanda por alguns instantes.

– Vamos ao cinema? – Amanda sugeriu ao finalizarem o beijo. – A gente se arruma, almoça pelo shopping e assistimos a um filme… Que tal?

– Boa ideia!

Então, elas tomaram banho, arrumaram-se e decidiram ir ao shopping mais próximo, apesar de as salas de cinemas dele não serem as melhores. Como Júlia costumava frequentar o shopping que tinha os melhores cinemas e era o mais próximo da casa dela, Amanda e Valentina não arriscaram irem para lá.

Ao chegarem ao shopping, resolveram comprar logo os ingressos do cinema, antes de almoçarem. No momento em que elas caminhavam em direção ao cinema, Amanda parou na frente da vitrine de uma loja da qual ela gostava, puxou a mão de Valentina e falou:

– Espera, mô! Deixa eu só ver aqui as promoções dessa loja…

– Tô com fome, amorzinho! – Valentina falou franzindo a testa.

– É rapidinho… – Amanda falou puxando a mão da namorada até sua cintura, fazendo com que ela a abraçasse com o braço. – Olha aqui essas calças! Fazem o seu estilo e estão de promoção!

– Hum rum. São bonitas e baratas mesmo. Mas depois a gente passa aqui… Vamos logo, mô! – ela deitou a cabeça no ombro de Amanda e lhe beijou o pescoço. – Vou desmaiar de fome…

Naquele momento, uma mulher passou por trás de Valentina e Amanda e observou a demonstração de afeto entre elas. “Hum! Que delícia! Como eu queria ter tido a coragem dessas garotas!”.

A distinta senhora andou mais um pouco, parou três lojas depois para observar melhor as garotas. “Acho conheço essas meninas!”.

Nesse instante, Valentina e Amanda começaram a caminhar outra vez e, para não ser vista, a mulher entrou na loja rapidamente. “Não acredito?! Valentina e Amanda?! Mas essa é a filha da Júlia! Sabia que ali tinha coisa! Me lembro bem do olhares de Valentina pra ela! Mas será que a Júlia sabe que a filhinha dela é gay? Não! Ela não deve saber! Me julgou tanto quando soube que sou bi! Se ela realmente soubesse faria de tudo pra separar as garotas”.

Mal sabia Suzana que Júlia tinha feito tudo que estava ao alcance dela para separar a filha de Valentina. Contudo, não havia logrado êxito. Pelo menos, não até aquele momento.

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