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QUANDO MENOS SE ESPERA – Capítulo 52

Depois de jantarem seus combinados de sushi, Amanda e Valentina deitaram-se no quase desconfortável colchão inflável. Amanda, como já tinha se acostumado a fazer, deitou-se no braço de Valentina e repousou o braço em sua barriga. E ela passou a acariciar seus cabelos. Devido ao cansaço do dia, a conversa entre elas não durou sequer dez minutos. Valentina foi a primeira a cair no sono. Ao perceber que a namorada dormia, Amanda retirou a cabeça de seu ombro e virou-se para o outro lado. O sono a pegou quase que instantaneamente.

O domingo também foi um dia cansativo na finalização da pintura do apartamento de Valentina. Contudo, isso não impediu que o trabalho fosse regado de beijos e carinhos entre as garotas apaixonadas.

No final da tarde, todas as paredes estavam cobertas de tinta e Valentina e Amanda, apesar de cansadas, estavam bem satisfeitas com o trabalho realizado. Depois de tomar banho, Amanda, já com a saudade da namorada apertando no peito, tomou um táxi em direção a sua casa. Valentina iria dormir lá de novo com a desculpa de que tinha que resolver algumas coisas relacionadas ao apartamento. Contudo, o motivo real era que não suportava mais dormir na casa do pai.

***

Dois meses depois, ao entrar em seu apartamento depois de ir ao supermercado, Valentina parou na porta, com uma sacola de compras em cada mão e com a esperança de que ia ser feliz ali. Os últimos dias tinham sido intensos, pois foi a finalização dos últimos detalhes do apartamento para que, finalmente, ela pudesse se mudar de vez. No início daquele dia, ajudada por sua fiel escudeira Rosa, ela havia levado todas as suas roupas para o apartamento. Era o que faltava. E, então, aquele se tornou seu lar.

Valentina fechou a porta, pôs as sacolas no chão, olhou rapidamente em volta e ficou satisfeita ao ver o seu lugar pronto para morar. De agora em diante, ela era a dona de um apartamento e de si mesma. E aquele pensamento lhe trouxe um pouco de ansiedade. Apesar de não querer mais morar na casa do pai e estar bem realizada por ter a sua casa, Valentina sentiu um calafrio de medo pela definitividade que aquele momento representava. Era diferente do ano que passara morando sozinha em Londres. A despeito do receio que repentinamente sentiu, ela respirou profundamente e sorriu ao ver que o apartamento havia ficado do jeito que ela imaginara. Iria tentar focar nas coisas boas, como no fato de poder ter um lugar para encontrar sua namorada. O medo ia passar. Ela acreditava verdadeiramente que o medo ia passar.

Valentina então passeou o olhar pelos móveis brancos da cozinha e deu um leve sorriso ao ver a geladeira vermelha, que Amanda tanto achou “descoladamente diferente”. Numa das paredes, azulejos mexicanos davam uma vívida cor àquele ambiente. Caminhou e parou em frente aos três bancos altos de madeira que ficavam dispostos ao lado da bancada. Passou os dedos bem devagar sobre o assento de um deles. Cada um tinha um mosaico feito por um artesão local, do qual Valentina admirava muito o trabalho.

Em seguida, desviou o olhar atento para a sala de jantar. Tinha adorado a ideia do arquiteto da empresa de móveis em comprar uma mesa redonda de madeira, de tamanho médio, e seis cadeiras iguais, mas de cores diferentes. Havia deixado o ambiente ainda mais descolado, como ela queria. Nas paredes da sala de jantar, estavam pendurados três quadros que ela havia pintado.

Valentina caminhou mais alguns passos e chegou à sala de estar. Sentou-se no sofá azul, de que ela tanto tinha gostado. Em cima dele, algumas almofadas com estampas diferentes colorizavam ainda mais o ambiente. Não se demorou ali. Levantou-se e parou, por alguns instantes, em frente ao sofá observando a parede. Nela, fotos emolduradas personalizavam ainda mais o apartamento. Algumas delas foram tiradas por Valentina, outras, tiradas por seu pai ou por sua mãe. Contudo, todas tinham algo em comum: eternizavam bons momentos da sua vida. A que ela mais gostava era uma foto dela abraçada à mãe quando tinha apenas quatro anos, que tinha como fundo um jardim bem florido, que ela não lembrava mais aonde tinha sido tirada. Mas não importava. O que incitava felicidade naquela foto não eram as flores do jardim, mas sim o belo sorriso de sua mãe. Naquele momento, ela se percebeu sorrindo – apesar de olhos estarem embebidos de lágrimas – e sendo, outra vez, visitada pela saudade.

Em seguida, virou-se e viu que a mesa de centro feita de pallet tinha trazido simpatia e harmonia ao ambiente. Depois, seu olhar se desviou para o painel amarelo no qual estava acoplada a TV. Amanda tinha questionado sobre sua cor. “Amarelo, meu amor? É bem inusitado, não acha? Será que vai ficar legal?!”. Valentina fez questão da cor amarela, jurando que iria ficar bacana. E ficou, pois o contrate com a tv preta e a parede branca tinha deixado o espaço mais colorido. Diferentemente, de anos atrás, que o preto dominava sua vida e suas coisas, Valentina queria cor para sua casa e para sua vida. Os objetos de decoração espalhados pela sala tinham sido comprados por ela e Amanda.

Logo a seguir, andou pelo corredor e se dirigiu ao primeiro quarto, que era o ateliê. Abriu a porta e lá estava seu cavalete, seu banco e algumas telas em branco ajustadas em um canto do quarto. Pendurados pelas paredes estavam alguns quadros dela já emoldurados, que iriam servir como vitrine para eventuais clientes. Ela tinha comprado uma mesa grande com o objetivo de organizar suas paletas, tintas e pincéis. Amanda organizara tudo dias atrás. “Quero ver por quanto tempo isso fica organizado!”, dissera a namorada reclamando da desorganização da garota. Na ocasião, Valentina apenas riu, porque sabia que a organização não duraria muito tempo. Ela era acostumada a se organizar na sua desorganização. Sempre tinha sido assim.

Depois, Valentina saiu e fechou a porta do ateliê. Caminhou até o quarto de hóspedes para dar outra olhadela. Seu olhar se demorou na grande estante que tomava toda a parede e estava abarrotada de livros.

– Se não fosse Amanda, ela não estaria tão bem organizada! – sorrindo, ela falou consigo mesma.

No quarto de hóspedes, havia, além da estante, uma cama de casal e um guarda-roupa. Ela expôs nas paredes dois de seus quadros.

Depois de sair do quarto de hóspedes, ela entrou em seu quarto. E foi onde a namorada mais deu sugestões. Havia uma cama king size, com um criado-mudo de cada lado; um guarda-roupa grande com portas espelhadas; uma poltrona bem confortável para leitura. Além disso, na parede onde se encostava a cama, Valentina havia feito uma pintura ao estilo cubista de duas mulheres abraçadas, que deixou o ambiente ainda mais artístico.

Os três banheiros foram os únicos ambientes que Valentina deixou completamente a cargo da empresa de móveis. Eles haviam ficado bem modernos. O do quarto de hóspedes ficou em tons de branco com azul. O social tinha ladrilhos pretos, que contrastavam com os móveis amarelos. O do seu quarto era branco que harmonizavam com alguns itens de madeira.

Depois de dar uma passeada por todo o apartamento e ver que tudo estava ao seu gosto, ela voltou à cozinha, pegou as sacolas de compras e colocou os mantimentos adquiridos na bancada. Naquela manhã, enquanto Valentina arrumava suas roupas e pertences no guarda-roupa – havia faltado às aulas na faculdade –, Rosa tinha ido fazer comprar para abastecer a dispensa de sua menina e, como sabia seus gostos, comprou tudo que Valentinav gostava.

A compra que ela tinha feito naquele momento era para o jantar que faria para Amanda. Naqueles dois meses, como tudo fora muito corrido, elas mal tinham conseguido se ver. E como era sexta e aquele era o primeiro dia que Valentina iria morar de fato no apartamento, Amanda deu um jeito de passar o final de semana com a namorada, dizendo à mãe que não ia ter aula naquele dia e que iria para a casa de praia dos pais de Letícia, a amiga da faculdade. Nessa altura, Amanda já tinha revelado para Letícia sobre seu namoro e sobre a não aceitação de sua mãe e de seu padrasto. E a amiga disse que Amanda poderia contar com ela para qualquer coisa. Júlia relutou muito em deixá-la “viajar”, mas, como Amanda estava cada vez melhor em seu poder de persuasão, conseguiu convencer a mãe.

Assim, por volta das sete horas da noite, Valentina estava terminando de se arrumar quando o interfone tocou. O jantar já estava quase todo finalizado. Como já tinha avisado a todos os porteiros que Amanda tinha entrada livre no prédio, minutos antes, ela tinha pedido para o porteiro noturno anunciar quando a namorada chegasse para ela terminar de arrumar a mesa. O jantar romântico era surpresa.

Instantes depois, Amanda tocou a campainha. Antes de abrir, Valentina desligou as luzes brancas, deixando somente as amarelas, para criar um clima intimista. Abriu a porta sorrindo quando viu que era Amanda.

– Boa noite, meu amor! – Valentina beijou-lhe os lábios, pegando a mochila que ela trazia pendurada em um dos ombros. – Tá tão linda, amor! – Valentina a abraçou com o braço livre.

Amanda estava vestida em uma calça social preta, sapatos altos também pretos e blusa fina de manga longa na cor vermelha. Seus cabelos estavam soltos e cacheados. De uns tempos para cá, Amanda começou a enrolá-los, em algumas ocasiões, com babyliss. Estava usando seus óculos de grau de armação preta, que a deixavam ainda mais com cara de inteligente, como costumava dizer Valentina.

– Obrigada, mô. Você também tá uma gata! – Amanda falou com os braços ao redor do pescoço de Valentina.

Valentina estava usando uma calça jeans azul clara rasgada e dobrada um pouco acima da canela, uma blusa preta curta caída no ombro, que deixava sua barriga à amostra. Nos pés, ela usava um tênis vermelho.

– Aliás, você tá arrumada assim por quê? – Amanda perguntou ainda abraçada à namorada.

– Fiz uma supresa pra você! Olha ali! – Valentina falou apontando a mesa com a cabeça e o olhar.

Amanda se virou e, instantaneamente, arregalou os olhos, pondo a mão na boca. Olhou para Valentina outra vez e perguntou extasiada:

– Você fez um jantar pra mim, meu amor?! Não acredito!

– Fiz! – Valentina sorriu orgulhosa de si mesma.

– Amor, que mesa linda!

A mesa estava posta com um conjunto americano comprado por Valentina no mercado de artesãos da cidade. Sobre ele, pratos grandes de porcelana branca e, ao lado, talheres de prata. Próximo aos dois pratos, ela colocou as taças de água e de vinho tinto, presente de Caio e Roberta. Nada melhor do que estrear as taças com um jantar romântico com Amanda. Para terminar de compor a mesa, Valentina pôs algumas velas pequenas no castiçal que tinha comprado no mesmo mercado de artesãos onde comprou o jogo americano.

– Você gostou mesmo, mô? – Valentina perguntou abraçando Amanda por trás e beijando seu pescoço.

– Nossa, eu amei, mô! Tem como não amar isso tudo? – Amanda falou acariciando os braços de Valentina que estavam ao seu redor. – Mas não sabia que a minha namorada cozinhava!

– Bom, aprendi umas coisas morando em Londres, mas esse prato é a primeira vez que faço! Você será minha cobaia…

– Ai meu Deus! Que perigo! – Amanda disse em tom jocoso.

Valentina deu de ombros sorrindo e disse:

– Ah, se tiver ruim a gente pede uma pizza!

Amanda se virou e falou empolgada:

– Não vai tá! Tô louca pra experimentar sua comida…

– Então, senhorita, pode se sentar! – Valentina falou puxando a cadeira para a namorada.

– Hum, que cavalheira! – Amanda brincou se sentando à mesa.

Valentina riu, ligou sua caixa de som e colocou baixinho um jazz para embalar o momento romântico. Depois foi até a cozinha finalizar o jantar.

– Toma uma tacinha de vinho comigo? – ela perguntou sem grande entusiasmo.

– Tomo sim! – Amanda respondeu.

– Sério?! – Valentina foi pega de surpresa com a resposta positiva da namorada.

– Mas só uma, tá?

– Tá! – Valentina falou com empolgação, finalizando a montagem dos pratos e depois os levando até a mesa.

Ao ver o prato em sua frente, Amanda elogiou:

– Nossa! Se tiver gostoso como tá bonito…

– Espero mesmo que não esteja só bonito! Tomara que esteja gostoso também! – Valentina falou com leve nervosismo na voz.

Em seguida, ela voltou à cozinha para pegar o vinho na geladeira. Enquanto ela o abria na bancada, disse para Amanda que tinha escolhido o vinho feito com uma uva mais leve, que era bom para quem não era acostumada a beber, pois travava menos já que era vinho seco. Depois de aberto o vinho, ela retornou à sala de jantar, sentou-se à mesa e derramou o líquido vermelho nas duas taças. Levantou sua taça e disse:

– Um brinde a nós!

– A nós e a sua nova vida! – Amanda falou sorrindo e enganchando seu olhar nos olhos da namorada.

Elas então bebericaram o vinho e depois começaram a comer. Valentina tinha feito uma massa ao pesto e, na primeira garfada, Amanda comentou:

– Hummm, amor! Tá uma delícia! Nossa!

– Não é que ficou bom mesmo! – Valentina falou depois de engolir a primeira garfada. – Peguei essa receita na internet… Lembra que a gente comeu um espaguete ao pesto lá em Florença? Maravilhoso! Claro que o meu não tá aos pés daquele, mas dá pra comer…

– Dá pra comer e repetir! Tá uma delícia! – Amanda falou colocando outra garfada na boca.

Valentina riu de satisfação pelo fato de a namorada ter apreciado o prato que ela preparara com tanto amor para o jantar. Mais cedo, ela estava com receio de que tudo desse errado. Mas, no fim, tudo saiu como deveria! Depois de comer a primeira vez, Amanda se serviu mais uma vez e ainda pediu para ela por mais um pouco de vinho em sua taça, fazendo Valentina se surpreender com aquele pedido. Valentina também repetiu para acompanhá-la.

Depois do jantar, que foi regado de carinho, olhares, conversas e sorrisos, elas foram se sentar no sofá. Amanda se sentou bem próxima a Valentina, que pôs o braço esquerdo em seu ombro e continuou segurando a taça com a outra mão. Amanda cruzou as pernas e apoiou sua taça na coxa. E, assim, ficaram conversando e trocando carinho. Ao terminar a segunda taça, Amanda se levantou e perguntou à namorada:

– Terminou? Vou por um pouco mais pra mim. Você quer?

Valentina balançou a cabeça afirmativamente e disse entregando a taça a Amanda:

– Quero!

Enquanto ela se dirigia à cozinha, Valentina brincou com a namorada:

– Quem te viu quem te vê, hein, amor! Tomando vinho comigo!

– Pois não é! Até eu tô me surpreendendo comigo mesma!

– Eu tô adorando sua companhia no vinho…

– Mas acho que já tô ficando com calor… – Amanda falou rindo.

– Ah, vinho esquenta mesmo…

Instantes depois, Amanda voltou, entregou a taça para Valentina, sentou-se novamente bem próximo a ela e foi recebida com um beijo intenso. Sem interrompê-lo, girou o corpo e se sentou de frente no colo de Valentina, que ficou entre suas pernas. Para evitar que o vinho derramasse no sofá novo, Valentina segurou Amanda pela cintura, afastou-se do beijo e se inclinou para frente, colocando sua taça na mesa de centro.

– Me dá a sua também, amor! – ela sussurrou.

Antes de entregar a taça para a namorada, Amanda virou o restante de vinho em um gole só.

– Já tá bebinha mesmo, hein, mô? – Valentina brincou.

– Tô não! Tô só um pouco alegre! – Amanda falou com uma voz meio alterada e riu.

Valentina também riu e depois sussurrou, penetrando seus dedos entre os cabelos dela:

– Onde foi que a gente parou, hein?

– Aqui, ó! – Amanda sussurrou e beijou a namorada com vontade.

Valentina então desceu as mãos até o quadril de Amanda e a puxou mais para si. Logo após, Amanda se afastou e rapidamente tirou a blusa, voltando a beijar a boca da namorada com sofreguidão. Enquanto isso, a filha de Agnelo desabotoou o sutiã da namorada, fazendo com que seus seios ficassem a mercê de seus toques.

Depois de alguns instantes se deliciando com as carícias da namorada, Amanda se levantou e, fitando Valentina com um olhar abrasador, desabotoou a calça e a tirou com rapidez e destreza, apesar de estar sob o efeito alcoólico. Seguidamente, ela se ajoelhou entre as pernas de Valentina e sussurrou lhe acariciando os cabelos:

– Ai, amor, você tá me deixando louca de… – ela beijou a boca da namorada e depois encostou a testa na dela.

– Louca de quê? Fala… – Valentina instigou a namorada.

– De tesão! Tô louca pra te comer aqui! – Amanda murmurou se sentindo diferente. O vinho, misturado ao desejo que sentia pela namorada, deixou-a com uma desinibição nunca antes experimentada.

E Valentina estava surpreendentemente extasiada com aquela versão de Amanda. Nunca tinha visto nem ouvido a namorada falar daquele jeito. Em resposta àquela declaração, ela tirou a blusa e assim que a soltou no sofá, Amanda lhe tocou os seios com as mãos e sussurrou mirando os olhos de Valentina:

– Sabia que eu sou louca por eles? – ela mordeu o lábio inferior.

– Ah, é? Sabia que eles são loucos pela tua boca? – Valentina a incitou ainda mais.

Apertando os olhos, Amanda deu um sorriso malicioso, lambeu os lábios e se inclinou até sua boca alcançar o alvo desejado. Ao sentir a língua da namorada deslizando sobre seus seios, Valentina soltou um suspiro. Momentos depois, Amanda descia pela barriga dela depositando beijos molhados e leves mordidas. Com intensa excitação, Valentina observava Amanda lhe oferecer as estimulantes carícias. Seguidamente, Amanda se afastou e, fitando a namorada com um perceptível semblante alcoolizado, falou ofegante:

– Meu Deus, eu não sei o que tá acontecendo comigo!

Valentina sorriu, tomou seu rosto entre as mãos e, antes de beijá-la, sussurrou:

– Eu também não sei, mas tô adorando!

Nesse momento, sem se soltar do beijo, Amanda desabotoou a calça da sua garota, puxou-a para fora das pernas junto com a roupa íntima e as jogou no chão. Logo em seguida, afastou-se de Valentina e lhe tocou entre as pernas com urgência, sentindo a intensa umidade da namorada. Valentina gemeu mais alto com aquele lascivo contato íntimo. Amanda roçava-lhe e penetrava-lhe os dedos na intimidade, enquanto seu olhar, que era puro desejo, se detinha nos olhos sedentos de Valentina, que não tardou para sentir seu corpo estremecer e emanar um intenso orgasmo.

Depois, ofegante, ela se encostou despojadamente no sofá e ficou observando no momento em que Amanda se levantou e sentou-se em seu colo outra vez. Valentina mal havia recuperado a respiração, mas não deixou de beijar a boca da namorada com um desejo vivaz como se sentisse aqueles lábios pela primeira vez. As mãos da pintora mergulharam nos cabelos da morena, enquanto esta se movimentava em seu colo com uma cadência sensual. Ato contínuo, as mãos de Valentina se afastaram da nuca e fizeram um percurso erótico pelo corpo de Amanda, deslizando por sua pele cálida e suada, fazendo com que o prazer dela se intensificasse ainda mais.

Ao ter a intimidade tocada, Amanda gemeu ousadamente, arqueando a cabeça e o corpo para trás sem interromper o remelexo do quadril. Enquanto isso, Valentina ofereceu a boca aos seus seios, que se arrepiaram ao sentir a língua dela escorregar suavemente por eles. Instantes depois, Amanda envolveu Valentina em seus braços ao sentir seu corpo ser arrebatado pelo êxtase sexual.

Logo após, seus corpos se encontravam relaxados, suados e satisfeitos. E, a pedido de Amanda, elas deixaram a louça para lavar no outro dia e foram tomar banho. Em seguida, elas se deitaram, aconchegaram-se na posição ‘conchinha’ – com Amanda na frente e Valentina atrás, abraçada a ela – e esperaram o sono chegar, o que aconteceu com uma brevidade espantosa.

***

No dia seguinte, elas acordaram por volta das nove horas da manhã –tarde para Amanda e cedo para Valentina – e fizeram café da manhã. Depois lavaram toda a louça e arrumaram a casa para receber os amigos, que tinham sido convidados por elas dias antes. Nesse momento, Júlia ligou para saber se estava tudo bem e Amanda tratou de falar o mais rápido possível com a mãe, para evitar mentir ainda mais para ela. Depois de tudo pronto para a recepção dos amigos, elas almoçaram yakissoba pedido em um restaurante chinês e, em seguida, acabaram cochilando por alguns momentos.

Por volta das oito horas da noite, os amigos começaram a chegar. Leo foi o primeiro a chegar. Pouco tempo depois, Caio, Roberta e Sabrina chegaram juntos. Enquanto todos conversavam na sala, Samara e Maria Clara, amigas de Amanda, chegaram e se juntaram ao restante do grupo. Instantes depois, Amanda recebeu uma mensagem de Letícia:

“Amiga, não te contei antes, pq ñ qria atrapalhar seu fds romântico, mas eu e o Arthur terminamos na quinta. Descobri uma puta sacanagem dele. Dpois te conto tudo. Mas o q kro saber é se posso levar um carinha q conheci ontem. A fila andou! hahaha.”.

Desde que conheceu Letícia, Amanda achou surpreendente a forma como ela lidava com os fins de seus namoros. Passava de um namorado para outro como se trocasse de roupa. Simples assim. Os términos não a faziam sofrer nem um pouco. Pelo menos era o que parecia. Ou ela era muito desapegada ou conseguia dissimular muito bem, pois conseguia realmente aparentar que não ligava para os términos de seus namoros fugazes. Ela começou a namorar Arthur, quatro meses atrás, quando fazia apenas três dias que tinha terminado um namoro de nove meses com Luís Henrique. Dessa vez, o tempo entre um e outro foi ainda menor: um dia!

Rindo das frases da amiga, Amanda deslizou os polegares pela tela do celular e respondeu:

“Claaaro que pode, amiga! Preciso conhecer sua nova vítima! Hahahahaha Vem logo! Bjo”.

Menos de meia-hora depois, o interfone tocou e o porteiro anunciou Letícia. Após alguns minutos Amanda escutou o barulho da campainha e foi abrir a porta. Ao dar de cara com Letícia e o rapaz ao seu lado, Amanda empalideceu, arregalou os olhos e, aturdida, proferiu:

– João Pedro?!

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