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QUANDO MENOS SE ESPERA – Capítulo 50

O aniversário de Valentina seria bem diferente ao do ano que passou, pois, em fevereiro passado, ela estava há apenas dois meses em Londres e não tinha feito ainda nenhuma amizade. Até então, estava em fase de adaptação. Sentia muita falta de Amanda, de Rosa, dos amigos e da sua cidade. Além disso, estava cursando algo que não gostava. Por isso, no dia do seu aniversário, ela era o desânimo em pessoa. Depois das aulas, ela resolveu passear pela cidade. Não queria ficar sozinha em casa. Então, pelo menos, iria ver pessoas e admirar lugares bonitos. A única coisa que alegrou seu dia, há um ano atrás, foi conversar com Amanda por mensagens e depois por chamada de vídeo.

As aulas na universidade de Valentina começariam dali há uma semana. Portanto, depois do almoço, ela foi encontrar Leonardo em seu apartamento, visto que as aulas dele também não haviam começado. Devido a uma greve no semestre passado, a Universidade Estadual estava com o calendário bem diferente do das outras universidades. Leo estava muito feliz e empolgado no curso de Publicidade. Ele costumava falar que havia encontrado o que queria fazer para o resto da sua vida.

Valentina e Leo passaram a tarde conversando deitados na cama dele. No início da noite, eles foram encontrar a turma, a qual Valentina ainda não tinha visto pessoalmente desde que chegou de viagem. Marcaram de se encontrarem no barzinho perto da casa de Leo.

Diferentemente das outras, as aulas da Universidade Federal começaram no dia anterior, dia primeiro. Mesmo com todo o problema que Valentina e Amanda viveram na época das provas do Enem, a filha de Júlia conseguiu ser aprovada em Direito na Universidade Federal, tirando o segundo lugar. Nesse ano, ela estava iniciando o terceiro semestre. Amanda tinha feito os dois primeiros semestres no turno da manhã. Contudo, como pediu ao padrasto para estagiar voluntariamente em seu escritório, mudou o curso para o período noturno. Então, acordou com Agnelo que ela iria ao escritório pela tarde para de lá ir direto à faculdade. Teria, assim, a manhã livre para estudar.

Porém, como o dia do aniversário da namorada era apenas o segundo dia de aula e, como na primeira semana os professores somente se apresentavam e explanavam sobre a disciplina, Amanda resolveu faltar às aulas daquele dia para encontrar Valentina no barzinho onde ela estaria com os amigos. Ela chegou ao Meeting Bar por volta das seis e quinze da noite e encontrou Valentina arrodeada de Leo, Sabrina, Caio e Roberta. Eduardo não estava presente.

No final do ano passado, depois de tentar várias vezes passar em alguma faculdade pública, Edu, a mando de seu pai, fez vestibular para uma universidade particular em outro estado. Como havia passado, ele acabou se mudando logo no início de janeiro daquele ano. Sabrina e Roberta também tinha conseguido vaga na Universidade Estadual. A primeira estava cursando Nutrição, a segunda, Comércio Exterior. Já Caio cursava Engenharia Civil em uma faculdade particular, menos tradicional do que a universidade na qual Valentina estava estudando.

Amanda chegou por trás de Valentina e fez o sinal de silêncio para os amigos não entregarem que ela estava lá. Enlaçou-lhe o pescoço com os braços e o beijou, fazendo com que ela se assustasse. Então, Valentina virou seu rosto e, arregalando os olhos demonstrando um espanto feliz, disse:

– Meu amor! Você conseguiu vir? – ela puxou a namorada para sentar-se em seu colo e a beijou na boca.

Depois do rápido beijo, Amanda falou abraçada ao pescoço dela:

– Claro! Não podia faltar, né, meu amor!

– Ohhhhh! – os amigos brincaram.

– Bestas! – elas falaram juntas fazendo caretas e depois sorriram para os amigos.

Então, Amanda se sentou numa cadeira ao lado de Valentina, pôs a mão delicadamente sobre sua coxa e pediu um suco ao garçom. Valentina pegou em sua mão e ficou acariciando sua pele com o polegar. Enquanto todos escutavam como tinha sido as férias de Sabrina, Valentina cochichou no ouvido de Amanda:

– Tô tão feliz de te ver aqui!

Amanda sorriu, beijou-lhe a bochecha e disse baixinho:

– Eu que tô feliz de poder comemorar seu aniversário com você. Quero te dar teu presente…

– Por que não trouxe?

– Deixei na casa de Leo, porque você sabe como é, né?  – Amanda falou se referindo aos pais delas.

– Sei… – Valentina revirou os olhos.

– Depois daqui eu te dou…

– Ah, mas já vai ser tarde e você não pode demorar muito. Até porque, tecnicamente, você tá na faculdade…

– Vixe, é mesmo! – Amanda falou levantando as sobrancelhas.

– Já sei! Vamos agora! A gente pede pra galera esperar aqui.

– Não vai ficar chato, você sair assim da comemoração do seu aniversário?

– Fica não, amor! Eles entendem nossa situação! – Valentina olhou para Leo, que estava sentado ao seu lado e perguntou ao amigo se podia ir lá com Amanda.

– Claro que pode! – ele lhe deu as chaves de casa. – Acho que meus pais vão estar lá, mas não tem problema… Só serem discretas, caso vocês… – brincou o amigo.

– Deixa de ser maldoso, Leo! – Valentina riu. – Ela vai só me dar o presente, cara.

– Sei… – ele sorriu malicioso.

Valentina olhou para o resto da turma e disse:

– Gente, vocês não acham ruim eu e a Amanda irmos no ap do Leo rapidinho, não né?

– Hummmm… – Roberta brincou.

– Não é nada disso que vocês estão pensando… – Amanda falou envergonhada. – Quero dar o presente dela que deixei lá…

– Podem ir! A gente espera aqui… Mas não demorem! – Caio falou. – Quer dizer, podem demorar se quiserem… A gente entende, né, galera?

– Siiim! – todos disseram.

– Bobos! – Amanda falou sorrindo e se levantando.

Então, ela e Valentina se dirigiram ao apartamento de Leo. Chegando lá, Amanda pediu para a namorada fechar os olhos e sentar na cadeira da escrivaninha de Leonardo. Assim, ela o fez e, com cuidado, Amanda retirou o presente de dentro do guarda-roupa do amigo e o pôs sobre as coxas de Valentina, que passou as mãos por ele.

– Espera! – ela afastou as mãos da namorada. – Ainda não!

De pé na frente da namorada, Amanda ajeitou o presente nas pernas dela e falou com uma voz animada:

– Agora pode abrir os olhos!

Valentina abriu os olhos devagar e viu um baú grande de madeira com uma aparência envelhecida sobre suas coxas.

– Uau, amor! Que baú lindo! Adoro essas coisas vintage! – com os olhos brilhando, Valentina falou passando as mãos pelo baú.

– Abre logo, amor! – Amanda esfregou as mãos uma na outra.

– Calma, amor! Deixa eu apreciar o baú primeiro! – Valentina brincou com a namorada.

– Tô agoniada já! Quero saber se você vai gostar! – ela falou estalando os dedos.

Valentina riu do jeito ansioso de Amanda e abriu a caixa. Seus olhos se arregalaram e ela pôs a mão na boca. Olhou para Amanda sem acreditar.

– Meu amor, não acredito que você comprou isso tudo!

– Os seus já estão um pouco velhos, né amor! Alguma coisa tinha que ser feito!

Valentina riu do comentário da namorada e falou:

– É, você tem razão… Mas, meu Deus, amor, isso deve ter sido bem caro!

– Mas você merece! – Amanda falou passando a mão no rosto de Valentina que lhe retribuiu com um sorriso.

Então, Valentina voltou o olhar para o baú e falou encantada:

– Nossa, mô, amei! Não tem como não amar esse presente!

O baú estava repleto de tintas a óleo de todas as cores, pincéis de todos os tipos e tamanhos, todos gravados ‘Valentina Ferrato’ na parte do cabo amarelo, além de uma paleta grande arredondada na cor de madeira.

Valentina então se levantou, colocou o baú na cadeira em que estava sentada e abraçou a namorada.

– Obrigada, amor! Não precisava gastar toda essa grana comigo, mas o presente é lindo, lindo, lindo! Eu amei! – deu vários beijos curtos em sua boca.

– Me informei quais eram as melhores tintas e pinceis. Acertei? Gostou mesmo, mô?

– Acertou em cheio! E gostei muitão! Vou começar o curso com as coisinhas todas novas! – ela sorriu. – E eu gostei tanto que vou ter que agradecer de uma maneira especial! – ela sorriu de novo e, dessa vez, o sorriso foi malicioso.

Então, ela se aproximou de Amanda e a beijou na boca. No início, os lábios se moviam lentamente e as línguas se acariciavam com delicadeza. Depois, o beijo foi ficando mais intenso, o que fez o desejo atingir um alto nível de intensidade, ocasião em que Valentina meteu suas mãos por dentro da blusa de Amanda sentindo o calor da sua pele. A reação da namorada foi soltar um gemido abafado em sua boca. Então, Valentina levantou a blusa até retirá-la toda do corpo de Amanda e depois a soltou em cima do baú. Em seguida, colocou as mãos no pescoço dela e beijou-lhe a boca novamente. Passaram alguns instantes sentindo o gosto da boca uma da outra até Valentina se afastar e deslizar seu olhar até os seios de Amanda. Então, lentamente, deslizou as mãos pelos ombros dela até chegar aos seios. Ela os tocou delicadamente e depois olhou para Amanda, que a fitava mordendo o lábio inferior e tinha a respiração pesada.

Valentina então a segurou pela mão até a cama de Leo. Sentou-se e abraçou Amanda, que permaneceu de pé entre suas pernas e emaranhou os dedos em seus cabelos. Enquanto isso, a filha de Agnelo lhe beijava os seios e lhe acariciava a barriga fazendo o corpo inteiro de Amanda se arrepiar. Em seguida, Valentina desabotoou a calça jeans de Amanda e a tirou do corpo dela com destreza, deixando-a jogada no chão. Depois, ela voltou a beijar a barriga de Amanda e quando ia tirar a calcinha dela, a garota a empurrou fazendo-a deitar-se na cama.

– O aniversário hoje é seu… Quem vai ganhar presente é você! – Amanda sussurrou e subiu em seu corpo, mantendo-a entre as pernas, enquanto Valentina segurava em sua cintura e sorria com a ousadia da namorada.

– Hum… Adoro ganhar esse tipo de presente! – Valentina deslizou suas mãos até a bunda de Amanda e a apertou com vontade fazendo a namorada colar em seu corpo.

Amanda se ajoelhou e, enquanto Valentina tirava sua blusa, Amanda desabotoava a calça dela e a puxava pernas afora. Depois, ela deitou sobre o corpo de Valentina outra vez, colocando sua perna entre as dela, e a beijou com desejo. Suas línguas travaram uma luta sensual dentro de suas bocas, enquanto Amanda tocava os seios de Valentina com uma das mãos e ela continuava lhe apalpando a bunda. Seus corpos colados se roçavam com veemência um no outro e pulsavam de excitação.

Instantes depois, Amanda desceu a boca pelo pescoço da aniversariante, passando pelos seios, onde, por alguns minutos, sua boca deu a devida atenção. A seguir, depositou beijos molhados em na barriga dela, o que fez a pele de Valentina se arrepiar por completo e sua respiração ficar mais ofegante. Por fim, Amanda encaixou a boca entre suas pernas fazendo-a se contorcer de prazer, porém ela gemia baixinho. Percebendo a umidade da namorada, Amanda então lhe penetrou os dedos com delicadeza e Valentina não conseguiu se segurar e gemeu mais alto. E, em poucos instantes, ela apertou a colcha da cama entre as mãos, comprimiu os lábios para não deixar escapar seus gemidos de prazer e se derramou na boca e nos dedos da namorada.

Em seguida, Amanda deitou o corpo sobre o de Valentina, que a recebeu, ainda trêmula, com um beijo caloroso. De repente, Valentina girou o corpo e se pôs sobre ela. Acarinhou o rosto de Amanda com o dedo e sussurrou:

– Te amo, meu amor…

– Eu também te amo… Muito! – Amanda falou acariciando as costas suadas de Valentina.

Elas se entreolharam com um olhar apaixonado e sorriram uma para a outra. Então, Valentina a beijou novamente, enquanto descia a mão até o sexo dela. Deparou-se com a sua umidade e, assim, penetrou-a lentamente. Ela se afastou do beijo e começou a mover o corpo, em um movimento de vai-e-vem, juntamente com a mão, fazendo Amanda gemer mais alto com o prazer proporcionado. Enquanto isso, elas permaneceram com o olhar fixo uma na outra, sentindo suas respirações entrecortadas, até o corpo de Amanda sinalizar que estava chegando ao êxtase. Para os gemidos não reverberarem para além do quarto, Valentina encostou os lábios na boca de Amanda e os abafou, enquanto o corpo dela tremia devido ao intenso orgasmo.

Logo em seguida, Valentina saiu de cima de Amanda e se aninhou em seu braço, colocando a perna por cima da dela. Enquanto elas restabeleciam suas respirações ofegantes, Valentina ficou acariciando a barriga de Amanda, que ficou passando os dedos entre seus cabelos. Nesse momento, elas nada falaram. Apenas tiveram vontade de ficar naquele quarto para sempre, no mundo delas, sem interrupção de ninguém, principalmente dos pais. Contudo, a realidade chamou Amanda e ela falou com pesar:

– Amor, infelizmente a gente precisa voltar…

– É, eu sei… – a voz de Valentina saiu desanimada.

Então, elas trocaram mais um beijo, depois vestiram suas roupas e voltaram ao barzinho onde os amigos esperavam por elas.

– Oh presente demorado, rapaz! – Caio brincou assim que as amigas se sentaram à mesa, levando um cutucão de Roberta na coxa.

Amanda enrubesceu e Valentina falou rindo:

– Presente tem que ser bem dado, meu filho!

Todos riram, menos Amanda, que a olhou franzindo o cenho, repreendendo-a com o olhar e exclamando:

– Amo-or?!

– Que foi, mô? – Valentina riu levantando os ombros como se não soubesse o porquê de a namorada está envergonhada. – Não é verdade não?

– Para, Valentina! – Amanda repreendeu vermelha de vergonha.

Valentina levantou as mãos em rendição e disse:

– Tá, parei!

Ela soltou um beijo no ar em direção à namorada, que balançou negativamente a cabeça. Depois, Valentina beijou o pescoço da namorada e Caio mudou de assunto.

Naquela noite, Valentina dormiu na casa de Leo e, por volta das nove e meia da noite, Amanda pegou um uber e se dirigiu a sua casa.

***

Devido à demora na documentação, Valentina recebeu o apartamento quinze dias depois do seu aniversário. Ela já tinha assinado toda a documentação referente à compra do imóvel. George estava com ela no momento do recebimento das chaves e foi embora um pouco antes de Amanda chegar para alívio das garotas, que não queriam que ele a visse ali.

Para poder acompanhá-la, Amanda tinha pedido ao padrasto para sair mais cedo do escritório com a desculpa de que tinha que conversar com os amigos antes da aula sobre um seminário que iria apresentar naquele dia.

Depois que George saiu, Valentina ficou esperando Amanda na entrada do prédio. No fim da tarde, Amanda apareceu na entrada do prédio vestida com uma calça social bege e uma blusa preta botão e de mangas compridas. Usava um sapato preto alto modelo scarpin. No braço direito, ela segurava, junto ao peito, um caderno e uns livros. No antebraço esquerdo pendia uma bolsa preta de couro. Ela parecia mais velha do que era. Valentina a tinha visto daquele jeito poucas vezes. Apesar de não gostar de usar roupas daquele estilo, Valentina achava um charme ver a namorada com aquelas roupas.

Valentina se dirigiu até o portão e falou com o porteiro para deixar Amanda entrar. Em seguida, elas se dirigiram ao apartamento que ficava no 13º andar. Ao pararem em frente à porta, Valentina enfiou a chave na fechadura e a abriu. Sorriu para Amanda, que, quando deu um passo para adentrar o apartamento, sentiu seu corpo ser levantado pela namorada, o que a fez soltar um grito fino e dizer agarrada ao pescoço dela:

– Ai que susto, amor! O que você tá fazendo?

– Apesar da gente não tá casando, esse vai ser o nosso cantinho. Então, vou fazer como manda a tradição, né?

Amanda sorriu e deu um rápido beijo em seus lábios. Então, Valentina caminhou porta adentro com a namorada em seus braços. Ali começava sua mais nova vida.

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