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QUANDO MENOS SE ESPERA – Capítulo 49

Enquanto Valentina fechava a porta do quarto de Leonardo atrás de si com uma das mãos, com a outra, trouxe Amanda para junto dela, fazendo seus corpos se aconchegarem um no outro. Amanda sorriu agraciada pelo carinho e arrodeou o pescoço da namorada com os braços, fazendo com que seus rostos ficassem bem próximos um do outro. Valentina então sussurrou olhando fixamente para os olhos de Amanda:

– Como eu sonhei com esse momento, meu amor! – tocou levemente com os lábios a boca da namorada.

– Eu também! Muito! – Amanda falou levantando as sobrancelhas. – A saudade chegou até a doer… – ela falou baixinho num tom melancólico.

– É… Eu sei bem como foi… Mas já passou! O que importa agora é que a gente tá juntinha de novo!

Elas sorriram, não só com a boca, mas, também, com os olhos, que cintilaram de alegria ao perceberem que, finalmente, estavam juntas outra vez, apesar das circunstâncias continuarem difíceis. A felicidade delas era palpável. Desejaram aquele momento com tanta ânsia e por tanto tempo, que, por alguns instantes, não acreditaram que ele era real. Era como se fosse fruto do pensamento ou de algum sonho. Se não estivessem sentindo o contato de seus corpos, achariam que era realmente sonho.

O afastamento obrigatório acabou servindo para deixá-las cada vez mais apaixonadas. Os pais tinham fracassado totalmente em suas intenções de separá-las. Elas tinham conseguido manter o relacionamento por mais de um ano, superando a distância e até mesmo um desentendimento que quase culminara no término do namoro.

***

Por volta de julho do ano anterior, Brian, um colega de curso, tinha chamado Valentina, como ocorrera outras vezes, para eles irem a um pub depois das aulas. Lá, eles encontraram uma amiga dele, que estava na cidade. Giovanna, uma italiana linda de vinte anos, que ficou encantada com a filha de Agnelo e passou a noite toda se insinuando para ela. Numa das idas de Valentina ao banheiro, a garota a seguiu. Assim que ela saiu, Giovanna a encostou na parede e disse, Sei deliziosa, ragazza! Sono pazzo a baciarti! Você é uma delícia, garota! Estou louca pra te beijar! E beijou.

Ser beijada de surpresa, num primeiro momento, não teria nada de errado, se Valentina tivesse, de súbito, afastado a garota. Contudo, ela não afastou e nem se afastou. De início, ela retribuiu o beijo. Instantes depois, ela percebeu o que estava fazendo e se desvencilhou. Limpou a boca, olhando incrédula para a garota e disse, Não posso fazer isso, porque sou comprometida. Giovanna, sorrindo sedutoramente, disse que não estava pensando em namorar, queria apenas se divertir. E Valentina falou com seriedade, Não quero me divertir com você, porque amo minha namorada.

Depois do pequeno diálogo, a namorada de Amanda saiu em direção à mesa, despediu-se do amigo e foi embora. Acertadamente, preferiu não ficar. Estava carente e, ainda por cima, tinha tomado algumas cervejas. Permanecer no pub poderia piorar ainda mais a situação.

Quando chegou ao apartamento, Valentina jogou-se no sofá e ficou refletindo por que tinha feito aquilo e foi consumida pela culpa. Pensou inúmeras vezes se dizia ou não para Amanda o que tinha acontecido. Queria ser sincera, mas não queria deixá-la chateada. Afinal, não havia significado nada para ela. Por fim, decidiu não contar, pois só iria aborrecê-la.

Dois dias depois, Giovanna apareceu com Brian e outros amigos no apartamento de Valentina. Em determinado momento, quando ela foi a seu quarto pegar alguns desenho dela para mostrar aos novos amigos, a garota entrou no quarto e outro beijo aconteceu. Dessa vez, mais intenso e mais urgente. Contudo, ao tirar a blusa de Giovanna e olhar para os seus seios, Valentina se lembrou de Amanda e conseguiu cair em si. Ela tinha os seios bem parecidos aos de Amanda. Então, entregou a blusa para a garota e saiu do quarto.

Depois disso, Valentina não aguentou guardar aquilo dentro dela e contou tudo para Amanda através de chamada de vídeo. Como não podia gritar, porque senão Júlia e Agnelo ouviriam, Amanda, com os olhos cheios de lágrimas, apenas disse, Não acredito que você fez isso comigo, e desligou a chamada na cara da namorada. Depois, abafou os gritos de raiva no travesseiro. Naquele dia, ela passou a noite toda chorando.

Os dias se seguiram com muitos pedidos de perdão de Valentina, mas Amanda só conseguiu perdoá-la depois de quase um mês. Na ocasião, ela disse que se acontecesse de novo, não perdoaria mais. Valentina então prometeu, Isso nunca mais vai acontecer, amor. E realmente ela cumpriu sua promessa. Aquela briga, a maior que elas já tiveram até ali, acabou ajudando a amadurecê-las e a fortificar ainda mais o namoro.

***

Com os braços ao redor da cintura de Amanda, Valentina aproximou lentamente sua boca da dela, como se elas estivessem numa cena de filme romântico e a câmera estivesse focando naquele beijo. E, assim, se receberam delicadamente. Valentina começou a explorar a boca de Amanda com uma lentidão prazerosa. Enquanto isso, uma de suas mãos subiu vagarosamente e estacionou no seio esquerdo dela, que soltou um gemido abafado dentro de sua boca. Apalpou-lhe o seio fazendo com que ele se enrijecesse entre seus dedos.

Em seguida, ainda abraçada a Amanda, Valentina a guiou até a cama de Leonardo. Ainda de pé, Valentina, com um só movimento, retirou-lhe o vestido, deixando-a apenas de calcinha. Depois, ela a abraçou e sussurrou-lhe ao ouvido:

– Adoro quando você tá de vestido, sabia?

– Ah, é? – Amanda falou em suspiro no ouvido de Valentina, que passou a beijar-lhe o pescoço. – Eu também adoro quando tô de vestido… Assim, você me deixa nua mais rápido… – entrelaçou as mãos pelos cabelos da namorada.

Então, tomada pelo desejo, Valentina pegou o rosto macio da namorada e lhe deu um beijo. Dessa vez, foi mais intenso, mais ávido. Com sofreguidão, Amanda enlaçou a cintura de Valentina, puxando-a mais para si. Tudo que elas cobiçavam há meses estava acontecendo naquele momento. Elas necessitavam se sentir, se tocar, se possuir.

Em seguida, Amanda tirou a blusa de Valentina, jogando-a na cama, levou suas mãos aos seios dela e os sentiu se eriçarem entre seus dedos, fazendo a namorada soltar um gemido mais alto. Depois, ela lhe retirou o short e o deixou cair no chão. Então, elas se abraçaram, fazendo suas peles se tocarem depois de tanto tempo de privação. Sentiram os seios se roçarem, as mãos tatearem pelos corpos, as bocas se experimentarem como se fosse a primeira vez que elas faziam amor.

Após alguns instantes de troca de beijos e de toques desejosos, Amanda deitou-se recebendo o corpo de Valentina, que pôs a perna entre as suas e pousou a boca em seu pescoço, dando-lhe beijos molhados, que a fizeram se arrepiar. Enquanto isso, Amanda passeava uma mão pelas costas de Valentina e a outra lhe apertava a nuca com força. Em seguida, Valentina deslizou a boca pelo corpo de Amanda, fazendo seus pelos se eriçarem e ela se estremecer toda, soltando sussurros de prazer ao atingir o clímax com intensidade.

Depois foi a vez de Amanda proporcionar carícias a sua namorada, provando-a com todo o desejo que sentia pelo corpo dela até fazê-la alcançar o ápice do prazer. Trêmula e ofegante, Valentina relaxou na cama e chamou Amanda para se deitar em seu braço. Assim, elas ficaram ali em silêncio, por alguns instantes, suadas, arfantes e bem felizes. Depois de recuperar a respiração, Amanda quebrou o silêncio:

– Amor, a gente precisa arranjar outro local pra se ver. Não me sinto muito confortável usando a casa do Leo como…

– Motel?! – Valentina completou a frase rindo.

– É! Fico morta de vergonha!

– Eu também não gosto… Mas, por enquanto, é o que a gente tem. Ou você quer ir a um motel de verdade?

– Não! Não gosto, apesar de nunca ter ido num. Acho estranho, sei lá… Impessoal…

– Eu também acho… Mas, se tudo der certo com meu pai, a gente pode ter um cantinho pra se encontrar… Só nosso! – Valentina lhe beijou o topo da cabeça.

Amanda virou o rosto, olhou para a namorada e perguntou:

– Você vai mesmo dizer a ele que quer morar sozinha?

– Vou sim! Porque você sabe que eu tenho direito a uma parte da herança da minha mãe, né? – Amanda balançou a cabeça afirmativamente. –Poderia ter exigido do meu pai naquela época, mas preferi ir embora pra acalmar os ânimos por aqui… Agora quero esse dinheiro… Além do mais, tenho que começar a criar coragem pra vender minhas telas e conseguir dinheiro pra me manter sem a ajuda dele… Acho que se eu comprar um ap mais em conta, sobra dinheiro pra viver por um tempo…

– Você sabe que eu apoio qualquer decisão tua, né? – Amanda sorriu e, colocando a mão no pescoço de Valentina, puxou-lhe para um beijo.

Elas ficaram namorando por mais algum tempo até Leonardo chegar. Então, Amanda agradeceu ao amigo e foi embora primeiro. Era fim de tarde. Valentina ficou para matar a saudade do amigo e só foi embora por volta das oito horas da noite.

Ao chegar em casa, Valentina procurou o pai para conversar, porque precisava definir logo sua vida. Não aguentaria mais ficar naquela casa por muito tempo. Encontrou-o saindo do escritório.

– Pai, quero conversar com você.

– Tá, vamos aqui. – ele abriu a porta do escritório, deixando a filha entrar primeiro, depois entrou e fechou-a atrás de si.

Valentina sentou-se, despojadamente, na confortável cadeira que ficava à frente da mesa de Agnelo e este se sentou, com formalidade, na que ficava atrás da mesa. Parecia uma reunião de negócios. E não deixava de ser.

– Bom, pai, vou direto ao assunto. Quero começar a administrar a minha parte da herança que minha mãe deixou, porque eu quero morar sozinha…

Agnelo colocou a mão no queixo e ficou olhando a filha por alguns minutos pensando no que ela havia acabado de falar. “Ainda bem que ela pediu isso antes de eu dizer pra ela ir morar sozinha!”. Ele se sentiu aliviado, mas falou com seriedade:

– Tudo bem. Acho que isso vai ser bom pra você. Afinal, você já deve ter se acostumado depois de ter passado um ano morando sozinha. – o jeito que Agnelo falou pareceu que ele concordava com a ideia pensando em Valentina, mas ele realmente pensava em Júlia.

Valentina ficou surpreendida com a resposta do pai, pois achava que ele iria resistir àquela ideia. Contudo, tentou não demonstrar sua surpresa.

Então, Agnelo continuou a falar:

– Desde que sua mãe morreu, filha, eu venho investindo seu dinheiro. Inclusive em imóveis. Você já é dona de dois apartamentos e, além disso, tem uma boa quantia em dinheiro. Mas você pode guardar e eu ajudo você a…

– Não, pai. Meu objetivo é não depender mais de você. Até porque não quero nada luxuoso. Quero um ap pequeno e um carro popular. Só isso. Com o resto do dinheiro, vou pagar as contas, inclusive minha faculdade. Tô pensando, também, em começar a vender minhas telas e vê no que dá.

Ele a olhou surpreso e disse:

– Que bom ouvir isso, minha filha!

Agnelo sempre quis que Valentina parasse de esconder o seu dom para a arte.

Então, ela continuou sem expressividade:

– Ah! Tenho outra coisa a dizer: eu não tava me sentindo feliz em fazer o curso de arquitetura lá em Londres. Claro que o motivo da minha infelicidade não era só esse, mas, enfim… – Valentina não conseguiu evitar a indireta. – Então, eu mudei pra o curso de Artes. E vou mudar o curso da faculdade também. Agora vou fazer Artes Plásticas.

Agnelo olhou chocado para a filha e apertou os dentes com tanta força que fez o maxilar pulsar. Não esperava, de forma alguma, ouvir aquilo. Então, questionou:

– Por que você fez isso, Valentina? Arquitetura é uma boa área… Artes aqui no Brasil não é…

– Você não ouviu o que eu disse? Eu não estava feliz! Antes mesmo de ir embora, eu já tava me sentindo mal na Arquitetura. A decisão já tá tomada. Só comuniquei a você, e, pensando bem, nem sei porque tô falando, já que você não quer saber da minha felicidade mesmo…

– Valentina, não diga isso! Eu me importo com você sim, minha filha. Eu quero sua feli…

– Se importa muito! – Valentina interrompeu o pai com ironia. – Na primeira oportunidade me mandou embora, porque não suporta quem eu sou. Sempre achou que fosse uma fase! Nunca foi, não é e nunca vai ser uma fase! Dr. Agnelo, pode ficar sabendo que ser lésbica faz parte de mim! Eu não escolhi ser assim! Eu simplesmente nasci assim… Ninguém vai mudar isso. E tenho muito orgulho de quem eu sou!

– Valentina… – Agnelo tentou falar.

– Eu tô falando! Se você não me ama como eu sou e como sua digníssima esposa me odeia, é melhor eu sair dessa casa o quanto antes! – ela se levantou e caminhou até a porta com o coração aos pulos e as mãos molhadas de suor – Não quero ficar perto de pessoas que acham que sou doente ou sei lá o quê que vocês acham que eu sou! E nem quero saber! – ela se virou – Ah! E não se preocupem. Vocês conseguiram o que queriam. Eu já esqueci a Amanda! – Valentina mentiu para despistar ainda mais o pai e a madrasta. – Inclusive, já tô namorando outra garota. – ela ia fechando a porta, mas voltou. – Quando tiver resolvido a questão do dinheiro é só me avisar… – bateu a porta do escritório e se dirigiu ao seu quarto.

Com toda força, Agnelo bateu as mãos fechadas na mesa e sentiu o corpo todo tremer de raiva.

***

No dia seguinte, Valentina se dirigiu à faculdade para reabrir a matrícula e mudar de curso. As aulas somente começariam no início de fevereiro. Na quarta-feira, Agnelo a chamou para conversar juntamente com George, um dos advogados que trabalhavam em seu escritório e que era o responsável pela herança da ex-esposa falecida.

Valentina ficou abismada com a parte da herança que lhe cabia. Nunca tinha se mostrado interessada em saber. Tinha deixado tudo nas mãos do pai. Além de dois grandes apartamentos, ela tinha direito a uma volumosa quantia em dinheiro. O pai realmente cuidou bem de sua parte, não utilizando em proveito próprio nada do que era dela.

– Você vai querer morar num desses apartamentos? – George perguntou. – Por que eles estão alugados, então preci…

– Não. Pode deixar eles alugados mesmo. Quero comprar outro menor e ficar recebendo o dinheiro dos alugueis desses daí.

Agnelo observava a seriedade da filha em lidar com o dinheiro. Nem parecia aquela menina rebelde, que não queria saber de nada da vida, de poucos anos antes. Mostrava-se centrada e firme, sabendo o que realmente queria. Então, ele sorriu por dentro. “Ela tá cada vez mais parecida com a mãe…”.

– Se você quiser, Valentina, peço pra um amigo corretor de imóveis lhe mostrar uns apartamentos… – George falou.

– Obrigada, Dr. George, mas não precisa. Já sei qual deles eu vou querer. Tem um ap pra vender num prédio que fica perto da minha faculdade.

– Tão longe assim, filha? – Agnelo falou pela primeira vez depois que George começou a fazer o demonstrativo de seus bens.

– Quero perto da faculdade, porque é lá que vou passar mais tempo. – Valentina falou olhando para George ao invés de olhar para o pai, que se calou com a indiferença da filha.

– Se você já sabe qual apartamento quer, fica mais fácil. Posso resolver isso rapidinho pra você!

– Eu agradeço, Dr. George. E quero que o senhor me diga quanto é seus honorários.

George olhou para Agnelo sem saber o que responder, pois o chefe tinha pedido que ele resolvesse tudo por conta dele. Então, foi Agnelo que falou:

– Fica por minha conta, Valentina.

– Não precisa, pai. Eu faço questão de pagar.

– Por favor, minha filha, não dificulte as coisas…

Valentina riu sarcasticamente e disse:

– Eu, dificultar? Você que adora dificultar minha vida…

Respirando fundo, Agnelo pediu:

– Por favor, não vamos brigar, Valentina. E, por favor, aceite. Tenha isso como um presente meu.

Valentina revirou os olhos e ele disse novamente:

– Por favor!

– Tudo bem. – depois ela olhou para George. – Quando o senhor tiver tudo resolvido pode ligar pra mim. O número do meu celular é…

– Eu já tenho. Pode deixar que, o mais rápido possível, eu organizo a compra do apartamento, ok?

– Agradeço muito, Dr. George. Isso é tudo?

– Sim.

– Pode me ligar a qualquer momento, ok? Em relação ao ap e as outras coisas aí… Obrigada, doutor! – ela estendeu a mão para o jovem advogado.

Depois saiu do escritório do pai em direção ao apartamento de Leo para encontrar Amanda, que havia dito à mãe que passaria o dia na casa de Maria Clara.

***

Era o último dia do mês de janeiro, quando Valentina foi a uma concessionária com Leonardo e Amanda para comprar seu carro. Dr. George já havia resolvido tudo em relação à parte dela na herança da mãe e faltava pouco para ela receber o apartamento.

Até saber o quanto ela tinha direito na herança da mãe, ela pensava em comprar um carro popular, apesar de não gostar do design de nenhum deles. Agora que sabia que tinha como comprar um melhor, Valentina escolheu um carro que ela achava bacana, um jeep renegade na cor preta. Ela fechou o negócio e o vendedor disse que ela receberia o carro em uma semana.

***

No segundo dia do mês de fevereiro, Valentina acordou com uma mensagem de Amanda via celular parabenizando-a pelo seu aniversário de vinte anos.

“Parabéns para a pessoa que me mostrou o que é amar de verdade! Te desejo toda a felicidade do mundo e que você consiga realizar todos os seus sonhos!  Ao meu lado, claro! Te amo!”

Valentina abriu o sorriso, espreguiçou-se e depois se levantou da cama. Como não podia ir ao quarto de Amanda para receber os parabéns pessoalmente, Valentina ficou em seu quarto e aproveitou para pintar. Instantes depois, ela ouviu uma batida na porta. Seu coração bateu forte, pois pensou que poderia ser Amanda. Quando abriu, ela se deparou com Agnelo.

– Vim te desejar parabéns, minha filha. – a voz de Agnelo soou tímida.

Valentina ficou em silêncio, olhando para ele, que, meio sem jeito, aproximou-se da filha, abraçou-lhe e disse:

– Muita saúde e que você realize todos os seus sonhos.

Valentina permaneceu com os braços juntos ao corpo e sua voz soou sem cor:

– Obrigada…

Agnelo se afastou e sorriu amarelo, sem saber o que fazer. Até Valentina estranhava ver o pai daquele jeito, porque ele era sempre tão firme e tão seguro de si.

– Então, é isso… Eu vou indo…

Valentina ia fechando a porta, quando ele se virou e falou:

– George ligou pra você?

– Ligou. Recebo o apartamento daqui uma semana. Mas vou tentar me mudar pelo menos em três semanas, no máximo, em um mês, porque tenho ainda que comprar as coisas básicas…

– Ok. Mas não precisa ter pressa…

– Mas eu tenho. E muita! – ela falou e fechou a porta.

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