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QUANDO MENOS SE ESPERA – Capítulo 48

Por volta de um ano e um mês depois

 Era uma ensolarada manhã de um sábado de janeiro quando a aeronave em que Valentina estava pousou na pista quente do aeroporto da cidade. O céu estava limpo com poucas nuvens, mas as que embelezavam o céu estavam bem definidas e eram de um branco límpido, perfeitas para brincar de descobrir que forma elas tinham.

Assim que o avião estacionou e Valentina sentiu um frio lhe descendo pela espinha até os pés. O coração estava aos pulos, parecendo um cachorrinho quando encontra seu dono depois de um dia de trabalho. Esperou que o avião esvaziasse mais para poder sair. Quando quase não havia mais ninguém, ela amarrou o casaco na cintura, pegou a mochila do compartimento superior, colocou-a nas costas e caminhou até a saída. Enquanto andava pela ponte de embarque até o terminal do aeroporto, olhou para fora e parou de repente. Foi acometida por um sentimento, no mínimo, estranho. Estava feliz por estar de volta? Definitivamente sim, concluiu. Mas como seria dali para frente? Ela não sabia. E esse incerteza da sua situação futura a fez ter vontade de entrar no avião de novo e voltar para a Inglaterra, para sua zona de conforto. Contudo, esse pensamento durou apenas alguns instantes, porque Amanda logo lhe tomou o pensamento. Pensar na namorada a fez sorrir e se encher de coragem outra vez. Por Amanda valia enfrentar o que quer que esteja por vir. Mas será que Amanda enfrentaria junto com ela? Valentina foi assaltada pela ansiedade e o frio voltou a congelar sua espinha. O receio de Amanda querer terminar de novo por causa da mãe lhe assombrava o tempo todo.

Então, olhando um avião taxiar pela pista, ela respirou mais fundo tentando afugentar aqueles pensamentos ambíguos, e depois continuou andando até o local onde pegaria sua mala. Esteira 3, avisara a voz no avião. Enquanto estava em pé de frente à esteira, trocando o peso do corpo de uma perna para a outra e cruzando e descruzando os braços, à espera da sua mala, Valentina aproveitou para enviar uma mensagem para Amanda. Tirou a mochila das costas e sacou o celular de dentro.

No momento em que seu celular emitiu um som alto e agudo, Amanda rapidamente o pegou do bolso da calça e, enquanto lia a mensagem, seu coração martelava e um sorriso largo se fez em sua boca.

“Cheguei, amor! Esperando a mala…”

Deslizando os polegares com rapidez pela tela do seu celular, Amanda respondeu:

“Ai q bom, amor! Como eu queria te pegar no aeroporto! N vejo a hora de poder te abraçar e te beijar!”.

“Pois é. Eu tb! A gente tem q pedir ajuda ao Leo! Hahaha Minha mala apareceu. Qdo tiver perto de casa, te digo. Bjo”

“Ok. bjo”

Valentina então apanhou sua mala da esteira e a colocou em um carrinho, que tinha sido deixado por alguém ali perto dela. Jogou a mochila em cima da mala e começou a caminhar para o local de desembarque.

Com exceção de Rosa e Valdir, Valentina não tinha criado nenhuma expectativa de encontrar mais alguém para buscá-la no aeroporto. O motorista apenas vinha para dirigir o carro. Ele não estaria lá por ela. Então, não contava. Era somente Rosa. No dia anterior, ela tinha avisado Leonardo o horário do voo, mas ele disse que iria ter um compromisso e não poderia ir. A ausência do pai já era certa, assim como a de Amanda. Porém, ela não poderia vir, diferente de Agnelo, que não queria vir. Pelo menos, era o que ela achava. “Se minha mãe tivesse viva, era a primeira a tá aqui! Se bem que acho que eu nem teria sido obrigada a viajar…”.

E foi com esse sentimento de abandono e solidão, que Valentina avistou Rosa logo que saiu pelo portão de desembarque. Encontrou a ex-babá já com os olhos vermelhos e o rosto molhado de lágrimas.

– Minha menina… – Rosa lhe segurou o rosto, baixando a cabeça de Valentina e lhe dando vários beijos na bochecha.

– Já tá chorando, Rosinha? – Valentina brincou e a abraçou depois de  receber os beijos saudosos da ex-babá.

– Como não chorar minha filha? Tô morrendo de saudade de você! – apertou-a em seus braços.

– Ah, eu também quero matar minha saudade! – uma voz soou atrás delas.

Impossível para Valentina não reconhecer aquela voz. Aquele som vocal foi tudo o que a confortou durante aquele ano. Com os olhos arregalados e o queixo caído, ela se virou num giro rápido.

– Amanda?! Você… Como vo…? Não acredito…! Meu Deus! – gaguejou envolvendo seus braços em Amanda.

– Eu não poderia deixar de vir, né, meu amor! – com os braços cercando Valentina, Amanda falou baixinho em seu ouvido.

– Eu não acredito que você tá aqui! Tô tão feliz, amor! – Valentina deu vários beijos na bochecha de Amanda.

Ao assistir à cena, Rosa voltou a se emocionar e não parava de enxugar as lágrimas que teimavam em cair. Mas agora eram lágrimas de alegria. Ela estava feliz em ver suas meninas juntas novamente. Leonardo fazia um esforço para segurar as lágrimas. E as que escapavam de seus olhos, ele tratava logo de enxugá-las. Mal conseguia acreditar que suas amigas estavam vivendo aquele momento tão desejado por elas. Ele também esperou muito por esse reencontro, afinal tinha acompanhado toda a dor que a distância causara a Valentina e Amanda.

Depois que Valentina foi embora, Leo se aproximou ainda mais de Amanda. Ele acabou se tornando também seu melhor amigo. Ele as tinha ajudado muito. Amanda foi muitas vezes a sua casa para poder falar mais tempo com Valentina via chamada de vídeo, pois em casa tudo era muito tenso e rápido. Júlia tinha devolvido o celular de Amanda um dia depois que Valentina havia ido embora. Mas deu uma condição: ela iria fiscalizar o celular todos os dias. E assim o fez. Toda noite, antes de ir dormir, Júlia passava no quarto da filha e examinava minunciosamente seu celular. Contudo, Amanda não se preocupava, pois sua comunicação com Valentina era feita pelo celular dado por Leonardo, que era muito bem escondido em uma caixa que ela colocou no fundo do guarda-roupa.

***

Valentina se soltou do abraço de Amanda, olhou para Leo e disse sorrindo:

– Cara, você me enganou direitinho, hein?

Ele sorriu, levantou os ombros e falou:

– Ora, senão não seria surpresa, né?

Então, ela lhe deu um abraço apertado e disse:

– Mas adorei ser enganada por vocês! Valeu, cara! Não sei o que seria da gente sem você! Valeu mesmo! E tava morrendo de saudade de ti, moleque!

– Para com isso, menina, senão eu choro! – Leo falou com floreio.

– Vamos, meninos! Que Valdir tá esperando no estacionamento. Senão vai dar os olhos da cara! – Rosa falou andando.

Então, Valentina se pôs entre Leo e Amanda e colocou o braço nos ombros da namorada, que, para sua surpresa, pôs o braço ao redor da sua cintura, enganchando o polegar no passador da calça dela.

– Como você conseguiu vir, amor? – Valentina perguntou enquanto caminhavam um pouco atrás de Rosa em direção ao estacionamento.

– Disse que ia dar aula pras crianças… Só que hoje não teve aula, porque o local lá tá em reforma.

– Amei você ter vindo de surpresa! Tava me sentindo meio abandonada, pensando que só a Rosinha ia vir me buscar… Aí quando escutei tua voz, amor, não acreditei… Parecia que tava sonhando!

Nesse momento, Amanda sorriu para ela e encostou a cabeça em seu ombro.

Quando Leo e Rosa estavam pagando seus tickets do estacionamento, Amanda disse:

– Bom, eu tenho que ir com Leo, porque, pra todos os efeitos, eu tô dando aula de balé! E não quero que o Valdir me veja. – olhou para Valentina. – Vou pra casa do Leo e de lá pego um táxi pra casa, tá? – aproximou a boca do ouvido dela – Depois a gente marca de se encontrar pra matar a saudade…

Amanda saiu andando de costas e lançando um sorriso sedutor para Valentina, que sorriu sem mostrar os dentes e depois movimentou os lábios sem emitir som:

– Não vejo a hora…

Assim, Amanda seguiu com Leonardo e Valentina foi embora com Rosa.

***

Ao chegar em casa, por volta de dez e meia da manhã, Valentina, caminhando pela parte de fora, próximo à piscina, olhou ao redor e achou que a casa estava diferente. Não soube definir o que achou de diferente nela, porque pelo que percebeu nada havia mudado. Ou será que ela que não era mais a mesma? Talvez fosse isso. Teve uma sensação de não pertencer mais àquele lugar. Era como se ela não coubesse mais ali. Foi isso que fez com que ela achasse a casa diferente. Já tinha ouvido algumas pessoas falarem que quando iam embora da casa dos pais e tinham que voltar, por qualquer motivo, parecia que era um lugar estranho. Nunca era o mesmo que haviam deixado. Era assim que Valentina se sentia naquele momento.

Continuou adentrando a casa com a mochila nas costas e puxando sua mala. Valdir tinha dito que ele levaria a mala até o quarto dela, mas Valentina agradeceu e disse que ela mesma levaria. Ao passar pela sala, ela parou e ficou olhando para os móveis, ainda os mesmo, mas sempre muito bem arrumados e limpos. A vontade de voltar para Londres bateu outra vez na porta da sua alma. Mesmo querendo voltar ao Brasil – era tudo que ela mais queria no ano que passou –, não queria retornar para aquela casa. Queria estar perto de Amanda, mas não naquela casa. Além de não ter mais a sensação de pertencimento, ainda teria que enfrentar o pai comunicando as decisões que ela havia tomado na Inglaterra. “Espero que ele não infarte!”.

– Oi, minha filha! Chegou bem? – Agnelo falou entrando na sala assustando Valentina.

– Que susto! – ela pôs a mão no peito. – Oi, pai. – sua voz não demonstrava nenhuma empolgação.

Ele se a aproximou e abraçou a cintura da filha apenas com uma mão e lhe beijou a lateral da cabeça.

– A viagem foi boa?

– Foi. – ela continuou andando pela sala em direção à escada que dava para os quartos. Não tinha vontade de ficar de conversa com o pai. Não depois do que ele a fez passar.

– Quer ajuda? – a voz de Agnelo tinha uma timidez incomum. A vontade dele era abraçar a filha e levantá-la nos braços. Estava com saudade da filha. Não havia se arrependido de tê-la mandado embora. Fez o que era preciso.  Isso não queria dizer que ele não tivesse sentido falta dela. Mas não teve coragem de tomar a iniciativa de uma demonstração maior de carinho.

Todo o tempo que passou em Londres, Valentina ligara para o pai apenas duas vezes. E, nessas vezes, o assunto girou em torno de dinheiro. Por outro lado, Agnelo ligava toda semana para saber como ela estava. Como ele não sabia como puxar conversa com a filha, além de perceber que ela nunca estava a fim de contar o que estava acontecendo na sua vida, as ligações duravam apenas poucos minutos.

– Não precisa. – Valentina levantou a mala com as duas mãos e com grande esforço conseguiu subir a escada.

Quando estava abrindo a porta do seu quarto viu Júlia saindo do seu. Elas apenas se entreolharam por alguns segundos. Ambas traziam no semblante uma seriedade raivosa. Valentina sentiu seu coração pulsar forte, seu corpo gelar e tremer e uma vontade súbita de avançar na madrasta e deixar grandes hematomas naquele rosto cheio de procedimentos estéticos. Mas conseguiu se segurar. Por sua vez, Júlia lamentou vê-la em casa de novo. Ela tinha passado o ano tendo esperança de que Valentina não quisesse mais voltar ao Brasil.

Com medo de não se conter por muito tempo, Valentina entrou em seu quarto e Júlia seguiu em direção à escada.

– Então, ela chegou. Como vai ser? Pensou na minha ideia? – Júlia falou ao encontrar o marido sentado no sofá lendo o jornal. Ele ainda gostava de ler o jornal físico. Ela se sentou perto dele, pegou uma revista e começou a folheá-la sem ler nada.

– Chegou e ainda mal fala comigo… Pensei, mas… – a voz dele soou melancólica.

– Mas o quê, Agnelo? Você quer que elas tenham uma recaída? Isso é muito fácil de acontecer tendo as duas morando juntas! – Júlia tentou não transparecer sua raiva, mas tudo que ela queria era Valentina fora daquela casa.

– Você acha? Mesmo depois de tanto tempo?

– Deixa de ser ingênuo, Agnelo! Não foi tanto tempo assim. Há risco sim. E grande! E não tô disposta a pagar pra ver, não! Precisamos fazer alguma coisa!

– Mas será que essa sua ideia é a melhor hipótese mesmo?

– Não acho uma má ideia. Talvez até ela goste… E morar sozinha, Agnelo, é uma grande experiência, que faz você amadurecer… Será muito bom pra ela. Até porque já passou um ano morando só! Não vai sentir tanto…

– Eu sei… Talvez ela até goste mesmo… Só tenho medo de ela sentir que tá sendo abandonada… Que eu não a amo… Apesar de tudo, eu a amo muito. Mesmo não gostando desse jeito dela, não deixei de amá-la… Ela é minha única filha!

Júlia se virou para o marido, tocou-lhe o rosto e entoou uma voz mais doce:

– Eu sei, meu amor. Não é pra você deixar de amar sua filha. É pra você dar responsabilidade a ela. E, com isso, afastá-la da minha filha, que é o que nós dois queremos, né?

– Vou conversar com ela depois, tá? Ela acabou de chegar…

Júlia voltou a ler a revista sem esboçar nenhuma reação de contentamento, mas, por dentro, sorriu vitoriosa. Iria convencer o marido a fazer o que ela queria. Ela queria Valentina fora dali o mais rápido possível. Nesse momento, Amanda entrou na sala e cumprimentou a mãe e o padrasto.

– Como foi a aula, filha? – folheando a revista, Júlia perguntou achando que Amanda estava dando aulas de balé. Durante o ano que passou, Amanda conseguiu realmente despistar a mãe em relação ao seu namoro com Valentina. Ela tinha sido a filha perfeita na concepção juliana de filha.

– Foi ótima! As crianças tão cada vez dançando melhor! – Amanda mentiu com facilidade. Já estava acostumada. Vinha mentindo para a mãe cada vez melhor desde que isso virou uma necessidade para poder viver seu amor com Valentina.

– Vai almoçar com a gente? – Agnelo perguntou.

– Vou sim. Vou só tomar um banho e volto já! – Amanda falou andando em direção à escada.

– Amanda! – Júlia se levantou e foi até a filha. – Olhe, Valentina chegou, viu? – ela falou baixo. – Quero que você tome muito cuidado, porque ela pode querer uma aproximação. Não confio nessa garota!

Enquanto a mãe falava, Amanda teve vontade de mandá-la calar a boca. Naquele momento, a raiva da mãe apareceu outra vez. Tentou se acalmar respirando, do jeito que a terapeuta ensinou, e respondeu inexpressiva:

– Tá, mãe. – e subiu em direção ao seu quarto fazendo uma pequena meditação.

A raiva que Amanda vinha sentindo da mãe desde o dia em que Júlia descobriu do namoro dela com Valentina era o que ela mais trabalhava na terapia. Desde o primeiro momento, quando a terapeuta descobriu que Júlia queria transformar a sexualidade da filha, Amanda vinha trabalhando várias outras questões, sem deixar essa de lado. Contudo, trabalhou sua sexualidade não do jeito que a mãe queria. Claro que ela e a psicóloga não informaram esse fato par Júlia. A terapeuta auxiliou Amanda na aceitação de si mesma, no seu relacionamento à distância com Valentina e, principalmente, no seu relacionamento com a mãe, que não foi mais o mesmo depois de todo o ocorrido. Apesar de, no início, ter sido obrigada, Amanda acabou achando a terapia muito proveitosa.

Ao chegar ao seu quarto, Amanda pegou o celular com o qual falava com Valentina e lhe enviou uma mensagem:

“Necessitando do teu abraço! URGENTEMENTE!”

“Aconteceu alguma coisa?”

“Nada d+. Só minha mãe enchendo o saco!” – Amanda evitou dizer o que Júlia tinha falado para não deixar Valentina com mais raiva da mãe.

“Falando de mim, né? Eu sei… Mas prefiro q vc n fale! Melhor n saber!”

“Vamos combinar com o Leo pra gente se ver na ksa dele! Podia ser amanhã! Dou um jeito de sair!”

“Vou falar c ele agora! haha Tava pensando em ir lá mesmo amanhã.”

“N acredito q vc tá aki e eu n posso tá do teu lado! Isso me deixa p. da vida!”

“Eu tb, mô! Isso me deixa mal, pq eu tenho raiva!”

“Respira, mô! A terapeuta me ensinou outras respirações diferentes daquelas q te ensinei. E tô conseguindo meditar tb! Tudo graças a Dra. Elizabete! Ela é maravilhosa! Kro q vc conheça ela.”

“Tenho que respirar mto pra tirar essa raiva de dentro de mim! Kro conhecer sim!”

“Então, fala c o Leo e marca depois do almoço. E a gente podia combinar de almoçar em algum lugar. Só nós duas! Longe daki!”

“Ótima ideia, meu amor!”

“Bjo. Te amo!”

“Te amo mais! Bjo”

***

No meio da manhã seguinte, Amanda disse para Júlia que ia almoçar com Maria Clara e Samara e voltaria somente no fim da tarde. Quando Valentina caminhava em direção à porta principal da casa, minutos depois de Amanda ter saído, encontrou o pai saindo do escritório. Olhou-o sem expressividade, deu bom dia e continuou andando:

– Bom dia. Espera, Valentina!

– Que é, pai? Tô apressada!

– Vai pra onde com essa pressa toda?

– Apesar de não interessar a você, vou encontrar meus amigos!

– Aonde você vai me interessa sim. Você ainda me deve satisfação. Preciso conversar com você!

– Pode ser outra hora? Agora realmente não dá, tá? – ela saiu sem esperar resposta do pai, que trincou os dentes, passando as mãos pelos cabelos e pelo rosto.

Quando se aproximava da casa de Leonardo, Valentina ligou dizendo que estava chegando. Amanda já estava lá. E não esperou Valentina subir. Desceu junto com Leo para buscar Valentina. Ao se encontrarem na portaria, elas se abraçaram durante alguns segundos.

– Já chega, meninas! Vamos subir! Melhor fazer isso lá em casa! – ele falou olhando para o porteiro, que não tirava os olhos das amigas.

Então, eles se dirigiram ao elevador. Assim que chegaram à frente do quarto de Leo, ele se virou para elas e disse:

– O quarto é todo de vocês, meus amores! Matem a saudade, que eu vou matar a saudade do meu namorado também, tá?

Elas riram do jeito engraçado de falar do amigo e ele saiu depois. Leonardo estava oficialmente namorando Rafael, que tinha finalmente terminado o namoro fictício com a amiga da faculdade e criado coragem para contar aos pais. No início, seus pais tiveram muita dificuldade de aceitar a condição sexual do filho. Contudo, com o passar do tempo e depois de algumas intervenções de pessoas próximas a Rafael, as coisas se acalmaram. Quando ele contou aos pais, fazia apenas três meses que Valentina tinha ido embora. E foi uma época bem difícil para o Leo, pois os pais de Rafa impediram o filho de vê-lo. Valentina fez muita falta ao amigo. Foi então que Amanda se aproximou ainda mais dele. Em várias ocasiões, eles marcaram de conversar sobre suas amarguras e tristezas. Depois dos desabafos com direito a choros intensos, compravam chocolate ou sorvete e comiam assistindo a um filme de comédia. Acabou virando um ritual entre eles. Esses encontros eram quase terapêuticos.

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