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QUANDO MENOS SE ESPERA – Capítulo 36

Ao entrar em seu quarto, Amanda havia passado direto para o banheiro. Abriu o chuveiro e deixou a água escorrer pela cabeça com o objetivo de arrancar aquela inquietude que angustiava seu corpo.

Ter ouvido o inconveniente comentário de Edu e a repreensão de Valentina e, além disso, perceber que a mesma garota que não era da turma estava lá, fizeram com que Amanda fosse preenchida por uma agitação quase que insuportável. Ela desconfiava que essa menina fosse a fim de Valentina, o que, inevitavelmente, a fez sentir uma forte pontada de ciúmes. Ela sentiu, mas sua razão estava longe de admitir.

Depois do banho, ela secou rapidamente os cabelos, vestiu uma roupa confortável e saiu de seu quarto. Deu apenas dois passos pelo corredor quando Valentina e Nanda apresentaram-se aos seus olhos.

Constrangimento, inquietude, ansiedade, agonia, ciúmes e raiva. Todas essas emoções, instantaneamente, corroeram-na ao imaginar o que elas estavam fazendo sozinhas no quarto.

Sua vontade era apenas sair correndo dali o mais rápido possível. Contudo, ela conseguiu se refrear e, nervosamente, falou o que veio a sua cabeça no momento:

– Oi! Vocês vão almoçar também?

“Ai, meu Deus, que tipo de pergunta foi essa?!”

– Não… – Valentina se resumiu a responder.

Ela estava atônita ao ver Amanda ali olhando para elas. A tensão tomou seu corpo imediatamente, ao imaginar no que Amanda iria pensar ao vê-las saindo sozinhas do quarto, enquanto o restante do grupo se divertia na piscina.

Nesse momento, Fernanda falou empolgada e sorridente:

– Estamos fazendo churrasco! Você não quer se juntar a nós? Amanda, ? – estendeu a mão para Amanda. – Prazer, meu nome é Fernanda, mas pode me chamar de Nanda!

A filha de Júlia sorriu sem graça e disse apertando a mão da garota:

– Prazer, Nanda. Hoje não vai dar. Tenho umas coisas pra resolver! Quem sabe numa outra oportunidade, né?

– Tudo bem! – Fernanda falou sorrindo para Amanda, que retribuiu o sorriso e saiu em direção à cozinha.

Em seguida, Valentina e Nanda se dirigiram à piscina.

Amanda se sentou à mesa sozinha. Olhou para a comida e não sentiu vontade de comer. Havia perdido totalmente o apetite! Seu estômago tinha ficado embrulhado depois de ter visto Valentina e Nanda saírem do quarto.

Enquanto mexia na comida de um lado para o outro, a cabeça de Amanda girava em um turbilhão de pensamentos controversos.

Valentina e Nanda chegaram ao deck e se juntaram aos amigos. A filha de Agnelo se sentou numa das cadeiras de tomar sol e ficou perdida em seus pensamentos, enquanto seus amigos conversavam e riam.

Mesmo com Valentina escondida atrás dos óculos escuros, Leo percebeu o jeito da amiga e ansiou conversar a sós com ela, mas Nanda não dava chance, porque não saía de perto dela.

Certo momento, Sabrina chamou a prima para entrarem na piscina e, então, Leonardo aproveitou a oportunidade para conversar com a amiga. Aproximou-se e perguntou:

– Posso sentar aqui? – apontou para a extremidade da cadeira onde ela estava sentada.

Valentina apenas afastou a perna, deixando o amigo se sentar.

– Aconteceu alguma coisa? Você tá tão calada?

– Aconteceu… Mas não sei se quero falar sobre isso agora…

– Deixa de besteira, Valentina! Desembucha logo, vai! Só saio daqui quando você falar…

Depois do acidente, o vínculo entre Leonardo e Valentina se estreitou ainda mais. Só ele conseguia fazer Valentina desabafar.

– Ahhh Leo! – Valentina suspirou. – O negócio é pior do que eu imaginava!

– Negócio?! Que negócio, menina? – Leo perguntou curioso.

– A minha… Você sabe… – Valentina evitou pronunciar o nome. – Por Amanda… – sussurrou o nome da garota.

– Ah sim! Agora entendi! Por que você tá dizendo isso?

– Por que eu neguei fogo com a Nanda, cara! Tem noção? A gente tava no maior amasso lá no meu quarto e eu simplesmente não consegui fazer nada! A Amanda – sussurrou o nome dela outra vez – não saía da minha cabeça! Cara, isso tem que sair de mim o mais rápido possível!

– Eita, que o negócio realmente tá sério!

– E o pior: na hora que a gente tava saindo do quarto, demos de cara com ela no corredor! Com certeza, ela deve ter pensado que a gente tava…

– E o que você pensa em fazer? Continuar tentando esquecer ou tentar conquistar ela?

– O melhor é continuar tentando esquecer, né, Leo! Como é que vou conquistar uma pessoa que acha que a gente vai arder no inferno por causa de um beijo!

Leonardo não aguentou o jeito raivosamente engraçado de a amiga falar e riu. Valentina o olhou com seriedade e ele se desculpou:

– Desculpa! – ele pôs a mão na boca. – É porque você falou de um jeito muito engraçado! Mas não deve ser assim não, Valentina! Ela deve tá confusa, né? Imagina a garota que sempre foi religiosa e, de repente, se vê apaixonada por uma menina?! Ela deve tá surtando!!!

– Apaixonada?! Você acha que ela tá mesmo apaixonada por mim?!

– Ah, eu acho ó! Ela não tá é querendo aceitar, porque, além da religiosidade dela, tem os pais de vocês, que se souberem… Você sabe que eles não seriam nada compreensíveis com vocês, né?! Pois é! Então, ela deve ter medo disso tudo!

– É, eu sei! Eu entendo. Mas não sei se vale a pena todo esse sufoco pra ficar com ela.

– Ah, meu amor! Isso só seu coraçãozinho vai dizer! Não eu!

Depois de alguns segundos em silêncio, Valentina falou:

– Tava pensando agora a pouco, depois de voltar do quarto, se não foi melhor ela nos ver e pensar que tô ficando com a Nanda.

– Não sei não, viu? Ela deve tá se corroendo! Pensa só: primeiro, ela descobre que você tá apaixonada por ela – Leo começou a enumerar os fatos em seus dedos – segundo, ela sabe, no fundo, que tá apaixonada por você, mas não aceita de jeito nenhum; aí depois vê você com outra. Ela deve tá ‘confuséssima’, minha filha! E com um ciuminho básico, talvez!

– Você acha mesmo, cara?

– Acho não! Tenho certeza!

– Que merda! O pior que não tem um dia sequer que não imagino a gente namorando, acredita? Eu, Valentina Ferrato, pensando em namorar! E logo com a Amanda!!! Já imaginou?!

– Nem nos meus mais psicodélicos sonhos eu imaginaria que isso um dia ia acontecer! – Leo riu e Valentina o acompanhou na risada.

– Muito menos eu, cara! Muito louco isso! Eu rio pra não chorar!

Enquanto isso, na piscina, Nanda perguntou à prima:

– Você sabe o que tá acontecendo com a Valentina?

– Não, por quê?

– Porque a gente tava quase… – ela baixou o tom da voz – fazendo sexo quando ela simplesmente parou.

– Sério? Nossa! E ela falou alguma coisa?

– Só disse que tava com uns problemas aí. Que não tinha nada a ver comigo, que eu era maravilhosa e o problema era com ela. Não entendi nada!

– Valha! Estranho, né? Vou tentar sondar com Leo, que é o best dela. Tá vendo ali eles conversando? Talvez ela esteja falando sobre isso…

No quarto, Amanda tentou executar várias tarefas, mas não obteve sucesso em nenhuma delas, porque Valentina e Nanda não saíam da sua cabeça. Então, ela tentou até dormir, mas o sono não a visitou naquele momento.

Assim, no meio da tarde, frustrada por não conseguir se concentrar em nada, Amanda ligou para Isa e perguntou se poderia ir a sua casa. Ela precisava sair dali.

Minutos depois, Valentina viu Amanda passar em direção à porta de casa. Rapidamente, enquanto caminhava, Amanda relanceou o olhar e encontrou os olhos de Valentina fixos nela. Desviou-os e continuou andando até sair pela porta e sumir da mira da garota. Entrou no táxi que a esperava e saiu dali o mais rápido que pode.

Valentina ficou se perguntando para onde Amanda estava indo sozinha. Ela achou que a garota poderia ter pedido para Valdir deixá-la, já que o pai tinha pedido ao motorista para ficar a disposição naquele fim de semana. Era muito mais seguro.

Para desespero de Rosa, que já tinha ido ao deck várias vezes, os amigos de Valentina somente começaram a ir embora à noite.

Por volta das vinte e uma horas, Valentina se despediu de Leo, o último a deixar a casa da amiga.

– Se precisar de mim é só ligar, tá? Que eu venho voando como uma linda borboleta! – Leonardo falou rindo.

Rindo do jeito livre, leve e solto do amigo, Valentina comentou:

– Tá tão pra frente, hein? Todo soltinho!

– Saí do casulo, minha filha! Graças a Deus!

Por fim, ele foi embora e Valentina se dirigiu ao seu quarto. No caminho, encontrou Rosa, que já ia ao deck novamente para observar como estavam as coisas por lá.

– Pronto, Rosinha! Todos foram embora, tá? – abraçou a ex-babá. – Viu? Nada deu errado! Se preocupou à toa!

– Foram as minhas rezas! – Rosa sorriu e beijou o rosto da sua menina. – Vou me recolher, minha filha! Assistir minha novela, tá? Quer comer alguma coisa?

– Deus me livre! Tô super cheia. Vá ver sua novela, minha noveleira preferida! – a garota deu um beijo carinhoso na governanta – Boa noite, Rosinha!

– Boa noite, minha menina!

Quando Rosa saiu e Valentina subia a escada, Amanda apareceu na sala. Os olhares se cruzaram outra vez.

– Boa noite… – Valentina falou suave e com nervosismo.

Ela achava incrível como Amanda tinha o poder de deixá-la nervosa, sem saber o que dizer e fazer.

– Boa noite. – a filha de Júlia respondeu secamente.

A filha de Agnelo notou o jeito seco de a garota falar. Mas continuou subindo na frente. Amanda subiu atrás dela. O único som que se fazia presente era o barulho de ambos os passos.

Ao chegar a frente da porta de seu quarto, Valentina parou, abriu a porta, mas não entrou. Deixou que Amanda passasse por ela antes de entrar.

– Amanda. – Valentina falou subitamente antes de ela abrir a porta do seu quarto.

– Oi.

Valentina não sabia o que dizer. O nome da enteada do pai saiu de sua boca quase sem querer.

– É… Você saiu de táxi?

– Foi.

– Por que você não chamou o Valdir?

– Porque preferi ir de táxi. – Amanda respondeu sem entender o porquê de Valentina está perguntando aquilo.

– É mais seguro sair com Valdir, Amanda. Principalmente, quando você for sair sozinha.

Abruptamente e sem pensar, Amanda falou sarcasticamente:

– Você devia se preocupar com sua namorada! Nanda, né, o nome dela?

– Ela não é minha namorada, Amanda. E você sabe muito bem disso!

– Eu não sei de nada, Valentina! Eu não sei de nada! – Amanda falou agoniada demonstrando toda sua confusão mental.

– Mas disso você sabe! – Valentina falou andando até Amanda. Tomou-lhe o rosto em suas mãos e a beijou com urgência.

A atitude da garota foi tão rápida e imprevisível, que, quando menos esperou, Amanda sentia a maciez dos lábios de Valentina nos dela.

E, assim, começou a luta interna entre a razão e o desejo. Durante o beijo, os dois brigavam dentro de Amanda como se estivessem na segunda guerra mundial.

Nos primeiros instantes, o desejo tomou a dianteira. Amanda pousou as mãos na cintura de Valentina, correspondendo ao beijo. Contudo, quando o desejo estava prestes a vencer a guerra, a razão, inesperadamente, contra-atacou e o subjugou. A garota se afastou da boca de Valentina e entrou no quarto sem ao menos falar ou olhar para ela.

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