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QUANDO MENOS SE ESPERA – Capítulo 21

No fim daquele dia, Leonardo foi visitar Valentina com os pais. Ele entrou sozinho no quarto e conversou com a amiga sobre todo o ocorrido.

No decorrer dos dias em que Valentina ficou no hospital, Rosa dormiu com a ‘sua menina’ todos os dias. Amanda ficava cada vez mais admirada em ver como Valentina era outra pessoa quando estava com Rosa. Ela era doce e amorosa com a ex-babá como não era com ninguém, nem com o pai. Durante os dias, Amanda foi ao hospital algumas vezes e somente quando Agnelo ia, mas nunca entrou sozinha no quarto.

Os amigos também a visitaram. Em um dos dias, Valentina recebeu uma mensagem de Dani perguntando se dava para elas se verem. Então, Valentina narrou o ocorrido, deixando Dani estarrecida. E, naquele mesmo dia, Dani a visitou.

Quando a garota do vestido vermelho chegou ao hospital, somente Amanda e Júlia estavam lá. Agnelo tinha pedido para a enteada e a esposa permanecerem no hospital, enquanto ele ia ao escritório resolver um problema urgente.

Elas ficaram no quarto para ajudarem com qualquer coisa que Valentina precisasse, mas não conversaram. Valentina ficou mexendo no celular, Júlia lendo uma revista de moda e Amanda estudando pelo livro que ela havia levado.

De vez em quando, Amanda relanceava o olhar para Valentina, mas de maneira muito rápida. Certo momento, quando Valentina também desviou seu olhar para Amanda, ela se demorou. Ficou observando a garota estudar compenetrada. “É muito nerd, meu Deus!”. Aquela frase, antes pensada com desdém, naquele momento, foi pensada como um gracejo, até com certo carinho. Passeou o olhar por Amanda percebendo seus gestos: o semblante sério, o olhar deslizando pelo livro, a perna balançando, a maneira como ela ajeitava os óculos quando estes escorregavam do rosto, a forma como ela pegava no lápis ao sublinhar as partes importantes do livro, o jeito como, às vezes, franzia o cenho, talvez não compreendendo alguma passagem mais difícil da matéria…

De repente, Amanda olhou outra vez para Valentina, que, rapidamente, desviou o olhar de volta para o celular, interrompendo a análise comportamental que fazia de Amanda, uma análise sem nada de científico, beirando quase à contemplação. Torceu para que a garota não tivesse percebido seu olhar. Em vão! Amanda havia percebido e achado, inclusive, um pouco estranho, porque não foi um olhar indiferente, de distanciamento, como Valentina costumava lhe lançar. Pelo contrário, foi um olhar singelo.

No momento em que Valentina tentava se concentrar no celular de novo, a porta se abriu e a enfermeira apareceu com os remédios. Enquanto Valentina os tomava, a enfermeira falou:

– Tem uma garota lá fora que quer visitar você. O nome dela é Daniela. Posso deixar entrar?

– Claro. Pode sim.

Quando Dani entrou ficou tão em choque com o que viu, que nem cumprimentou Amanda e Júlia.

– Meu Deus, Valentina! – falou com as mãos na boca. – Como você tá? – aproximou-se e beijou o rosto dela, bem próximo à boca.

Valentina ficou envergonhada com o ato da ‘amiga’, porque Júlia e Amanda observavam a cena. Séria, Júlia falou para Valentina:

– Estaremos lá fora. Se precisar de algo é só chamar. – olhou para Amanda, que se levantou e acompanhou a mãe, sem compreender nada.

Valentina estranhou o fato de ter ficado aliviada quando Júlia e Amanda saíram. No momento, ela achou que o alívio que sentiu foi pelo fato de que aquela não era uma boa oportunidade para enfrentar a madrasta.

Chegando à sala de espera, Amanda perguntou para a mãe:

– Por que a senhora quis sair de lá, mãe?

– Ah, filha! Pra deixar Valentina mais à vontade com a amiga.

– Nós nem cumprimentamos a moça…

Júlia deu de ombros, deixando Amanda ainda mais confusa.

Quando Júlia e a filha saíram, Dani perguntou todos os detalhes do acidente, mas Valentina só disse o que Léo havia dito para ela, pois não se lembrava de quase nada. Conversaram mais um pouco e quando ia embora, Dani, alisando os cabelos de Valentina, falou com um sorriso malicioso:

– Vê se fica logo boa, tá? Pra gente se divertir de novo! Tô ficando com saudades…

Dito isso, ela deu um leve beijo nos lábios de Valentina. Nesse momento, Agnelo abriu a porta. Rapidamente, Dani se afastou do beijo. Valentina viu apenas o pai e a madrasta entrarem no quarto fingindo não terem visto nada. Não era momento para brigas. Ela esperou ver Amanda, mas a garota não havia entrado com o pai e a madrasta. “Ela deve ter ido embora, porque é época de provas na escola!”. E, de certa forma, a ausência de Amanda naquele momento deixou-lhe confortável.

– Depois a gente se fala. Se cuida! Tchau! – Dani se despediu.

– Tchau. – Valentina sorriu.

Sem jeito, Dani cumprimentou Júlia e Agnelo apenas com um aceno de cabeça e saiu.

Silenciosamente, Júlia agradeceu por Amanda ter ido embora e não ter presenciado aquela cena. Ela percebeu que não era a mesma garota que ela tinha visto aos beijos com Valentina no quarto dela tempos atrás.

– Filha, tenho uma boa notícia. Tava conversando com o médico agora, antes de entrar, e ele disse que você terá alta amanhã.

– Ah, que coisa boa! Não aguento mais essa cama de hospital! – a garota falou impaciente.

– Olhe, mas se você quiser ficar completamente boa, rapidinho, tem que fazer o que o médico mandar, tá ouvindo?

– Tá, pai!

– Pois é. Porque, como você já sabe, tem que fazer fisioterapia por um bom tempo…

– Sei… – Valentina revirou os olhos.

Já tinha um pouco de noção do que a esperava. Torcia para ter a paciência necessária para fazer os tratamentos.

No outro dia, pela manhã, Valentina saiu do hospital para casa. Foi recebida com emoção por Rosa:

– Minha menina! Que bom que você tá em casa! – a ex-babá deu-lhe um beijo na face.

– Eu digo o mesmo, Rosinha! – Valentina a abraçou.

Amanda, Agnelo e Júlia observavam a cena de carinho entre elas.

– Deixa eu te ajudar, minha filha! – Rosa ajudou Valentina a entrar em casa.

– Filha, pedi a Rosa para arrumar o quarto de hóspedes aqui de baixo. Você deve evitar subir escadas por uns dias.

– Ah, não! Não acredito!!! Além disso, vou ter que ficar sem meu quarto? – Valentina falou emburrada.

– É só por uns dias, minha menina! Não seja mal-humorada, vamos! – Rosa ralhou com Valentina.

Quando abriu a porta do quarto, a garota deu um lindo sorriso para Rosa:

– Você não existe, né, Rosinha! – beijou a face da ex-babá.

Rosa havia mandado arrumar o quarto e levar várias coisas de Valentina do quarto dela para aquele. Seu cavalete de pintura, seus livros e até uns pôsteres e dois quadros que ficavam pendurados no quarto dela. Além de ter colocado algumas roupas dela no armário.

– É pra você se sentir como se tivesse no seu cantinho…

Os olhos de Valentina marejaram por causa daquele cuidado oferecido por Rosa de maneira tão carinhosa. Ela também se lembrou de sua mãe, o que a fez ficar ainda mais emocionada. Então, rapidamente, ela enxugou uma lágrima que teimou em cair do seu olho, pois não queria que ninguém a visse chorando. Contudo, a emoção da garota foi percebida por todos, inclusive por Amanda, que também se comoveu com a situação, mas conseguiu disfarçar.

– Obrigada, Rosa! Desse jeito, vou me recuperar rapidinho. – Valentina falou beijando a governanta outra vez.

– Se Deus quiser, minha menina! Se Deus quiser! – Rosa limpou as lágrimas que caíam dos seus olhos.

– Mas vou ficar mal acostumada, viu? – Valentina gracejou com Rosa.

– Pode ficar! O importante é você ficar boa! O mais rápido possível!

– Exatamente, Rosa! Vem, deixa eu te ajudar! – disse Agnelo.

Com a ajuda do pai e de Rosa, Valentina deitou na cama. Durante alguns dias, teria que passar a maior parte do dia em repouso, podendo dar somente leves caminhadas. Teria, também, que usar o colete por um bom tempo, além de fazer fisioterapia duas vezes por semana. De acordo com o médico, o tempo de tratamento duraria por volta de três meses.

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