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QUANDO MENOS SE ESPERA – Capítulo 14

Os dias transcorreram sem que Valentina tivesse grandes problemas com seu pai, Júlia ou Amanda. Com estas últimas, falava apenas o necessário.

O dia do aniversário de Agnelo estava se aproximando e a esposa resolveu planejar uma festa para amigos em casa mesmo. Com a ajuda de Amanda, Júlia contratou o buffet, a ornamentação, os garçons e uma banda.

Em um sábado de outubro, a agitação na casa dos Rizzons começou cedo devido à organização da festa de aniversário de Agnelo logo mais à noite.

Com exceção de Valentina, que praticamente passou o dia no seu quarto, todos, de alguma forma, deram sua contribuição para a realização da festa.

Ornamentaram o jardim com muito bom gosto e colocaram mesas e cadeiras para os convidados. Além disso, montaram um pequeno palco aonde a banda iria se apresentar. No fim da tarde, tudo estava preparado.

Como era uma festa mais formal, todos se vestiram com roupas sociais. Agnelo vestiu calça e paletó, mas sem gravata. Júlia usou um belo vestido vermelho abaixo do joelho e altíssimos sapatos de salto. Amanda também pôs um vestido, mas na cor marfim acima do joelho e nos pés delicadas sandálias de saltos médios. Apesar de também usar um vestido, Valentina preferia os mais descolados. Ele era curto e cinza e, ainda, pôs por cima uma jaqueta preta. E seus pés foram abraçados por um tênis de salto também preto.

Júlia havia convidado os amigos do marido e alguns dela, e também, algumas pessoas de ambas as famílias, o que dava um número considerável de pessoas.

Antes de a festa iniciar, Valentina, já arrumada, dirigiu-se até o quarto do pai e bateu na porta.

– Oi, filha!

– Vem comigo até meu quarto, pai.

– O que houve?

– Nada. Vou dar um presente a você.

– Presente? Sério? – Agnelo não acreditou no que ouviu.

– Por que a surpresa, pai? Não é seu aniversário? Então…

Agnelo sorriu do jeito brigão da filha até mesmo na hora de lhe dar um presente, o que o fez se lembrar da sua falecida esposa, mãe de Valentina, que, às vezes, tinha um jeito impulsivo.

Ela abriu a porta do quarto e ele se deparou com um quadro relativamente grande, no qual estava pintada uma imagem deles dois. Valentina havia feito uma pintura de uma foto de quando ela era criança, que tinha sido tirada por sua mãe durante um piquenique numa das várias viagens que eles haviam feitos juntos.

Agnelo se emocionou ao ver o quadro e falou:

– Filha! Que lindo! – seus olhos marejaram. – Isso é uma verdadeira obra de arte!

– Você gostou mesmo?

– Claro que gostei! – ele se aproximou e deu um leve beijo na cabeça da filha e a abraçou.

Incrivelmente, Valentina se deixou abraçar por alguns segundos. Momento raro entre pai e filha.

– Muito obrigado! Vou por lá no escritório.

– Lá nem tem mais espaço, pai! – exclamou Valentina.

– Não vou colocar no escritório daqui de casa. Vou levar pro escritório do trabalho! Quero que todos vejam! Mas, por enquanto, vou deixar lá! – Agnelo sorriu de felicidade pelo presente e por estar tendo um momento de entendimento com a filha.

Agnelo saiu do quarto de Valentina com o quadro e se dirigia ao escritório de casa, quando encontrou a enteada.

– Amanda! Olha o que eu ganhei de presente de aniversário! – Agnelo direcionou a tela para Amanda. – O que achou?

Amanda se aproximou da tela e a contemplou. Seus olhos brilharam ao ver a imagem.

– Que pintura incrível, Dr. Agnelo! Como as cores foram usadas… O jeito das pinceladas… Eu adoro esse tipo de pintura! Queria eu ter um dom desses! – Amanda riu – Muito lindo mesmo, Dr. Agnelo! É o senhor e a Valentina? – a garota, encantada, passeava os olhos pela tela.

– Exatamente! Essa pintura é de uma foto que a mãe de Valentina tirou da gente em um piquenique no English Garden em Munique.

– Incrivelmente maravilhosa! Chega a emocionar de tão impressionante! E quem pintou?

– Esse quadro é um legítimo Valentina Ferrato! – Agnelo riu afastando a mão que estava sobre o nome da filha.

Amanda ficou boquiaberta com o que o padrasto falou. Não conseguia acreditar que a Valentina que ela conhecia fosse capaz de realizar algo tão singelo, tão delicado… Tão incrível! Estava tão embasbacada com aquela descoberta, que só conseguiu dizer:

– Eu não sabia que Valentina pintava…

– Ela pinta desde criança. Ela é talentosa, mas esconde todas as pinturas no quarto dela. Eu já pedi pra ela colocar algumas telas pela casa e ela não quer de jeito nenhum!

Amanda não conseguia desviar os olhos do quadro. Estava simplesmente encantada.

– Bom, eu vou colocá-lo no escritório daqui de casa por enquanto. Mas vou levá-lo pra minha sala lá no escritório do trabalho. Afinal, não é todo dia que se ganha um presente da Valentina, ? – Agnelo riu.

Amanda apenas sorriu para o padrasto e subiu para seu quarto com a imagem da tela permeando sua mente.

Por volta das 21 horas, os convidados começaram a chegar. Enquanto Agnelo e a esposa simpaticamente recepcionavam os convidados, Amanda, João Pedro e as amigas dela, que já haviam chegado, conversavam em uma das mesas. E Valentina estava com seus amigos em outra. Como a filha estava um pouco mais comportada, Agnelo havia permitido que ela os chamasse apesar do receio que ele e Júlia tinham de a filha aprontar algum problema.

Contudo, apenas Sabrina e Leonardo compareceram. Caio e Roberta não puderam estar presentes, porque eles viajaram com a família dela. E Eduardo não foi convidado, porque Valentina não estava disposta a aguentar as idiotices do amigo.

Quando todos os convidados chegaram, a festa começou a ficar animada.

Algumas vezes, Valentina sentiu os olhares de João Pedro sendo lançados em sua direção. “Que idiota! Como Amanda não percebe que esse cara é um imbecil? Deve ser porque é idiota também!”.

Em um dado momento, Amanda levantou para falar com sua mãe e, antes de levantar, deu um beijo no rosto do namorado. Valentina acompanhou toda a cena e percebeu como ela estava bonita. E, nesse momento, flashes de Amanda dançando balé voltaram a povoar sua mente. Seus olhos se fixaram em Amanda e Júlia conversando.

Percebendo a direção do olhar da amiga, Léo comentou no ouvido dela:

– Que olhar é esse?

A garota despertou do transe em que estava e questionou, desviando os olhos para o amigo:

– Que olhar?

– Seu olhar para Amanda. Um olhar meio que de admiração… Sem aquela raiva toda que se via nos seus olhos… – Léo riu.

– Nada a ver, Léo! viajando… Tava vendo elas conversarem, mas pensando em outra coisa…

– Sei… Pensando em que, então, posso saber?

– Eu tava aqui… pensando… que… – Valentina gaguejou – Que como era bom morar sozinha com meu pai e eu não sabia… Agora, depois que ele casou dando valor àquela época. – bebeu um grande gole de sua vodca.

Leonardo fingiu acreditar, mas ele achou que aquele olhar não condizia com o que ela havia acabado de falar.

Instantes depois, Valentina pediu licença aos amigos e se dirigiu ao banheiro. Vendo a garota se afastar, João Pedro, aproveitando que Amanda ainda conversava com a mãe, avisou às amigas dela que iria ao banheiro.

Ao invés de ir ao lavabo que ficava perto da sala, a filha de Agnelo resolveu ir ao banheiro do seu quarto no andar de cima.

Quando Valentina entrou no quarto, João, que a tinha seguido, sorrateiramente, apareceu e ficou em frente à porta esperando ela sair.

Decorreram apenas poucos minutos até Valentina sair do quarto e tomar um susto ao ver João Pedro escorado na parede em frente ao quarto dela com um sorriso safado na boca.

– O que você fazendo aqui? – a garota perguntou com aspereza.

Tava te esperando, gata! Queria falar com você. – João falou se aproximando.

Valentina deu um passo para trás e percebeu que a voz dele estava um pouco alterada devido à bebida.

– Eu não tenho nada pra falar com você, garoto! – a menina falou saindo em direção à escada.

João pegou no seu braço e a puxou, abraçando-a com força.

– Me solta, idiota! – Valentina tentou se soltar.

– Sabia que eu acho essa tua rebeldia muito sexy? Ela me deixa até… excitado! – João a apertou ainda mais.

Valentina se movia tentando se soltar, mas ele era mais forte do que ela.

– Se você não me soltar agora, eu vou gritar! E sua namoradinha vai saber o grande imbecil que você é!

– Tá certo, eu solto! Calma, gata!

Antes de afrouxar as mãos que seguravam os braços de Valentina, João subitamente a encostou na parede e, sem dar chance de ela virar o rosto, beijou-a na boca.

A única reação da garota foi a de levantar o joelho com força em direção às partes íntimas do rapaz, que a soltou, instantaneamente, ao sentir a dor do impacto e caiu de joelhos, deixando escapar um leve som de dor.

Agarrando com força os cabelos do rapaz, que fazia careta devido à dor lancinante que sentia, Valentina falou com cólera no olhar:

– Seu idiota! Você nunca mais coloque as mãos em mim, ouvindo?

Valentina soltou os cabelos do rapaz com aspereza e desceu as escadas, ofegante, por causa da intensa raiva que estava sentindo.

Chegou à mesa em que estava com os amigos, sentou-se e bebeu um grande gole de vodca. Sabrina nem percebeu, porque não parava de procurar rapazes bonitos e solteiros pela festa. Já Léo a olhou intrigado e perguntou:

– Por que você com essa cara? Aconteceu alguma coisa?

– Aconteceu, mas não quero falar sobre isso! – Valentina respirou fundo e deu outro grande gole na sua bebida.

Discretamente, seus olhos procuraram Amanda. Eles a acharam sentada à mesa com as amigas outra vez. Permaneceu fixamente olhando para a enteada do pai por alguns segundos e, por um momento, sentiu pena dela por ter um namorado tão cafajeste.

Nesse momento, João se juntou à Amanda com o jeito mais dissimulado possível. Ele a beijou nos lábios levemente:

– Onde você tava? – perguntou Amanda.

– Fui ao banheiro… – João respondeu disfarçadamente.

De relance, João Pedro ainda teve o atrevimento de lançar um olhar ousado para Valentina e sorrir com malícia. Ela quase não conseguiu acreditar na audácia do rapaz.

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