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QUANDO MENOS SE ESPERA – Capítulo 13

No dia seguinte, Valentina acordou por volta de uma hora da tarde e percebeu que estava acompanhada, quando olhou para o lado e viu Dani deitada de bruços completamente nua.

Levantou-se com a cabeça pesada, vestiu uma blusa velha com a qual costumava dormir e resolveu ir à cozinha para matar a sede. Percebeu que a casa estava silenciosa. Aos domingos, os empregados não compareciam, só quando se realizava algum evento. Apesar de Rosa morar na casa dos Rizzons, domingo também era folga dela.

Ao caminhar até a cozinha, Valentina não havia encontrado ninguém. “Será que todo mundo saiu e, finalmente, vão me dá sossego por algumas horas?”

Enquanto bebia água, Rosa apareceu e deu-lhe um beijo na testa.

– Bom dia, Rosinha! – cumprimentou Valentina.

– Boa tarde, né? Já viu que horas são? – a ex-babá falou apontando para seu relógio de pulso.

Pra mim é bom dia, porque ainda não almocei! – brincou Valentina. – Cadê meu pai e a digníssima?

– Eles foram pro clube. Dr. Agnelo depois ligou dizendo que ia passar o dia por lá. Talvez volte só à noitinha.

O pai de Valentina era sócio de um clube, no qual costumava jogar tênis com os amigos.

– E a filhinha deles também foi? – Valentina perguntou com desdenho.

– Não fale assim, minha menina! – Rosa sorriu balançando a cabeça negativamente. – Eu não sei, porque não vi eles saindo. Saí cedinho e tô chegando agora da casa da minha irmã.

– Beleza, Rosinha! Pelo menos, vou ter paz por um momento! Tem alguma coisa pra comer aí?

– Tem. Quer que eu prepare alguma coisa pra você?

– Não precisa! Hoje é sua folga. Eu me viro, ? – Valentina beijou a face da governanta. – Vá descansar, vá! – a garota deu uma palmada na bunda de Rosa.

– Para com isso, menina! – Rosa riu pondo a mão no local da palmada e foi para seu quarto.

Então, Valentina abriu a geladeira e pegou um iogurte e requeijão. Depois abriu o armário e pegou umas torradas. Em seguida, encheu uma caneca de café, sentou-se à mesa e comeu.

Posteriormente, voltou ao seu quarto e encontrou Dani deitada na cama, mexendo no celular.

– Bom dia! – a garota do vestido vermelho falou.

– Bom dia. Dani, você precisa ir embora. Desculpa, mas é por causa do meu pai. Você viu como ele ficou ontem. Não quero mais confusão com o velho.

O verdadeiro motivo pelo qual Valentina queria que Dani fosse embora não era o pai, mas sim ela mesma. Definitivamente, não queria aproximação com ninguém.

– Tudo bem. Realmente, preciso ir mesmo. Mas você vai pelo menos me dá o número do seu celular?

– Claro.

Ambas anotaram os números dos celulares uma da outra antes de Dani se vestir e ir embora. Valentina sequer ofereceu a ela algo para comer.

Após a saída de Daniela, Valentina se deitou na cama e ligou a TV. Não conseguiu se interessar por nada. Olhou para a tela inacabada sobre o cavalete, mas também no estava a fim de pintar. Pegou o livro no criado-mudo, abriu-o, mas logo o fechou. Também não estava a fim de ler.

Então, resolveu correr na esteira, que ficava na academia que seu pai mandou construir a alguns anos. Ela se localizava fora da casa e havia vários aparelhos, além de um espaço amplo para outros tipos de exercícios. Mas Valentina gostava mesmo de correr. Preferia correr em locais abertos, mas, infelizmente, era mais seguro correr na esteira de casa.

Vestiu um short e um top e calçou os tênis. Passou na cozinha, encheu sua squeeze de água e se dirigiu para a academia.

Quando passava pela piscina, ouviu uma música vinda de lá. Chegou à porta de vidro e viu Amanda aquecendo. “Droga!”. Pensou em voltar. Mas reconsiderou. “Não vou deixar de fazer o que eu quero dentro da minha própria casa por causa dessa garota!”. Então, adentrou na academia. Amanda a viu e parou.

– Desculpa! Não sabia que você viria. – falou Amanda.

– Pode ficar. Vou só correr um pouco. – Valentina disse subindo na esteira.

Apesar de ficar um pouco envergonhada com a presença de Valentina, Amanda resolveu continuar. Já havia terminado o aquecimento e então começou a dançar o que gostava desde criança: balé clássico. A dócil garota usava um collant preto, meia-calça branca, sapatilhas de ponta e os cabelos pretos muito bem amarrados em um coque.

Enquanto ela executava pliés, grand pliés, pas de bourrée, tendus, jetés, entre outros passos, Valentina corria. Ela relanceou a vista pelo corpo de Amanda, que realizava com excelência os singelos movimentos do balé. Ela se movimentava com leveza ao som da música clássica. Por várias vezes, Valentina evitou olhar para a filha da madrasta. Contudo, magneticamente, seus olhos se voltavam para ela. Com uma mistura de encantamento e irritação pelo fato de ter que dividir a academia, Valentina desligou a esteira com menos de vinte minutos de corrida e voltou ao seu quarto.

Chegando lá, bateu a porta do seu quarto com força.

– Droga! Nunca mais vou poder correr em paz?! – protestou para si mesma tirando a roupa suada.

Em seguida, ela ligou o som e foi banhar-se. Enquanto ensaboava o corpo, a imagem de Amanda dançando insinuou-se de repente em sua cabeça. Então, ligou o chuveiro novamente e se pôs embaixo da água. Por algum momento, ficou sentindo a água escorrer pelo corpo na tentativa de escoar os inconvenientes pensamentos da sua mente.

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