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Quando a Chuva Passar

Todo dia quando chove, meu cachorro corre até a porta e espera ela voltar. Quando ela me deixou chovia torrencialmente lá fora. Ela tinha entrado calmamente pela porta, quando ainda estava dia, subiu as escadas até seu quarto, pegou algumas roupas, colocou na mala e saiu sem nem dizer tchau.

Todo dia quando chove, meu cachorro e eu sentamos no sofá, eu bebo uma xícara de café e me lembro de todos os momentos que ela me fez feliz. Os dias que ela chegava e aprontava o nosso jantar, colocava velas na mesa e me surpreendia com o seu mais belo sorriso. Todos aqueles dias que ela chegava do trabalho e me contava seu dia, me abraçava forte e me amava.

Nossos dias de chuva eram felizes, hoje talvez eu não saiba mais o que é sorrir. Chego do trabalho, suspiro forte e fico pensando se o meu sonho era maior que o dela. Se o nosso amor poderia resistir a minha vontade de ter filhos. Se o meu amor por ela venceria e aquele meu desejo de ser mãe se acabaria.

Já faz duas semanas desde que ela se foi. Já faz duas semanas que me sinto sozinha. Que aquele prazer de chegar do trabalho não é o suficiente para me fazer feliz. Talvez todo o meu desespero, toda a minha vontade de ser mãe seja menor do que minha vontade de me casar com ela um dia.

Foi naquele dia de chuva que todos os meus planos se acabaram, que todas aquelas ligações foram feitas, que todos aqueles recados foram dados. O casamento estava cancelado. Foi naquele dia que as pessoas se questionaram o que havia acontecido. Que escutei frases como: “O que aconteceu?”, “Vocês eram tão felizes”, “Vocês combinavam tanto”. Mas só o amor não foi suficiente, só o desejo não satisfez.