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O dia da mulher ir à luta é todo dia Uma feminista recatada que todos os dias precisa rever as próprias atitudes

Esse não é um texto fofo com declarações romantizadas sobre o que é ser mulher ou como é amar uma. Talvez, ele não seja um manifesto feminista com tópicos sobre como respeitar as mulheres no dia a dia ou como educar sua filha em uma sociedade machista e misógina. Este é um texto de alguém que todo ano precisa rever seus conceitos sobre ser e amar uma mulher.
Me considero feminista. Sei que dizer isso assim, da boca pra fora, é simples, o que importa na verdade é o que vocês faz todos os dias para mudar a forma que as mulheres são tratadas e objetificadas, que definem o que é ser feminista. Há feministas mais dedicadas do que eu, e eu agradeço a elas por lutar tão ferrenhamente pelos nosso direitos. Há mulheres que não querem o rótulo do feminismo, mas que no dia a dia lutam, da sua maneira, pelo seu espaço e pela equidade de gênero e por isso são feministas sem nem saber. E há pessoas como eu, que por mais que eu saiba que o machismo e a misoginia ainda fazem parte de mim – entranhados em uma cultura que nos foi empurrada – luto a cada pequena atitude para mudar a forma de pensar – própria – e daqueles que estão ao nosso redor.
Venho de uma família apenas de mulheres. Desde os dez anos de idade que moro com minha mãe, irmã e avó e todos os dias presencio situações na minha vida e na delas que fazem parecer que nós precisamos de um homem para tudo. Admito que quando era mais nova costumava acreditar nisso, precisei amadurecer para abrir os olhos e perceber que somos mais família do que muitos modelos tradicionais que andam por aí de mãos dadas com a hipocrisia. Dentro de casa, brigo todos os dias com a minha mãe e até com a minha avó para que elas possam enxergar o que eu vejo: que é preciso começar a mudança em nós para que o mundo mude também. Quando minha mãe diz que aquela menina está com uma roupa curta demais e por isso o menino passou a mão nela, me pego ensinando para ela que o corpo da mulher não é vitrine para alguém passar a mão sem a permissão dela. Acho que estamos naquela fase que os filhos podem ensinar algumas coisas aos pais, no meu caso, a mãe. Vejo comentários vindos da minha avó que refletem a cultura machista – ainda mais – da época em que ela foi ensinada pela mãe dela a cozinhar e limpar a casa, porque era isso que ela devia fazer, e lá estou eu discutindo sobre o papel da mulher no mercado de trabalho e a independência que ela deve ter. Sou uma feminista recatada que todos os dias presta atenção nas próprias atitudes para, cada vez mais, abrir os olhos para que possamos ir abrindo os olhos de todos que estão a nossa volta.
Pelo mundo todo há mulheres que estão nas ruas neste dia lutando por direitos iguais, por tratamento igual e principalmente, para que possamos ser respeitadas apenas por sermos mulheres. E quando digo mulheres, não é preciso uma vagina para que isso se comprove. Mulher é aquela pessoa que sabe que é mulher e pronto. O que ela tem entre as pernas não define o que ela é, apenas se torna uma parte do belo corpo de uma mulher. Sejamos feministas radicais, recatadas ou feministas que não querem aderir ao rótulo, mas sejamos mulheres que lutam dia após dia para que o mundo seja um lugar melhor para as futuras mulheres. Quando eu for mãe – vontade essa que NÃO é inerente a todas as mulheres, só para deixar claro – não quero ter que conversar com a minha filha sobre o fato de só existirem brinquedos cor de rosa e relacionados a cozinha na sessão de meninas das lojas. Aliás, não quero que existam sessões de meninas nas lojas. Não quero que minha filha me pergunte porque a tia da escola mandou ela se comportar como uma menina ou não quero ter que explicar porque mulheres morrem cada vez mais simplesmente por não obedecerem seus maridos.
O dia da mulher ir à luta, para as ruas ou para onde ela quiser, é todo dia! 
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