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O Amor, Simplesmente – Cap 117

A história começava a se desenhar como elas sempre imaginaram. Beta, Tati e Dani passavam horas pensando o que fariam com aquele apartamento que poderia ser delas. Os pais de Beta deixaram bem claro que as responsabilidades de contas e de sustentar o apartamento teria que ser dividido entre as três. Os pais de Tati garantiram ajudar no que fosse possível, assim como fizeram com seu irmão quando ele foi para a cidade grande. A mãe de Dani não tinha muito, mas ajudaria como fosse possível. Era um sonho se tornando realidade.

– Beta, no seu quarto cabe uma cama de casal?
– Dani, olha lá o que você vai fazer com o meu quarto, hein!
– Vocês vão ter uma suíte só de vocês, nada mais justo que eu possa ter, ao menos, uma cama de casal!
– Amor, ela tá certa! Deixa a menina, vai! Afinal de contas, não é como se a nossa intimidade já não seja uma coisa bem intensa, né?
– Pode deixar, Tati. Eu vou deixar ela ter uma cama de casal!
– Em falar nisso, Dani, você já conversou com a Estella sobre o futuro?
– Ah, amiga, conversamos né. Mas por enquanto, ela não sabe como vai ser. O contrato dela aqui dura mais um ano.
– E depois?
– Não sabemos ainda.

Estella estava tentando de todas as formas pedir uma transferência para alguma escola da cidade grande. Ela não podia perder a oportunidade de viver um relacionamento, que pela primeira vez, parecia algo tão real e tão certo. Dani a estava fazendo mais feliz do que nunca. Ela até tinha voltado a escrever, coisa que não fazia há muito tempo. Durante os fins de semana era assim: Dani mergulhava nos livros de estudo enquanto Estella ligava o computador para rabiscar algumas linhas, frases e poemas. No final do dia, pediam uma comida em casa, abriam um vinho ou uma cerveja gelada e curtiam tudo que aquele amor as dava. Nunca mais houve um fim de semana só das três, agora era sempre as quatro.

Tati e Beta não se cansavam uma da outra. Todos os dias, o dia todo. Dormiam juntas revezando as casas, iam para a escola, depois almoçavam juntas na casa de alguém e passavam a tarde toda estudando. As provas finais e os vestibulares se aproximavam e elas não poderiam sonhar em reprovar. Afinal de contas, tinham um apartamento as esperando no próximo ano e isso só se concretizaria se passassem para uma faculdade federal.

– Você já decidiu? – Beta perguntou enquanto caminhava pelo quarto esticando a coluna
– Acho que sim – Tati respondeu largando a caneta que segurava e alongando
– Posso saber qual a sua decisão?
– Acho que vou fazer direito
– Jura? Mas e o jornalismo?
– O jornalismo sempre foi uma coisa da Dani. Ela escreve super bem e tem cara de pau pra essas coisas
– Você seria uma ótima jornalista
– Você sabia que para nós termos todos os direitos assegurados, é uma situação longa e complicada?
– Como assim?
– Gays. Eles não tem metade dos direitos que os casais heteros tem!
– Então você quer fazer direito para se tornar uma ativista LGBT?
– Não ri!
– Rir? Eu acho lindo isso, amor! Sempre quis fazer algo, mas nunca soube como
– Você é tão boa com essa coisa de internet, propaganda…vai fazer publicidade…porque não começa seu ativismo por aí?
– Com o que?
– Não sei…mas que tal um site? É difícil?
– Não. É super simples criar um site hoje em dia
– Então! Faz um site.
– É por isso que eu te amo, sabia? Você vai ser uma advogada extremamente gostosa e deliciosa e inteligente e apaixonante!
– E apaixonada também…

Dani era a única que ainda não sabia direito o que fazer. Sua vontade sempre foi jornalismo, mas tinha medo de não ser a melhor carreira do mundo. Estella a incentivava para seguir sua paixão e dizia que ela daria uma ótima jornalista. Estava 99% certa de sua escolha, agora só faltava estudar. Tinha muita coisa pendente e precisava correr contra o tempo.