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O Amor, simplesmente – Cap 110

O sol já queimava as bochechas rosadas das amigas enquanto elas se vestiam e se secavam à luz do sol. Uma hora ou outra viam-se alguns esportistas correndo no calçadão. Os que se davam ao trabalho, reduziam o passo e mostravam curiosidade no trio vestido com roupas da noite anterior.

Dani pegou o celular com o resto de bateria que tinha e avisou a Estella que já estavam indo tomar café da manhã e depois iriam a encontrar. Era o processo normal de sempre: voltavam no boteco onde comiam o sanduíche e pediam dois cafés puros e uma média com três ou quatro pães na chapa, ou, como na maioria das vezes, pediam seis logo, porque a fome era enorme.

O senhorzinho do botequim já estava acostumado com aquelas três e quando as viu chegando já mandou preparar os pães na chapa e esquentou o café mais uma vez. Sorriu e saudou as amigas:

– Óia só quem apareceu por aqui! Estavam sumidas, hein!
– Pois é, seu Damião. Último ano do colégio fica difícil, né?
– Eu sei. Mais três que vão embora, né?
– Como assim, seu Damião?
– Ôxi, toda menina bonita e inteligente vai embora dessa cidadezinha!
– E nós somos bonitas e inteligentes, é?
– Bonitas são! Inteligentes ainda não sei, mas cês são tão felizes que tenho certeza que essa cidade é muito pequena para vocês!
– Feliz nós somos mesmo!
– Pão, café e média saindo pras meninas bonitas, inteligentes e felizes!

Seu Damião não quis cobrar o café da manhã das meninas, se despediu e deixou na mente delas uma semente plantada. Será que aquela cidade era pequena demais para elas, mesmo? Descobririam em algum momento, mas não era hoje. Ainda tinham um resto de domingo para curtir e Estella já estava pronta esperando por elas.

Em seu carro discreto, Estella estava de boné e óculos escuros. Dani entrou no banco da frente, Beta e Tati atrás e partiram para o final da aventura do fim de semana.

– Minha mulher usa boné, é? – Dani perguntou estranhando o acessório de Estella
– Só quando preciso me esconder.
– Se esconder? Matou alguém essa noite? – Tati falou rindo e implicando com a namorada da amiga
– Não matei ninguém não, mas podem me denunciar por estar sequestrando três alunas minhas e levando para mais farra.
– Podem te denunciar por fazer sexo com uma delas também….

Estella ainda não estava acostumada com aquela intimidade toda entre as três e ficou levemente sem graça. Dani percebeu, colocou a mão na perna da namorada e a tranquilizou:

– Pode deixar, que se você for presa eu vou exigir visita íntima, tá?

As três riram, porque Tati já tinha capotado no banco de trás e faltava pouco para roncar. Dani, Beta e Estella continuaram conversando sobre os problemas do mundo, a situação política do país e as vezes interrompiam para aumentar o som e cantarem juntas alguma música que tocava.

Na auto estrada, Estella já estava sem boné e com os vidros abertos e por alguns instantes a vida delas parecia ser um misto de liberdade, certeza e eternidade. Nada poderia separar as três amigas e aos poucos Estella se mostrava mais parecida com elas do que elas imaginavam. Ainda teriam muita coisa pela frente naquele domingo.