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O Amor, Simplesmente – Cap 109

O clima estava cada vez mais quente e a areia já ficava marcada com os corpos que deitavam sobre ela. Dani continuava com o corpos em cima de Tati e a beijava na boca enquanto Beta provocava a namorada em outros pontos bem interessantes que só ela conhecia. Tati estava em um looping de tesão, tensão e nervosismo. A adrenalina pareceu eliminar todo e qualquer resquício de álcool ou maconha e ela foi a primeira a mudar de atitude.

Aos poucos se afastou do beijo de Dani e também de Beta. A amiga percebeu e no mesmo instante saiu de cima dela. O silêncio constrangedor estava instaurado e a adrenalina corria no sangue das três. É aquele tipo de momento que pode mudar tudo ou nada, depende de como elas vão encarar isso.

– Dani, preciso falar uma coisa – Tati falou enquanto se sentava e sacudia um pouco da areia de seu cabelo
– Amiga, desculpa. Vamos…
– Amiga, seu beijo até que é bom e tal, mas não encaixa com o meu – Tati falou enquanto abria um sorriso discreto.

Era possível ouvir a respiração de Dani e Beta aliviadas. Pelo visto, Tati tinha entendido que acidentes acontecem, principalmente sob o efeito de álcool, maconha e assuntos de sexo. Ela não iria negar que até estava gostando, mas o bom senso, de alguma forma, falou mais alto e ela parou tudo antes que piorasse.

– Amor, está tudo bem? – Beta falou para se certificar que Tati estava bem
– A situação é essa: aconteceu um beijo…nós estávamos bêbadas e fumamos também e acabamos perdendo o controle. Beta, você ainda é minha namorada e Dani você ainda é minha irmã. Vamos pensar que era apenas um daqueles beijos de criança, quando ensaiávamos para beijar os meninos
– Peraí. Então vocês já se beijaram antes? – Beta comentou para terminar de descontrair o ambiente
– Amiga, você acha o que? Que a Tati sempre foi sua? – Dani complementou a brincadeira
– No passado eu não sei, mas no futuro ela será só minha

E junto com a declaração, Beta pegou a garrafa de vodka que estava quase cheia ainda e propôs um brinde. Aos acidentes, aos beijos, às noites, à praia, ao mar e principalmente, ao amor. As três beberam, ascenderam o último cigarro e seguiram com a noite que prometiam há dias. Foram brincadeiras, implicâncias e sonhos divididos de uma forma que só elas conseguiam entender.

O celular de Beta avisava que o dia insistia em se aproximar. Por elas a noite poderia ser eterna, se bem que Dani estava pensando muito em Estella nas últimas horas. Discutia, em sua cabeça, se contava ou não para a professora o ocorrido.

– Meninas, antes de entrarmos no mar para receber os primeiros raios solares, preciso de ajuda
– Contanto que não seja treinar beijo de novo… – Tati já estava até brincando com a situação
– Não é isso. Pode deixar!
– Fale-me tudinho, não me esconda nadinha – Beta era a mais alterada da noite
– Será que devo contar para Estella sobre o beijo?

O fato já tinha virado brincadeira, mas colocado desta forma parecia ser mais do que realmente foi e isso deixou Tati e Beta caladas por um tempo.

– Olha. Quando aconteceu o mesmo acidente com vocês lá na cidade grande, eu fiquei bem chateada. Mas até hoje agradeço por vocês terem me contado.

Beta e Dani já tinham se beijado por acidente e isso quase causou o término do trio, mas depois que a dor passou, uniu elas ainda mais. A resposta de Tati foi suficiente e Dani então tinha uma decisão. Uma das mais difíceis que já teve que tomar, mas era isso.

– Ei, amores. Olha lá.

Beta apontou para o horizonte onde começava a se formar uma linha bem leve em um tom alaranjado. Era hora do ritual final para encerrar a noite. Cada uma deu mais um gole, acabando com a garrafa de vodka, acabaram também com o cigarro, tiraram suas roupas e seguiram como sempre. Beta e Tati abraçadas e Dani ao lado de Tati de mãos dadas com a amiga.

Para quem via de longe parecia que as três estavam indo para uma espécie de sacrifício, que não voltariam dali e de certa forma era. Sempre deixavam para Iemanjá algo delas. Um pouco da alma, um pouco da juventude ou um pouco do medo. Mas sempre saíam com presentes ainda maiores: um pouco mais de amor, de felicidade e de união.