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Músicas machistas: mi mi mi ou mudança de pensamento necessário

Eu escuto muita música. Mais do que parece ser normal e eu sempre fui assim. Escrevo com música, trabalho com música, caminho com música e as vezes até durmo com música. É como seu eu sempre precisasse de alguma trilha sonora para os meus momentos e sinceramente eu não quero mudar isso. Amo a música e é isso.

Há um pouco mais de seis meses atrás, lembro de algumas pessoas que surgiram na internet propondo boicote a músicas que continuavam espalhando frases machistas, misóginas e de objetificação feminina. Na época entrei em algumas discussões defendendo esse boicote e muito ouvi que era um enorme exagero, um tal de “mi mi mi” e que a gente estava indo longe de mim nessa questão. Admito que fiquei balançada, mas ainda sim passei a prestar uma extra atenção nas letras de música que eu ouvia. Aí que a coisa ficou estranha pra mim.

Vamos boicotar o sertanejo, mas vamos continuar rebolando ao som do funk. Não faz sentido. Realmente, não faz sentido. Mulheres tem surgido no sertanejo e tornando as letras um pouco menos problemáticas – com o perdão da palavra – quando falamos do respeito à mulher. Mas todos os dias, novas duplas surgem e elas continuam cantando “vai casar comigo sim” e reduzindo cada vez mais o papel da mulher em qualquer decisão. Outras letras falam sobre o papel da mulher ao fazer o café da manhã e esperar o amado em casa no final do dia, porque, obviamente, ela não trabalha e é apenas uma empregada. Porra, Mari, mas você tá indo muito longe! Isso são músicas românticas!

Será que eu to indo longe demais? Será mesmo? Estamos falando de uma sociedade que está sendo manipulada para acreditar que existe uma cura gay – sabemos que a notícia que estampou manchetes, foi manipulada, apesar de não ser muito longe disso. Estamos falando de um país que pode eleger – santa Ellen nos dibre – um apoiador da ditadura militar e que acha que matar gay é a solução. Estamos falando de um país que acabou de proibir o aborto em caso de estupro. O que uma coisa tem a ver com a outra? Quer dizer que em uma sociedade que parece estar andando pra trás em questão de direitos humanos e responsabilidade social, todo e qualquer manifesto que ajude a regredir nossos pensamentos deve ser evitado a qualquer custo. Então vamos parar de ouvir música? Não! Mas temos que começar a chamar atenção para as letras machistas, misóginas, homofóbicas, excludentes, racistas…não podemos deixar passar o preconceito nosso de cada dia. E se você não tá conseguindo sacar muito bem isso tudo que eu tô falando, dá uma olhada na página “Arrumando Letras“, que elxs são bem explicativas!

Que o funk continue sendo a voz das comunidades que ecoa no mundo todo; que o sertanejo continue valorizando as raízes da música brasileira e que o novo hip hop seja ainda mais dominado por vozes como Carol Konca e Iza. Queremos todos os ritmos de música tocando nesse país lindo, mas queremos letras que nos levem para um futuro onde as mulheres são tratadas com a igualdade que nós buscamos todos os dias.

O que você acha? Estou indo longe demais ou a cultura é o primeiro lugar que devemos mudar a forma como vemos o mundo?

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