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Minha pequena Eva

Carnaval. Carnaval. Carnaval. Vamos de grupinho para fazer a festa. Luís e Geovana pulavam e gritavam como malucos. Toda a animação corria por suas veias e havia glitter por toda extensão de seus corpos. Enquanto eu me olhava no espelho e admirava minha roupa de ladrão, blusa listrada e calça preta de couro, com o número 69 nas costas. Eu estava ridícula, não sei como meus amigos haviam me convencido a usar aquilo. Luís usava uma samba canção e só, ele dizia sempre “o que é bonito, é para se mostrar”, então o resto do corpo só tinha brilho. Geovana estava com uma roupinha bem angelical, toda de branco e uma auréola na cabeça, até parecia que era santa.

– Vamoxxxxxx Luísa, a festa na praça já começou. Hoje é bloquinho dos LGBT! Espero que cantem Pablo Vittar. – Era o que Luís gritava para mim, enquanto pegava suas coisas para sairmos. Peguei minha garrafa de energético e saímos em direção à folia. O caminho todo com eles cantando “Eu não espero o carnaval chegar pra ser vadiaaaaa, sou todo dia. Sou todo diaaaaa”.

Em clima de risadas e brincadeiras, chegamos à festa de carnaval. Todos os lugares estavam cheios, quase impossível de respirar, Luís nos guiava até a frente do palco, onde uma Drag Queen cantava e arrasava na performance. As músicas variavam entre funk, axé, sertanejo, pagode e samba. Tinha fantasias de todo tipo e o melhor de tudo: Glitter para todo lado.

Nos enfiamos no meio do povo e começamos a pular e dançar conforme a música. Toda a euforia e energia do carnaval percorria pelos nossos corpos. Pessoas que não conhecíamos, virava amigos, e aqueles que só eram conhecidos, viravam mais que isso.  As pessoas se beijavam, se divertiam e curtiam.

Quando começou a tocar “Eva”, vi um passarinho na minha frente com uma plaquinha escrito “VEM COMIGO QUE EU TE LEVO PRO CÉU”. Usando apenas um body amarelinho, uma saia de tule brilhoso e com asas nas costas, realmente parecia que aquela menina iria me levar ao céu. Com o sorriso mais contagiante do mundo, ela cantava “minha pequena Eva, o nosso amor na última astronave, além do infinito eu vou voar…” e eu me encantei. Fui me encostando de fininho e falei: “Você quer me beijar?”. E ela me beijou. Nossos corpos suados se enroscando, balançando ao som da música e calor subindo em cada parte dos nossos corpos. Aquilo era Carnaval. Toda vibração boa seguindo conforme a música. Os nossos amigos e aqueles desconhecidos pulando e rodando ao nosso redor. Curtindo o momento. E aquele beijo, aquela garota, realmente tinha me levado até o céu.

*Me siga no instagram: @brunafentanes*

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