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Meu corpo, uma vitrine

Acelero o passo quando vejo uma sombra me seguir. Ando nos becos e ruas escuras sabendo que posso não sair viva deles.
Ando atenta, ando de olho, ando imaginando o que tenho e o que mereço.
Troco de roupa ao pensar para onde vou, troco de roupa sempre antes de sair.
Me sento com cuidado, me sento sem sentar, me levanto e não sei em que posição posso ficar.
Preparo o tapa, o soco, o cotovelo e no final das contas uso da distancia para me proteger do medo.
Fui ensinada a me proteger, a sempre ter medo e a sempre duvidar, mas acho que nunca os ensinaram a me respeitar.
Meu corpo parece uma enorme vitrine, desde o pé desnudo ao pescoço descoberto, parece que tudo não passa de um convite incerto.
Me seguro nas mãos da justiça para então a balança me trair. Tento acreditar na mente humana, mas todos parecem sucumbir.
No buraco negro das ruelas que atravesso com medo, vejo o mundo todo ruir.