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Lei que proíbe propaganda gay “legalizou” violência contra a comunidade

A entrada em vigor em Junho da lei que proíbe a “propaganda homossexual” fez aumentar os comportamentos homofóbicos na Rússia. Segundo gays, lésbicas e ativistas, grupos de direita usam as redes sociais para fazerem “emboscadas” à homossexuais, atraindo-os para reuniões, para em seguida os humilharem.

De acordo com a rede LGBT do país, o assédio à comunidade está sendo, pela primeira vez, organizado a nível nacional, através de grupos como Occupy Gerontophilia e Occupy Paedophilia, que argumentam estar tentando “corrigir” os homossexuais. “As recentes leis contra aquilo que se conhece por propaganda gay, primeiro a nível regional e, depois, a nível federal, têm essencialmente legalizado a violência contra as pessoas LGBT, porque estes grupos de hooligans agora justificam as suas ações com essas leis”, explicou ao “Guardian” Igor Kochetkov, líder da rede LGBT no país. “Com esta legislação, o governo russo disse: ‘sim, os gays e as lésbicas não são considerados um grupo social'”, afirmou.

Principal autor da lei e deputado no parlamento pelo partido no poder, Alexei Zhuravlev, explicou que a entrada em vigor do documento tem como objetivo “proteger” as crianças do trauma psicológico que é viver com pais que “não escondem ter relações sexuais com pessoas do mesmo sexo”. A mensagem para a comunidade LGBT não podia ser mais óbvia: Se não querem que os vossos filhos vos sejam tirados, é melhor manterem a boca fechada. Isto porque Zhuravlev também já apresentou este projeto de lei aos deputados e procura agora apoio.

Ainda ontem, um diplomata russo classificou de inaceitáveis as tentativas dos países ocidentais de quererem obrigar os outros Estados a seguirem os seus valores. “O desejo do Ocidente de impor o seu sistema neo liberal de valores aos outros membros da comunidade internacional como uma base universal para a vida apenas pode causar preocupação. Isto torna-se especialmente visível na sua promoção agressiva dos direitos sexuais das minorias”, afirmou Konstantin Dolgov, durante um discurso no International Human Rights Forum, a decorrer em Pequim.

Já o presidente russo, Vladimir Putin, numa entrevista recente e em reação à polemica, descreveu a proibição como não discriminatória e afirmou estar disponível para se encontrar com os líderes dos movimentos LGBT, embora não tivesse ainda recebido qualquer sugestão.

“Eles tentaram enganar-me e convidar-me para uma reunião mas vi logo que era esquema”, contou Robert, um adolescente gay que vive na cidade siberiana de Kemerovo. Segundo o jovem, tudo começou com uma conversa online, com um homem que lhe ofereceu dinheiro para se encontrarem, mas que, após confrontado, acabou por admitir pertencer ao grupo Occupy Gerontophilia. Para Robert, de 15 anos, os assédios homofóbicos aumentaram com a entrada em vigor da nova legislação e, “em termos gerais, a atitude das pessoas contra os LGBT piorou após a propaganda homofóbica difundida pelos meios de comunicação social”.

Segundo uma sondagem realizada em Abril, 43% dos russos consideram a homossexualidade um “mau hábito e de devassidão” e 35% afirmam ser “uma doença ou consequência de um trauma psicológico”. Por seu turno, uma outra pesquisa levada a cabo em Março deste ano pelo Levada-Center, concluiu que cerca de 85% dos russos é vincadamente contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e 87% opõe-se à realização de eventos em nome orgulho gay nas suas cidades.