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Karen – Cap 2

Ela fechou a porta da cabine pequena. Me olhou no fundo dos olhos. O cheiro de vinho misturado com a menta do cigarro me atiçavam a mente. Sorriu, nada falou. Devia estar achando graça da minha cara de quem não entendia nada. Me encostou o mais gentilmente possível na parede do banheiro. Chegou mais perto, nossas respirações se misturaram de uma maneira que estava começando a me deixar tonta. Senti uma pequena pressão das mãos dela nos meus pulsos. Não que ela precisasse, eu estava demais atordoada para fazer alguma coisa naquela situação. Ela me beijou. Sem nenhuma palavra, simplesmente encostou os lábios molhados dela nos meus. Gentilmente deixou a língua dela deslizar pra dentro da minha boca como se pedisse licença para entrar. Só isso. Ela me beijou de uma maneira que ninguém nunca tinha me beijado. Com uma paixão calma, um carinho enorme, e uma vontade maior ainda de que aquele momento não acabasse.

Assim como começou, acabou. Ela terminou com aqueles dois estalinhos, deu mais um sorriso encantador, me deu um beijo no cantinho da boca. Abriu a porta e foi embora. E eu fiquei ali, parada. Ainda procurando saber se era um sonho ou delírio. Deixei que meu coração aos poucos voltasse a bater normalmente. Minhas mãos ainda estavam grudadas na parede, assim como ela tinha deixado e o cheiro dela ainda permanecia grudado na minha roupa. Aos poucos me deixei sair daquela posição, saí da cabine e voltei a posição inicial. Água no rosto e me olhando no espelho.

Voltei para a mesa com uma cara de quem esteve em uma viagem para outro mundo durante aqueles minutos. Jorge não percebeu, mas Karen logicamente sabia do que se tratava. Eu não sabia como olhá-la, aliás, não sabia nem se devia encarar aquele sorriso encantador que se virava pra mim. Ela acendeu mais um cigarro de menta e bebeu mais um gole da taca de vinho e os cheiros novamente me invadiram fazendo com que minha mente divagasse sobre aquele beijo surpresa. Minha noite estava acabada. Ou não. Ainda tinha muito para eu descobrir.

Jorge pediu a conta, pagamos enquanto terminávamos as taças de vinho e o maço de cigarro de menta. Fomos andando para a saída eu já me preparando para me despedir dos dois e seguir no meu carro para casa e tentar assimilar tudo que tinha acontecido quando Karen comunicou a todos os presentes que iria dormir na minha casa com a desculpa de finalizar um estudo. Jorge não se importava com isso, estava acostumado e confiava em mim. Gelei. Derreti. Morri. Parei. Não sabia o que sentir, muito menos como reagir. Só balancei a cabeça afirmando a notícia.

O caminho até a minha casa foi o mais rápido e lento que já fiz. Ao som de Legião Urbana, nosso eterno vício. Não precisamos falar nada, apenas cantar. No meio de “Faroeste Caboclo” desliguei o carro na garagem do prédio onde eu morava em um apartamento simples só pra mim. Acostumada ao local, ela saiu do carro antes de mim, fechou a porta, abriu a porta do elevador e me esperou fechar o carro. Longos 5 andares. Abri a porta do apartamento, nenhuma palavra. Tesão, Tensão, Paixão, Diversão no ar. Tudo isso e mais um pouco.

Joguei a chave na mesinha da sala como de costume. Parei. Não sabia o que fazer nem para onde ir, ouvi os passos dela no meu quarto. Meu coração acelerou, ou parou. Ainda não sei. Tirei o sapato de salto alto que estava me machucando. Segui até a cozinha, e enquanto bebia um copo de água gelado e pensava no que fazer agora ouvi ela me chamando. “Vem logo, eu não sou mais visita e já mexi no seu armário! To te esperando!” Gelei. Derreti. Morri. Parei. O que ela queria dizer com aquilo? O que ela estava fazendo? Por um momento imaginei apenas que ela já tinha pego um pijama meu qualquer. Andei aproveitando cada passo que eu dava, não sabia o que estava por vir.. Cheguei perto da porta, respirei fundo e tentei esboçar um sorriso ‘comum’. Impossível.